“Casa do Gerente” irá se tornar Museu do Aeroporto

Texto: Cheilla Gobi

Fotos: Arquivo Ignez Pitta

A única construção do conjunto original do Aeroporto, erguido pelos norte-americanos no início da década de 40 do século passado, conhecida como, “Casa do Gerente,” irá se tornar Museu do Aeroporto. A princípio estava autorizada a demolição, ordem esta, expedida pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária – Infraero, com autorização do Comando da Aeronáutica.

A ordem de demolição provocou a reação de um grupo de moradores da cidade de Barreiras, região Oeste da Bahia, que de imediato conseguiu com muita adesão mais de 150 assinaturas que foram encaminhadas ao Ministério Publico Federal – MPF, que no dia 08 de março recomendou que a Infraero suspendesse o procedimento licitatório para contratação de empresa para a demolição da última casa original da construção do aeroporto de Barreiras. O imóvel faz parte do acervo histórico-cultural brasileiro e deve ser preservado para que presentes e futuras gerações façam uso dele como parte do meio ambiente cultural.

No dia 17 de abril a historiadora Ignez Pitta foi procurada pelos sócios da empresa, São Francisco Aeroportuária e Rodoviária, atual responsável pela administração do aeroporto, Marcus Augusto Guedes, Francisco Neto de Borges Reis e Fábio de Souza, que segundo a historiadora estão interessados em reformar a referida casa e convertê-la no museu. “Esta empresa entendeu a importância da preservação deste imóvel que tem valor histórico para nosso município. Os sócios falaram diretamente com a direção da Infraero. Sonho que parecia tão distante, de repente, chega as nossas mãos”, afirmou.

Ainda não tem previsão para início da reforma. De acordo com Ignez, os sócios solicitaram materiais e que se entusiasmaram com as imagens vistas. (Arquivo da historiadora). “A nossa expectativa é que consigamos o maior número possível de peças, documentos, imagens para a consolidação deste museu, onde o estudante entre e compreenda que uma cidade como Barreiras no interior do Brasil foi tão importante no painel aeroviário do Brasil e do mundo”, assegurou a historiadora.

No momento da entrevista, Ivone Ângelo por via telefone se prontificou em ajudar. Ela é sobrinha de Antônio Geraldo Ângelo da Silva, conhecido por Gerô que segundo Ignez dispõe de acervo privado de caráter histórico sobre o aeroporto de Barreiras.

História da “Casa do Gerente”

A construção erguida em 1940 era utilizada como residência do gerente da base aérea, servindo como base militar das autoridades norte-americanas, durante a Segunda Guerra Mundial, e como ponto de apoio para reabastecimento dos aviões que faziam a rota Miami/Rio de Janeiro/Buenos Aires. No local onde o imóvel foi construído havia uma vila de funcionários do aeroporto, um terminal de passageiros e diversos prédios onde funcionavam o grupo gerador de eletricidade e outros serviços. A casa junto ao Aeroporto de Barreiras é o único marco histórico da construção original de um dos primeiros aeroportos do interior do Brasil a ser estação internacional.

De acordo com Ignez Pitta, a construção e o funcionamento do aeroporto de Barreiras a partir de 1937 foi um dos capítulos mais importantes da história de Barreiras. Lembrou ainda da barreirense Julieta Vieira de Melo, irmã de Tarcísio Vieira de Melo, esposa do primeiro gerente do aeroporto que morou nesta casa, sugerindo ainda a presença da ilustre personalidade na inauguração do futuro museu.

 


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