» Ataques químicos matam mais de 650 pessoas na Síria, diz oposição

Governo nega as acusações de uso de gás tóxico, ainda que tenha reconhecido a realização de operações militares nas redondezas de Damasco

Ativistas sírios inspecionam corpos de vítimas do ataque do governo sírio desta manhã, dia 21 de agosto, na região de Damasco, no qual rebeldes afirmam que foi utilizado gás neurotóxico.

Dezenas de pessoas foram mortas ou ficaram feridas em ataques do Exército em regiões próximas a Damasco nesta quarta-feira, segundo informações de ONGs e do principal grupo de oposição no país. Ativistas e membros da oposição acusam o regime sírio de bombardear seus alvos com gás tóxico.

De acordo com uma nota publicada no Twitter, a Coalizão Nacional disse que mais de 650 pessoas foram mortas por causa de ataques militares com armas químicas. O governo do presidente Bashar Assad nega as acusações de uso de gás tóxico, ainda que tenha reconhecido a realização de operações militares nas redondezas de Damasco.

“As forças do regime (…) intensificaram as operações militares nas áreas de Ghouta Oriental e Ghouta Ocidental da região de Damasco com lançadores de foguetes e aeronaves, causando dezenas de mortos e feridos”, disse o Observatório Sírio para Direitos Humanos. O Comitê de Coordenação Local (LCC, na sigla em inglês), uma rede de ativistas, registrou centenas de vítimas por causa do “uso brutal de gás tóxico pelo regime criminoso em partes de Ghouta ocidental”.

O organização disse em um comunicado que, pelo menos, 668 pessoas foram mortas nas cidades de Ain Tarma e Zamalka, nos subúrbios da capital, e na cidade de Moadamiyah. Em vídeos colocados no YouTube, a Comissão da Revolução Geral Síria, outro grupo de ativistas, mostrou o que ela chamou de “um terrível massacre cometido por forças do regime com gás tóxico, deixando dezenas de mártires e feridos”.

O ataque “levou à asfixia de crianças e superlotação de hospitais, com centenas de mortos em meio à extrema escassez de suprimentos médicos para resgatar as vítimas”, disse o LCC, em uma declaração em inglês. Ghouta Oriental “também foi bombardeada por aviões de guerra após o ataque químico, que ainda está em curso, o que causou centenas de mortos e vítimas, incluindo famílias inteiras”, disse.

Um ativista identificado como Aram al-Doumani afirmou que o número de mortos já subiu para mais de 800. Segundo ele, o regime disparou vários mísseis balísticos equipados com o agente tóxico sarin contra áreas rebeldes nas primeiras horas de quarta-feira. A alegação do uso de armas químicas contra áreas densamente povoadas ocorreu no segundo dia de uma missão de inspetores da Organização das Nações Unidas na Síria.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, insistiu na segunda-feira que os inspetores tenham acesso irrestrito a locais onde armas químicas da Síria supostamente foram usadas no conflito. Os inspetores deverão visitar três locais, incluindo Khan al-Assal perto de Alepo, no norte do país. Eles devem ficar na Síria por 14 dias, com a possibilidade de uma prorrogação da missão.

As autoridades sírias negaram as acusações de que o Exército utilizou armas químicas em ataques contra áreas perto da capital na quarta-feira. “Os relatos sobre o uso de armas químicas em (subúrbios de) Ghouta são totalmente falsos”, disse a agência de notícias estatal SANA. O órgão classificou como “infundados” os relatos de ativistas da oposição, transmitidos pela Al-Jazeera, Sky e outros canais de notícias via satélite, “que estão envolvidos no derramamento de sangue sírio e apoiam o terrorismo”.

Nesta quarta-feira, a Liga Árabe e o líder do grupo de oposição Coalizão Nacional da Síria, Ahmed al-Jarba, pediram que a ONU aja imediatamente sobre os supostos ataques desta quarta-feira. “Peço que o Conselho de Segurança se reúna urgentemente”, disse Ahmed al-Jarba ao canal Al-Arabiya, definindo o incidente como um “massacre”.

Já o chefe da liga Árabe, Nabil al-Arabi, exigiu que os inspetores da ONU “se direcionem imediatamente para Ghouta Oriental para ver a realidade da situação e para investigar as circunstâncias deste crime”.

Fonte: Estadão

Imagem: Ilustração

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Marta Helena Carvalho
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