Investimentos públicos não acompanham o avanço da criminalidade

Texto e foto: Cheilla Gobi

A Bahia está entre os estados que mais au­mentou a incidência da violência na década. Con­forme o Mapa da Violência 2013, 36.792 pessoas foram assassinadas a tiros em 2010 no país. Entre os estados que apresentam as mais altas taxas de homicídios estão: Alagoas com 55,3, Espírito Santo 39,4, Pará 34,6, Bahia 34,4 e Paraíba 32,8.

Os números revelam que a violência cresceu de forma assustadora nos Estados, mas os dados não apontam, por exemplo, as dificuldades encontradas por policiais ci­vis e militares no combate à criminalidade e que os inves­timentos públicos no setor não acompanharam o avanço de quadrilhas e grupos res­ponsáveis pelo domínio do tráfico de drogas.

No município de Barrei­ras, região Oeste da Bahia, a violência também vem to­mando proporções, e as difi­culdades encontradas pelos policiais são inúmeras. Só em 2013, o número de homi­cídios é igual ou superior a 25, sendo a maioria deles por envolvimento com o tráfico de drogas, outros por motivo fútil, alguns praticados até mesmo por menores.

De acordo com o dele­gado titular, Joaquim Rodri­gues, a principal dificuldade é a falta de estrutura, prin­cipalmente de delegacias especializadas. No final de abril a delegada Marineide Pires assumiu a delegacia de homicídios, mas até então era somente a primeira de­legacia para cuidar de todas as modalidades de crimes, exceto da Lei Maria da Pe­nha que durante expediente é feito pela Delegacia Espe­cial de atendimento à Mulher – DEAM, mas fora do expe­diente ainda continua sendo feito pela primeira delegacia. “Barreiras já suportaria mais delegacias distrital, delega­cia especializada de combate a furtos e roubos, outra de entorpecentes, isso seria o mínimo”, afirmou o delegado destacando ainda carência no efetivo e veículos para in­vestigação e ainda viaturas.

Mesmo com a estrutura defasada, o delegado asse­gura que o trabalho da polí­cia vem sendo realizado de forma cautelosa e que os de­legados estão empenhados na investida contra os homi­cidas e quadrilhas de ladrões que estão atuando.

A onda de assassinatos, assaltos, arrombamentos é o que mais assusta a popu­lação. “Apesar de termos um comércio forte, uma região rica, não registramos crimes mais graves como sequestro, latrocínio, e mesmo com a estrutura que o estado ofe­rece, Barreiras está sob con­trole”, garantiu.

O sistema penitenciário brasileiro tem se deteriora­do com o passar dos anos, e nos últimos tempos chegou a um número insustentável com um número de presos muito maior que o de vagas, não existe no país, nenhu­ma penitenciária, cadeia pública, centro de detenção provisória e distritos ou dele­gacias, que tenha o número de preso menor do que o de vagas, ou igual ao número. Os dados também mostram que o sistema não consegue atingir seu principal objetivo que é o de recuperar e reinte­grar o detento a sociedades: 80% dos que saem da cadeia voltam a cometer crimes, e retornam a prisão. “O siste­ma penitenciário brasileiro é falido, isso não resta dúvida”, disse Joaquim.

 

Cadeia Pública: “Escola de bandidos”

Em Barreiras se falam em um presídio há muito tempo, enquanto ele não chega, a cadeia pública que suporta apenas 30 detentos no máxi­mo, abriga um amontoado de presos, o número já chegou a 200. “Na realidade temos uma escola de bandidos”, afirmou o delegado, exem­plificando um caso de este­lionatário, sem passagens pela polícia e que após sete meses na prisão foi liberado e passou a praticar sequestro seguido de latrocínio, (crime fora de Barreiras) e está pre­so novamente no complexo policial de Barreiras.

Para Joaquim, ressocia­lização do sistema fechado não existe, se é que exista em alguma penitenciária do Bra­sil. “Todos voltam a cometer delitos, faculdade do crime como eles mesmos chamam, lá eles trocam experiências criminosas e saem piores do que entraram,” ressaltou o delegado.

 

Leis

Para muitos as leis brasi­leiras são consideradas bran­das. Joaquim Rodrigues dis­corda. Para ele, o que precisa ser mudado são os recursos que a lei oferece. “Não con­cordo que as leis são brandas, são ótimas e até rigorosas em termos de tempo, o que preci­sa ser mudado são os recursos que a lei oferece”.

Joaquim destaca que essa lacuna de recursos, regalias é um incentivo para o come­timento de crimes e que o bandido já sabe dessas van­tagens. “Os criminosos não estão preocupados com pena, portanto não são brandas, deveria ter uma aplicação efi­ciente e ter também o sistema de recuperação.”

 


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