Arival Viana aponta falta de apoio do governo federal aos municípios

O Prefeito critica aumento das obrigações municipais sem aumento de repasses federais

ENTREVISTA

Jayme Modesto

 

#Arival Viana

No exercício do seu quinto mandato, Arival tornou-se um símbolo da administração municipal no Oeste da Bahia, um prefeito enérgico, inovador, incorruptível, sempre foi reeleito ou elegeu seu sucessor, devido as grandes e pequenas obras realizadas no município, principalmente de infraestrutura. Em toda a extensão do município tem a sua marca registrada com, construções de escolas, estádio, praças, pavimentação asfáltica, trabalhou para aquisição de uma frota, maquinários, obras que ficarão para sempre na memória da população buritiramense.

Arival, municipalista convicto é conhecido por ser um o homem sério, humilde, honesto e rigoroso, sabe como ninguém mandar e comandar, e diz não ter medo de “cara feia”, nem de comentários maldosos e acusação de adversários. Sempre lutou pelos ideais de seus munícipes, tendo sido um dos mais criativos e arrojados prefeitos da história do município.

Apesar da situação financeira, no contexto nacional ter se complicado nos últimos anos, repercutindo diretamente nos municípios, com a escassez dos recursos do governo federal, Arival com sabedoria e competência não deixou de trabalhar, no entanto, em média 90% das obras realizadas em Buritirama, foram com recursos próprios do município.

Em entrevista exclusiva ao Jornal Gazeta do Oeste, no último dia 26, em Barreiras, o prefeito Arival Marques Viana criticou a postura do governo federal e falou das dificuldades que os municípios vêm enfrentando. Um orçamento com repasses federais mais restritos, porém, com obrigações cada vez maiores. Essa foi a principal queixa do prefeito.

Jornal Gazeta do Oeste: como o senhor avalia o governo da atual presidente Dilma Rousseff? Quais foram os maiores feitos?

Eu avalio com muita tristeza e muita decepção. Eu diria até que estou muito a vontade para fazer esta avaliação, primeiro, porque ainda tenho uma boa dose de senso crítico e como eu não apoiei esse governo em nível estadual e também federal, pode parecer que seja implicância, mais não é. A cada dia que passa, vejo que eu estava certo em não ter apoiado, e muitos que apoiaram se arrependeram e não demorou muito. Não era isso que eu queria para o país, para o estado e para o nosso município. Fico profundamente decepcionado, descrente, pelo fato de nós prefeitos pagarmos o pato, pois a população acaba colocando a gente no mesmo saco, nos intitulando de político que não presta – corrupto, quando na verdade ainda temos muitos políticos bons. Administro um município que vai fazer 30 anos de emancipação e eu fui o primeiro prefeito, foram sete vitórias, dessas, cinco minhas e duas dos que foram indicados por mim. Está cada vez mais difícil ser político, porque a canalhice é tão próspera que me desanima, estou desalentado.

JGO: O senhor pretende continuar ou desistir da política?

As vezes eu me pergunto se não já deu a minha cota, a minha contribuição, não por me sentir ultrapassado, até porque eu me esforço muito para acompanhar a evolução do tempo. Não é fácil! Quando eu sinalizo no meu município que quero sair e não quero reeleição, eu sinto que a população deseja que eu ainda permaneça, e apesar do desânimo com o país, essa demonstração de carinho do povo, me faz sentir melhor. Vamos esperar.

JGO: O senhor acredita a atribuição de mais responsabilidades para os municípios ser uma “estratégia do governo federal” para direcionar as cobranças da população aos prefeitos?

Manda a conta e não manda o dinheiro para pagar. O governo cria os programas e joga no colo do município. Antigamente não tinha o SAMU, não tinha agente comunitário de saúde, CRAS, esses projetos são importantes, mas o governo jogou para o prefeito e não transfere o recurso correspondente, e o gestor fica engessado. Um exemplo é a Lei de Responsabilidade Fiscal, quando aprovada há 14 anos ficou determinado que o prefeito só poderia gastar 54% com o funcionário, só que os anos se passaram e naquela época não tínhamos todos esses programas que nos obrigaram a contratar colaboradores, e os mesmos 54% continuam. E os municípios sofrem hoje um absurdo com o descaso do governo federal, com a roubalheira. E pelo fato de nós prefeitos e vereadores ficarmos mais próximos do povo, a cobrança cai toda em nossas costas, o cidadão comum não tem acesso ao governador, ao deputado, ao senador e muito menos a presidente. Isso nos faz sentir impotente. O pacto federativo é cruel com os municípios. Há uma concentração exagerada de receita no governo central em Brasília e, ele devolve uma migalha para os municípios, aí entra a colocação política: para conseguir um extra, você tem que estar alinhado, conivente e dizer amém. Isso eu não compartilho.

JGO: Hoje muitos estão definindo a política econômica de Dilma como um fracasso. Qual a sua opinião?

Os resultados são óbvios! Está no seu bolso. Juros, inflação, desemprego, e a tendência é piorar. Estou preocupado com o rumo que esse país está tomando, estou com medo de daqui a três, quatro anos, nos tornarmos uma Bolívia. Tributos em tudo. Se você toma uma cerveja, o governo arrecada 70% daquele produto e o governo devolve cada vez menos para o município, cria imposto em cima de imposto e o município não participa de nada. Uma reforma tributária é fundamental, bem como uma reforma política. Há anos que se falam nessa reforma e ela nunca aconteceu. Se não fizer, iremos caminhar para uma falência total dos municípios, a corrupção é alimentada pelos acordos políticos, porque se tem dinheiro compra o mandato e para isso, você se alia a Petrobrás e aos esquemas, e aí esse rolo compressor, porque a corrupção é da alma. ●


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