Caminhada pede paz em Barreiras

Texto e fotos: Cheilla Gobi – cheilla@jornalgazetadooeste.com.br

A onda de manifestações que tomou conta do país ainda continua ganhando novos capítulos. E, em Barreiras, várias pessoas se reuniram no final da tarde desta quinta-feira (03), para protestarem por mais justiça e paz no município. A V Caminhada pela Segurança e Paz de Barreiras, organizada pela Comissão Voluntária Pela Segurança e Paz, composta por mais de 40 entidades públicas e privadas preocupadas, reuniu em média mil manifestantes de diversos segmentos da comunidade local para cobrar mais celeridade por parte do governo do estado na solução de problemas relacionados à insegurança crescente da população.

Parentes e amigos de vítimas da criminalidade vestiram branco, apresentaram cartazes com fotos e frases pedindo paz e mais ações dos governantes. A concentração foi em frente à câmara de vereadores e seguiram até a Praça Castro Alves.

Entre os manifestantes, estava Bethania, mãe da jovem Lisbete Cerqueira da Silva, assassinada há dez anos em Barreiras e o crime ainda continua sem solução. No dia 29 de agosto de 2003, a estudante Lisbete, 22 anos, foi ao colégio, onde estudava à noite, e nunca mais voltou para casa. Ela teria sido morta no dia seguinte, na serra do aeroporto, espancada, estuprada e asfixiada. A jovem teve três costelas fraturadas, que chegaram a atingir órgãos internos, como o fígado e o pulmão, além do rosto, braços, tórax, pernas e pescoço queimados por ácido. O laudo apontou morte por estrangulamento, mas as investigações não avançaram.

“A cada ano temos mais casos de violência e ninguém toma uma atitude. Eu perdi minha filha com 22 anos, linda, jovem cheia de planos e dez anos se passaram e ninguém fez nada, até hoje não sei quem roubou a vida da minha filha. Eu sofro todos os dias com saudades de Lisbete, igualmente inúmeras mães que estão aqui hoje. Governantes, juízes, promotores pelo amor de Deus, abram os olhos e vejam o nosso sofrimento, socorro!, suplicou Bethânia.

De acordo com o representante da Comissão da Paz, Paulo Baquerio, são inúmeras as necessidades da população de Barreiras e região.  “Caminhamos pela implantação das UPPs da Santa Luzia e na Vila Rica, caminhamos pelos defensores públicos prometidos há mais de uma década para a cidade, caminhamos pela morosidade da justiça no oeste da Bahia, em favor do grito de indignação da OAB de Barreiras, pela nomeação de juízes e promotores para as vagas em aberto em nossa comarca, caminhamos por melhores condições para a polícia, caminhamos para que as cadeias públicas sejam ampliadas e humanizadas em todos os municípios do nosso território, caminhamos para que o presídio regional de Barreiras seja construído”.

A manifestação foi encerrada com oração ecumênica.


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