Consumo de combustível vem caindo há 5 meses na capital baiana

Postos da cidade tentam atrair clientes

Para encher o tanque de gasolina do seu pálio 2007, a professora Noélia Alves, 52, teria que gastar atualmente, R$ 155, levando-se em conta que o veículo tem um tanque de 47 litros e o preço da gasolina a R$ 3,50. Essa quantidade de combustível é o que ela gasta normalmente para trafega durante uma semana em Salvador.

– “Está sobrando gasolina!”, diz o presidente da entidade, José Augusto Costa, que atribui o fato ao aprofundamento da crise econômica que afeta todos os setores da economia. Somente no mês de junho, conforme o último boletim do Sindicombustível na Bahia, a queda foi de 5,2%, o que significou 55, 3 milhões de litros de combustíveis comercializados a menos em comparação com o mês de junho do ano passado.

Na Bahia, conforme os dados do Sindicato dos proprietários de postos de combustíveis (Sindicombustíveis), o consumo de álcool, gasolina e diesel vem sofrendo sucessivas quedas desde fevereiro. E nem mesmo as promoções pontuais de alguns postos de abastecimento, comercializando o produto mais báratro, tem feito com que essa tendência seja revertida.

No acumulado de seis meses, a Bahia comercializou 3.703.297 bilhões de litros de combustíveis. No mesmo período de 2014 esse volume foi de 3.907.518 bilhões, ou 271.821 milhões de litros a menos comercializados no Estado. Na Bahia, até o último dia 15, o preço médio da gasolina era de  R$ 3,49 o litro, o que colocava o Estado na oitava posição da gasolina mais carta no Brasil.

Menos carros
O presidente do Sindicombustívei, José Augusto Costa, explica que mesmo com as promoções,  a procura por abastecimento tem diminuído. Com perspectivas de vir a aumentar essa queda nos próximos meses, com o agravamento da crise econômica. “ Desde 2011 o Brasil importava gasolina, por causa do elevado consumo. Hoje estamos exportando porque está sobrando produto no mercado”, disse.

Em junho, conforme os dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o consumo de derivados de petróleo como um todo no país caiu 5,4%. Tradicional exportador de gasolina, o Brasil voltou a importar o combustível em grandes quantidades a partir de 2011, diante do crescimento acelerado da frota de veículos.  Desde o ano passado, contudo segundo dados da Secretareia de Comércio Exterior (Secex) e da ANP,  essa situação  mudou.

Em junho, as vendas externas somaram US$ 27,2 milhões. Em volume, as vendas quadruplicaram com relação ao mesmo período do ano anterior.A queda nas vendas de derivados de petróleo nos postos, na opinião do presidente do Sindicombustível na Bahia, reflete essa situação de crise. “Nossa produção não sofreu queda, mas com o poder aquisitivo menor, o consumo vem caindo”, disse.

Janeiro foi o último mês em que se registrou alta no consumo de combustíveis na Bahia, com 1,6%. Em fevereiro, tradicional mês de férias contudo, a queda no consumo foi de 3,7%, passando para 2,7% em março,passou para 4,8%, e em maio se registrou a maior queda, 6,2%,. Em junho essa queda foi de 5,2%. De janeiro a dezembro de 2014 o consumo de combustível na Bahia foi de 8.084.199 bilhões de litros. De janeiro a junho deste ano, ele foi de 3.803.297 bilhões de litros.

Postos da cidade tentam atrair clientes

O posto de combustível na entrada do bairro de Pau da Lima é um dos que vendem a gasolina mais barata em Salvador. Ali o produto ainda é encontrado a R$ 3,499, contra um preço médio praticado na cidade de R$ 3,557. Vende o produto á vista mas também aceita todos os cartões de crédito, o que tem facilitado a vida de muitos clientes.

Contudo, a pouco mais de dois quilômetros dali, na Via Regional, próximo à entrada do Barradão, outro posto , para compensar o fato de que só vende o produto à vista, sem o uso de quaisquer cartões de crédito,vende a gasolina a R$ 3,449, o que gera uma economia de R$ 0,05 por litro para o consumidor. Não é uma “guerra”, como bem definiu o presidente do Sindicombustível na Bahia, mas estratégias que alguns empresários adotam na tentativa de fazer volume de caixa.

Álcool por gasolina
Outro fato que chama a atenção do Sindicombustível na Bahia, é que o consumo de álcool tem tido uma procura relativa maior que a gasolina, em virtude  do menor preço,  que chega, em alguns casos, a ter uma diferença de até 30% em relação ao preço do litro da gasolina.

Enquanto a queda no consumo de gasolina vem ocorrendo em todo o país, e segundo a ANP, essa retração no consumo vem se intensificando desde fevereiro, quando as vendas registraram queda de 0,7%. É a primeira vez desde 2009 que a demanda pelo combustível cai. Por outro lado, as vendas de etanol hidratado crescem a taxas cada vez maiores: em 2014, o aumento foi de 10,54%; no acumulado deste ano, mais do triplicou, para 34,9%.

– “É uma vantagem ilusória, pois somente se essa diferença do álcool em relação à gasolina for superior a 30% é que se torna vantajosa”, diz José Augusto Costa. “Estou usando o álcool com mais freqüência”, resume o motorista Adernivaldo Conceição, que mesmo assim se restringe a uma média de R$ 50,00 por semana, o que lhe dá em média 19 litros de combustível. Com o mesmo valor em gasolina, ele teria direito a 14 litros.

Fonte: Tribuna da Bahia


Compartilhe:

Comentários: