Lagarta dizima o algodão do Oeste

Alertado pela Secretaria da Agricultura da Bahia desde o ano passado, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa)  reconheceu, ontem, os estragos causados pela praga da helicoverpa armigera no celeiro do oeste baiano. Por meio da edição de ontem do Diário Oficial da União, o órgão federal declarou “estado de emergência fitossanitária”.

Tida como agressiva e de ataque voraz, a helicoverpa causou prejuízos de mais de R$ 2,2 bilhões na última safra de algodão, milho e soja. Anualmente, a safra dos grãos gera em média R$ 7 bilhões. Por meio da assessoria, o secretário da Agricultura da Bahia, Eduardo Salles, afirmou que, com a declaração do estado de emergência, espera que, “finalmente, o Ministério da Agricultura libere o registro da substância de controle da praga (Benzoato de Emamectina)”.

O Ministério Público Federal chegou a acionar o gestor da Seagri para impedir o uso do benzoato de emamectina, ameaçando-o de prisão e apreendendo 44 toneladas do produto.

Reforçando o pleito de Salles, a presidente Dilma Rousseff baixou, em 28 de outubro, o decreto 8.133, autorizando a liberação da substância pelo Ministério da Agricultura, bem como sua importação.

A Seagri emitiu diversas advertências sobre os riscos da praga. O última  datou de 23 de outubro, sendo também distribuído à imprensa. “Com o início das chuvas na região, a orientação é que o produtor monitore a lavoura, eliminando todo o resto da cultura (tiguera), e adote as medidas de controle e manejo ainda na fase inicial da lagarta.

Plantios já foram iniciados

Segundo Armando Sá ,  os plantios de milho e soja da safra 2013-2014 já foram iniciados, mas dá tempo de implementar o controle da praga. O cultivo de algodão segue outro calendário. Dentre as inovações do programa baiano, está um calendário com opções agroquímicas para cada cultura (soja, milho e algodão). O plano, segundo Armando Sá, define calendários de plantio e vazio sanitário, controle biológico.

“O programa define regras para a utilização de controle químico, controle fitossanitário e supressão de restos culturais para acabar com a comida da praga”, acrescenta Sá. Participaram da elaboração da proposta baiana a Agência de Defesa Agropecuária (Adab) e a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agríciola (EBDA) – ambas vinculadas à Seagri –, a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Associação Baiana de Produtores de Algodão (Abapa), associações de engenheiros agrônomos dos municípios de Barreiras e Luís Eduardo Magalhães e a instituição de pesquisa Fundação BA. “Vamos fazer reuniões com os produtores nas comunidades para falar sobre a situação da helicoverpa no Estado, apresentar o Programa Fitossanitário e explicar a importância de colocá-lo em prática e seguir em frente”, afirmou Júlio Cézar Busato, presidente da Aiba, em nota no site da instituição.

O Mapa informou ontem, em nota, que o estado de emergência (estabelecido pelo decreto 1.059/2013) permite ao ministério “estabelecer todas as medidas agronômicas e veterinárias necessárias ao enfrentamento, quando declarado oficialmente estado de emergência fitossanitária e zoossanitária”. O estado de emergência fitossanitária permitirá aos produtores da região importar agrotóxicos não registrados para controlar a lagarta, sem passar pelos trâmites dos ministérios do Meio Ambiente e da Saúde.

Fonte: Tribuna da Bahia

Imagem: Ilustração


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