Imparcialidade, comercialização e ética no jornalismo

Rogerio Christofolette

eticaA ética deve atuar como princípio básico em toda a formação do jornalista. Mas, como ser um jornalista ético? Como saber que estamos, ou não, sendo éticos? De que forma devemos abordar nossas fontes? Quando devemos revelar nossas fontes? Estas são questões que perseguem os jornalistas há muito tempo. E como se faz isso na prática? Em primeiro lugar, jornalistas devem defender o direito da sociedade à informação.

O jornalismo moderno é um dos principais fatores para que a qualidade do que é escrito caia. A pressão do dead-line provoca uma enxurrada de matérias sem fundamento e sem investigação. O que provoca uma cadeia de matérias sensacionalistas que, muitas vezes, não possuem continuidade nem credibilidade. Sabemos que o jornal, como qualquer outra empresa visa lucro, não existe para perder dinheiro ou ser instituição de caridade.

Na verdade, ganhar dinheiro com a informação não é um delito. É um dever ético. O lucro decorrente da credibilidade, da qualidade do produto. E a qualidade é a primeira exigência da ética. Obviamente não devemos defender uma ética utilitária. Ela tem um valor em si e deve ser praticada independentemente do lucro. No entanto, ética e lucro, nos meios de comunicação não devem ser realidades antagônicas.

O jornalista deve, em primeiro lugar, saber que está prestando um serviço à sociedade, e, deve entender que, se possui um fato de relevância, deve divulgar. A ética jornalística é um canal de irrigação. A paixão pela verdade, o respeito à dignidade humana, a luta contra o sensacionalismo, a defesa dos valores éticos representam uma atitude eminentemente afirmativa. A ética não é um freio no crescimento das empresas informativas. Muito pelo contrário, ajudam a empresa a se firmar no mercado.

Suas balizas, corretamente entendidas, são a mola propulsora das verdadeiras mudanças. Uma empresa jornalística ética deve primar pelos seus bons e reconhecidos textos. Muitas empresas jornalísticas se mantêm apenas através de matérias sensacionalistas, pois, visam apenas o lucro. O papel dos  jornalistas é tentar acabar com esse tipo de prática jornalística, buscando veicular matérias que denunciem este tipo de prática. Isso virou uma forma de forçar o atingido a pagar caro para que o assunto seja abafado.

O mesmo vem ocorrendo com os sites e blogs, que precisam se adequar aos princípios básicos do jornalismo ético, verdadeiro e, principalmente que dê credibilidade ao leitor com suas informações.

Esses nossos meios de comunicação vem ganhando um espaço muito grande, visto que conseguem dar a informação online, com isso é necessária à profissionalização, visto que a banalização pode trazer o descrédito da classe, hoje, denominada de “blogueiros”.

São espaços que também geram lucros, haja vista que seus espaços também podem ser comercializados, tanto até maior visibilidade que o jornal escrito e o rádio, não superando ainda a TV.

A maioria dos blogueiros, hoje, escolhe seguir mais na área política, porém, os leitores também gostam de outros assuntos que são do interesse de todos, como economia, educação, saúde, segurança, políticas públicas, concursos e até entretenimentos.

Diante desse contexto, nos deparamos com a necessidade de revisitar as normas fundadoras da ocupação em um sentido crítico, repensando valores e as razões para preserva-los, reavaliando o papel do jornalista na sociedade e a sua relevância. Períodos de transição de uma forma geral e as transições contemporâneas em especifico, não tornam a ética menos importante para os jornalistas. O compromisso com uma prática eticamente exigente é mais importante do que nunca em um tempo onde estamos imersos em informações de todos os tipos e de todos os níveis de qualidade.

Portanto, os meios de comunicação são empreendimentos e que precisam de parceiros, como disse acima, isso não é imoral, pois todos nós trabalhamos para sobrevivermos e seria uma hipocrisia minha achar que exista a imparcialidade no jornalismo, haja vista que é da natureza humana sempre escolher um lado.

O que não se pode conceber são as criações de factoides e invasão na vida privada de quem quer que seja para agradar seus agenciadores, a não ser nos casos que o ato de sua vida privada tenha relação direta com a coisa pública.

O questionamento crítico é louvável no jornalismo, desde que tenha fundamentação e consistência técnica científica na dissertação da matéria, pois vemos muitas críticas e questionamentos embasados puramente no senso comum, coisa que desqualifica o jornalismo.

 


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