Mato Grosso registra o maior número de queimadas do Brasil

Não chove no estado há 42 dias.
No interior de São Paulo, população também sofre com queimadas.

Mato Grosso é o estado brasileiro com o maior número de queimadas no país: mais de nove mil incêndios desde o início do ano. Em um mês, os bombeiros atenderam 338 chamadas só na Região Metropolitana de Cuiabá. A consequência disso na qualidade do ar não é nada boa e, para piorar, não chove há 42 dias na região.

A cidade de Cuiabá quase desapareceu na manhã desta terça-feira (18) e não era neblina, era fumaça mesmo, resultado da combinação entre temperatura alta, umidade baixa e fogo para todos os lados.

“Essa fumaça é muito gás tóxico, muita poluição articulada, a fuligem e isso, de maneira geral, vai refletir na saúde da população”, explica José Pedro Zanetti, da Defesa Civil.

Com o clima assim, a boca fica seca, a garganta arranha, os olhos ardem e a respiração fica prejudicada. “Cheguei aqui esses dias e tava com a garganta fechada, sem fôlego, sem ar e tossindo bastante”, relata a auxiliar de cozinha Benedita Siqueira.

A umidade do ar nessa região do país está muito baixa. Em Cuiabá, a média tem sido de 16%. O recomendável pela Organização Mundial de Saúde é de 60%.

Por causa do tempo seco, a Secretaria Estadual de Educação orientou as escolas a mudarem suas rotinas. No recreio, agora os pátios ficam vazios, ninguém nos campos de futebol ou quadras de esporte. No intervalo das aulas, as crianças ficam dentro das salas com atividades alternativas. “Quando você faz atividade física, você tá levando mais sujeira para o seu corpo através do ar que você respira pelos pulmões”, explica a pneumologista Ayrtes Pivetta.

São Paulo também sofre com a seca
No interior de São Paulo, o hábito de usar fogo para limpar os terrenos baldios se torna um perigo com esse tempo seco. Em Bauru, são tantos focos de incêndios urbanos que os bombeiros não estão dando conta.

Com o vento forte, em poucos minutos, um terreno dentro da cidade é consumido pelas chamas. Em uma semana, foram registrados quase 300 focos de queimadas só em Bauru, a maioria em terrenos baldios.

Em dias muito ensolarados e com o tempo muito seco, os bombeiros chegam a combater 40 focos de incêndio, principalmente entre 12h e 15h. O problema é que são tantas ocorrências que eles não conseguem dar conta de tudo.

“A cultura deles é colocar fogo no mato para limpar o terreno e sobrecarrega muito a gente neste sentido”, diz o sargento Daniel Batista, do Corpo de Bombeiros.

No pronto-socorro, o movimento já aumentou 30%. O aposentado Marcílio José da Silva, de 72 anos, que tem asma, precisou mudar a rotina. Agora, passa o dia todo de máscara dentro de casa. Não tira nem para beber água: “É impossível respirar. Tem dia, que na rua, parece que tem neblina, mas não é neblina, é fumaça”.

Fonte: G1 / Jornal Hoje


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