Consumo consciente de água leva baiano a pagar uma das tarifas mais baixas do país

O consumidor residencial que utiliza até 10 mil litros de água por mês paga apenas R$ 7,90, se for inscrito no bolsa família e na tarifa social; R$ 15,60 se habitar imóvel com número limitado de pontos de consumo de água, e R$ 17,65, se estiver enquadrado na tarifa normal ou veraneio. Esses valores estão entre os mais baixos aplicados no Brasil para remunerar a prestação do serviço de abastecimento de água potável canalizada.

Comparada com as tarifas normais mínimas cobradas pelas 21 principais empresas estaduais de saneamento do país, a tarifa residencial normal ou veraneio da Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa) é a 5ª mais barata. Em estados como o Rio Grande do Norte, o consumidor paga R$ 25,24 por 10 mil litros de água por mês, em Alagoas R$ 22,60, na Paraíba R$ 22,54, em Sergipe R$ 19,94, no Piauí R$ 19,60, em Pernambuco R$ 26,23, no Rio Grande do Sul R$ 53,17 e, no Rio de Janeiro, ele paga R$ 34,83 por 15 mil litros de água por mês. A água começa a ficar cara quando o consumo ultrapassa a faixa dos 10 mil litros.

Isso ocorre em todo o país para estimular o consumo racional de água e coibir o desperdício. Na tabela progressiva, como é conhecida a forma de aumentar o preço cobrado pelo consumo de água à medida que o volume utilizado aumenta, cada mil litros (1m³) consumidos acima da faixa inicial de 10 mil litros é tarifado de acordo com faixas de consumo. Na primeira faixa acima da faixa inicial, o valor de mil litros de água é o mesmo entre 11m³ e 15m³. Na faixa subsequente, que vai de 16m³ a 20m³, este valor aumenta e, assim, sucessivamente.

De acordo com análise técnica sobre os subsídios aplicados na tarifa mínima residencial da Embasa em relação à tarifa média da empresa, entre junho de 2011 e maio de 2012, a tarifa mínima social ficou com 69% de subsídio, a tarifa mínima intermediária com 40,5% e a mínima normal ou veraneio com 32,5%. Na prática, isso significa que, na faixa mínima de consumo, o consumidor não remunera o custo total de produção da água. Nas faixas subsequentes o percentual de subsídio vai diminuindo gradativamente.

Para a gerente do Departamento de Relação com o Clientes e Mercado da Embasa, Thalita Vieira, economizar água é a melhor forma de usufruir do serviço público de abastecimento sem impactar o orçamento doméstico mensal. “Normalmente o usuário não tem ideia do quanto um vaso sanitário, uma pia ou um chuveiro gotejando impactam no consumo final. Muitos nem chegam a considerar isso como vazamento. Mas esses são os nossos grandes ‘vilões’ e precisam ser corrigidos o mais rápido possível. Caso não tenha uma resolução imediata é importante fechar o registro para evitar o desperdício”.

Consumo na Bahia

Em outubro deste ano, nos 361 municípios atendidos pela Embasa, 69% dos imóveis residenciais atendidos com distribuição de água tratada e canalizada ficaram dentro da faixa inicial de consumo. O comportamento do consumo residencial de água na região metropolitana de Salvador comparado a este tipo de consumo no interior da Bahia, evidencia hábitos pouco econômicos por parte dos habitantes da capital e de municípios vizinhos, pois 59% estão na faixa inicial de consumo, enquanto 74% dos imóveis da região norte e 72% da região sul ficam nesta faixa.

De acordo com o superintendente comercial da Embasa, Márcio Lessa, a maior parte do interior da Bahia está situada no semiárido, que, desde o ano passado, passa por uma das mais rigorosas estiagens dos últimos 40 anos. “A convivência com longos períodos de seca que caracterizam o clima desta região, leva as pessoas a adotarem formas mais racionais de consumir água, pois o desperdício é impensável quando não há chuvas e, portanto, não há água disponível em abundância na natureza”, conclui Lessa.

Tarifas de água vigentes a partir de 1º de maio de 2012, de acordo com a Resolução da Comissão de Regulação dos Serviços Públicos de Saneamento Básico do Estado da Bahia (Coresab) 002/2012, de 31/3/12


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