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Predomínio de Sol

Diante do cenário de incertezas o que esperar de 2016?

  • Jaime (1)

    Jornalista Jayme Modesto

    O ano de 2015 termina como começou, perdido e sem motivos para comemoração. O povo brasileiro, assim como eu, assiste perplexo e estarrecido a onda de corrupção que se instalou em quase todas as instituições públicas, empresas e nas três esferas do poder no país.

    A corrupção está generalizada e foi institucionalizada. E pior, a maioria dos nossos representantes políticos está envolvida neste vergonhoso e interminável escândalo. Mas, o que me causa indignação, é a frieza e naturalidade com que estes senhores, tratam do assunto para se defenderem. Aliás, mais nojento ainda é saber que tudo segue os mandamentos de São Francisco – na base do é dando que se recebe.

    Não irá me causar surpresa nenhuma se toda essa sujeira ficar por isso mesmo e não passar dos depoimentos, a exemplo do mensalão onde todos foram beneficiados com aplicação do famigerado embargo infringente, recebendo a complacência e benevolência do Supremo Tribunal Federal.

    No caso do petrolão estamos todos passivos ou somos coniventes com tudo que está acontecendo? Estamos numa encruzilhada ou num penhasco? Será que tudo isto está escrito no livro do Apocalipse? O pior é que vemos uma disputa de poder com a sensação de duelo entre Belzebú e Satanás. Irmãos siameses com os mesmos objetivos. Pelo que está sendo mostrado, não se salva nenhuma das agremiações partidárias, tão pouco mais 70% dos políticos.

    O país está paralisado com a ação nefasta de tantos corruptos, e para salvar esta pátria desta gatunagem, teríamos que mudar tudo e reformular uma nova democracia, pois a atual está falida e sem rumo, todos os três poderes estão podres, salvando apenas uma pequena parcela do quarto poder, o Ministério Público. Por ser mais independente, vem agindo de acordo com a lei, e ainda não está totalmente contaminado pela interferência dos mandatários da República. Também temos que louvar a ação da Polícia Federal, que por ser uma polícia de estado tem feito a sua parte até agora.

    Fico me perguntando, o que pensa essa gente quando tentam inverter a situação acusando adversários e a imprensa de golpista? Querem que aceitemos essa roubalheira calados? Que sejamos coniventes com a corrupção e continuarmos com os déspotas nos poderes da republiqueta que comandam este grandioso país de povo sofrido, abandonado e sem cultura? Os corruptos que “governam” este país rico, sem intempéries climáticos, mas cheio de desonestos que delapidam o maior bem de uma nação, a esperança e a dignidade e vão fazer o possível para que tudo continue como está.

    Estamos caminhando para o fim da vergonha, a política está sendo transformada em assunto policial e o Ministério Público e a Polícia Federal até então são seus mais e importantes atores. Com todos os arrepios que os personagens envolvidos possam causar a mim, ao menos, causa mais arrepios ver formar-se um conflito institucional gigantesco, onde as instituições de poder entram em
    conflito e o país se paralisa. A exemplo da interferência clara do Supremo no Legislativo, mudando as regras do jogo no meio do campeonato, a bem da verdade o Congresso Nacional, ou seja, Senado e Câmara não têm mais credibilidade nem moral, já que têm no seu comando duas figuras que envergonham todos nós.

    Não é pela figura dos três de hoje e dos dois de amanhã ou depois. Mas porque um dos poderes da República está tão corroído pelos alinhamentos corporativos e ambições, pela falta de pudores e de líderes que não se pode deixar de sentir no ar a suspeita cada vez mais forte de que vai se formando no Brasil um caldeirão de cheiro extremamente desagradável. Isso porque vivemos no paraíso da impunidade. A pena aplicada por ato de corrupção no Brasil é uma piada de mau gosto. O que se questiona hoje é 93% dos cidadãos que afirmam o desejo por mudanças, é porque se trata de uma sociedade viva, que não se resigna com o já conseguido e que se revela cada vez mais exigente com as instituições governantes. Mastigamos, mas não engolimos mais as mentiras, os brasileiros estão perdendo o medo de ter medo. Se o país parece mais inconformista é porque enfrentou o fantasma do medo e isso começa a liberá-los do atraso.

    As consequências já começam a ser sentidas e há muito mais por vir. Precisamos estar preparados para a piora das condições econômicas e financeiras, sob o risco de termos que mudar os nossos hábitos e nossa forma de vida. Como sou muito otimista, acredito que esta é uma grande oportunidade de mudança e em 2016, teremos uma nova oportunidade. Apesar de que tudo indica que teremos um novo ano ainda mais difícil em todos os pontos de vista, econômico, social e político, mas a esperança é de que a lição tenha sido aprendida.


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