O Brasil está se tornando um país do “faz-de-conta”

O título acima não é meu, já foi estampado em inúmeras manchetes,

mas o que vêm acontecendo nos nossos dias o torna muito, e cada vez mais, atual.

 

Por Jayme Modesto

Infelizmente, estamos vivenciando uma fase muito estranha em nosso país, em que se tornou lugar comum falar das mazelas, descalabros e escândalos, envolvendo agentes públicos, gerando na população composta, na maioria por gente honesta, ordeira e trabalhadora, um misto de revolta, indignação e até mesmo repugnância, diante de tantas desfaçatezes.

São tantas e tão deslavadas as mentiras, tão ingênuas as justificativas, tão grande a falta de escrúpulos e vergonha que já não se pode cogitar somente de uma crise de valores, senão de uma crise moral e ética que parece dividir o Brasil em dois países, o da corrupção, seduzido pelo projeto de alcançar o poder a todo custo e permanente, e o da grande massa comandada que, apesar do mau exemplo, esforça-se para sobreviver e progredir honestamente.

Todos os dias, nos deparamos com escândalos, um sobre pondo ao outro, com manchetes na mídia. Tornou-se comum notícia de indiciamento de autoridades dos diversos escalões, não só por um crime, mas por vários, incluindo o de formação de quadrilha, assassinato, tráfico de drogas e tantos outros a exemplo do mensalão envolvendo o partido que detém o poder no país.

A rotina de desfaçatez e indignidade parece não ter fim nem limites, levando os já conformados cidadãos brasileiros honestos, a uma apatia e conformismo cada vez maior, como se tudo fosse natural e que é assim que deve ser.

A repulsa dos que sabem o valor do trabalho árduo, dos altos impostos, se transformou em indiferença e conformismo. E seguimos como se nada estivesse acontecendo.

Perplexos, percebemos, que os governantes constroem um discurso fantasioso, que na simples comparação entre o oficial e o que realmente realizam, podemos afirmar que o Brasil se tornou um país do faz-de-conta.

Faz de conta que temos uma boa educação. Faz de conta que temos segurança. Faz de conta que existe um efetivo combate a violência. Os mais de quarenta mil assassinatos anuais dispensam maiores comentários sobre a segurança pública no Brasil. Faz de conta que a saúde está uma maravilha e que tudo funciona bem. Faz de conta que a dengue não se tornou uma epidemia com 320% de aumento em 2013, e mais de 750 mil registro. Faz de conta que temos estrutura logística para escoamento da produção agrícola, que os portos, ferrovias e estradas estão dentro da capacidade da demanda e tudo funcionando bem.

Faz de conta que não se praticou o maior dos escândalos do país, e que os culpados nada sabiam, o que lhes daria uma carta de alforria para continuar agindo como se nada de ruim tivesse feito. Faz de conta que não foram usadas as mais descaradas falcatruas para desviar milhões de reais, num prejuízo irreversível em um país de tantas carências e misérias.

Faz de conta que tais tipos de abusos não continuam se praticando à plena luz, num desafio e afronte à lei, que é permissiva e condescendente.

Faz de conta que todos os mensaleiros foram exemplarmente punidos e devolveram o que roubaram do erário.

Este tipo de conduta vem preocupando todos nós, já que os que dominam são formados basicamente de analfabetos políticos, por outro lado se vê a inercia da justiça e comodismo do nosso povo, uma crise que traduz o grau elevado de corrupção e principalmente a dos valores éticos e morais, sem a qual nenhuma outra subsiste.

É exatamente esta crença na impunidade que fomenta o ímpeto transgressor. Só vamos verdadeiramente ser uma nação, quando tivermos educação e conseguirmos estripar de uma vez a corrupção.

A política no Brasil está se transformando em um negócio de alta lucratividade, até porque, os políticos fazem de conta que governam, mas na verdade, apenas fazem política.

 


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