Mensalão: quem está sendo julgado para sociedade é o STF

Jayme Modesto

O que impede o Poder Judiciário brasileiro de desembainhar a espada da severidade da justiça para cumprir a função precípua da aplicação coativa das leis? Sem justiça, as leis não são aplicadas e deixam de existir na prática. Sem justiça, qualquer nação democrática capitula diante de ditadores, corruptos, bandidos, rebeldes, justiceiros, imorais e oportunistas. O Brasil precisa de uma justiça coativa, proba, célere, séria, confiável e comprometida com as questões nacionais, de direito e de ordem pública, integrada no Sistema de Justiça Criminal.

Nós estamos no fio da navalha. Se não houver a condenação dos mensaleiros, a Justiça brasileira vai ficar sob interrogação.

Diante do seu maior desafio – o processo do mensalão – desde que absolveu o ex-presidente Fernando Collor, há 13 anos, o Supremo Tribunal Federal (STF) tem oportunidade de resgatar parte da credibilidade do Judiciário e da própria corte.

 O histórico julgamento do processo 470, denominado de “Mensalão” o maior de todos já submetido à instância máxima da Justiça, pode abrir caminho para o STF se descolar de símbolos que frequentemente lhe são atribuídos, como o da impunidade e o da indulgência. O STF nunca condenou seus réus, detentores do foro privilegiado porque ocupantes de cargos públicos. Impunidade que desmoraliza e enfraquece as instituições e abala a democracia. 

O Poder Judiciário brasileiro, foi alvo de uma ampla pesquisa feita pelo IPEA, em 2010, e dela obteve a baixa nota 4,55. Com isso, está dado o recado: o Poder Judiciário precisa ofertar ao povo brasileiro um novo formato de justiça, e que a prestação dela se dê de forma correta, eficiente e no tempo certo.

Faz-se necessária a urgente reforma política ampla, que abranja todos os poderes do Estado e que cada poder atue de modo a garantir o bem estar dos cidadãos e o compromisso com a construção de uma sociedade menos desigual e mais garantidora da dignidade humana.

No caso específico do mensalão, a missão do Supremo Tribunal Federal é fazer justiça. Isso é o que o povo brasileiro espera. Não queremos vingança, queremos que os mensaleiros sejam imparcialmente julgados e os culpados responsabilizados pelos atos danosos causados ao país. Não sei o que pensa cada um dos ministros responsáveis por esse julgamento. Sei que, baseados nos fatos e nas provas existentes, os brasileiros e grande parte da opinião pública mundial já têm o seu veredicto. Resta ao STF decretar o seu. O peso dessa responsabilidade será marcado para sempre na história brasileira.

Queremos crer que o mais importante a se esperar do julgamento do mensalão no STF não é saber quem será o vitorioso e quem será o derrotado neste episódio. O que importa saber é se a nação brasileira terá benefícios para o seu futuro. A nós cabe exigir o combate implacável da impunidade. A esperança do povo brasileiro é de que o Supremo Tribunal Federal resgate novamente a possibilidade das pessoas acreditarem nas instituições do nosso país.

Qualquer que seja o resultado do julgamento, já houve maculação na imagem do PT, e de seu líder maior, o ex-presidente Lula, principalmente após a publicação de uma extensa matéria na revista Veja, onde um dos principais envolvidos, Marcos Valério que ao contrário do que dizia Lula de não saber de nada, agora se configura como o chefe da quadrilha. Com isso o estrago ético, político e moral no PT já foi feito.

 Ainda é muito cedo para se fazer qualquer tipo de avaliação, mas pelo andar da carruagem tudo indica que os 38 petistas serão condenados. Há uma tendência no supremo mais para condenar do que para absolver, e ai nos faz lembrar o conto, “Ali Babá e os 40 ladrões”. 

 

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Mensalão

No artigo, a Jornalista demonstra como ninguém, entre os governistas e os implicados na ação penal 470, acreditava num julgamento das proporções do que ora se realiza, principalmente pelo fato de que a grande maioria dos ministros do STF teve a chancela dos petistas. O STF recupera, aos olhos da Nação, a crença na Justiça e abala os alicerces da impunidade programada pela quadrilha semelhante a de Ali Babá e os 40 ladrões.

 


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