Pôquer cai nas graças de barreirenses

Em visita a Barreiras, jogador de pôquer profissional fala da experiência

Texto e fotos: Cheilla Gobi

Nos últimos anos, o pôquer virou uma febre mundial, o número de interessados cresce a cada dia. No país do futebol, All in, flush, rebuy, heads-up, fold, podem parecer expressões estranhas, mas para milhares de jovens e adultos são consideradas comuns, típicas do pôquer, um esporte que a cada dia ganha mais adeptos e se torna lucrativo e popular.  Os jogos podem ser live (presencial) ou online.

No município de Barreiras, o pôquer já caiu nas graças de muitos barreirenses, inclusive com a realização de torneios, o Barreiras Poker Clube – BPC que acontece desde 2005. De acordo com o representante do pôquer em Barreiras, Guilherme Borges Villavicencio, as etapas do BPC são mensais e ao final das 12 fases, o jogador com a melhor pontuação recebe título de campeão barreirense. Os dez melhores jogadores, ainda disputam uma mesa final (premiação em dinheiro).

O pôquer no Brasil obteve conquistas importantes. A maior delas foi o reconhecimento em janeiro de 2012 da entidade que representa o pôquer no país, Confederação Brasileira de Texas Hold’em (CBTH) – estilo de pôquer mais popular no mundo – pelo Ministério dos Esportes como entidade esportiva.

Muitos ainda pensam que o pôquer é uma atividade ilegal, uma contravenção penal. Pensam, também, que é um jogo de azar. Segundo a legislação brasileira, um jogo de azar é aquele “em que o ganho e a perda dependem exclusivamente ou principalmente da sorte”, caracterizando assim a contravenção penal. Conforme a CBTH, estudos e decisões judiciais do Brasil e de outras partes do mundo apontam que o esporte é, acima de tudo, um jogo de habilidade, assim como o xadrez. Além do reconhecimento da confederação pelo Ministério dos Esportes, a Associação Internacional dos Jogos da Mente (IMSA, na sigla em inglês), ligada ao Comitê Olímpico Internacional, classificou-o como um “esporte da mente”.

No mundo inteiro existem Federações, Casas e Ligas de esporte. A CBTH é a entidade máxima dirigente nacional, que tem como objetivo batalhar pelo reconhecimento da sociedade brasileira, do pôquer esportivo como uma prática lícita, decente, digna e capaz de desenvolver nos seus praticantes habilidades, tais como: matemática, estatística, disciplina, controle emocional, competitividade, raciocínio, psicologia, inteligência, objetividade, senso desportivo e sociabilidade. Logo depois as Federações como representantes estaduais e os clubes, ligas ou grêmios recreativos como os entes responsáveis pela disseminação do pôquer de maneira local. Como toda e qualquer entidade esportiva é criada sob a forma jurídica de Associação, os praticantes do pôquer de Barreiras também já estão buscando se adequar as normas.

Assim como no mundo inteiro o pôquer vem conquistando milhares de jovens e adultos, em Barreiras o esporte também vem atraindo novos praticantes. Conforme Villavicencio, os primeiros torneios reuniam cerca de 10 a 12 pessoas, atualmente uma média de 35 a 40 em cada etapa. Uma comunidade no facebook chamado “Clube do River”, conta atualmente com 110 membros. “O crescimento é notável. No ranking do ano passado tivemos 99 pessoas no torneio. Barreiras vêm conquistando praticantes, assim como outras cidades no Brasil, talvez de forma mais lenta por ser uma cidade do interior e as informações chegam mais devagar”, garantiu.

Assim como em qualquer torneio cobra valor de inscrição, no pôquer não é diferente. Para o torneio principal, em Barreiras, a inscrição custa 150 reais. O jogador recebe um número de fichas sem valor monetário, o que terminar com mais fichas ganha o torneio. Já os que perderam todas ao logo do certame estão automaticamente fora da competição, sem chance de “comprar” novas fichas e voltar à competição. “É um jogo onde os praticantes devem seguir regras, o clube dispõe de um regulamento e quem infringir as regras tomam punições, advertências, podendo o jogador até mesmo ser expulso da mesa”, afirmou Guilherme.

O campeão barreirense de 2012, Eufrásio Neto vem conquistando ótimos resultados no torneio 2013, e das três etapas realizadas, duas ele obteve sucesso. Segundo ele, para alcançar resultados satisfatórios, estratégias, técnicas e até mesmo cálculos matemáticos devem prevalecer. “O primeiro passo ao chegar à mesa é procurar com quem jogar, sempre pós-flop, e em posição sempre terá dois ou três jogadores fracos. Eu estudo muito o jogo, leio bastante, procuro sempre jogar torneios online, apesar de não gostar muito do online. Calculo muito o jogo, até pelo fato de ser professor de matemática, e esta questão contribui”, disse Eufrásio.

Evento paralelo ao BPC

Com intuito de movimentar o Clube, e até mesmo dispensar o valor da inscrição de alguns, é realizado um satélite antes do torneio. São oferecidas cinco vagas, em um universo de 18 pessoas aproximadamente. “A gente luta para que nossos torneios tenham mais pessoas, e que forme um ciclo de amizade bacana, até porque a maioria dos jogadores que frequentam o clube em Barreiras joga de forma recreativa”, garantiu Villavicencio.

O pôquer como profissão 

Profissional é aquele que faz do pôquer sua fonte de renda exclusiva. Transforma o pôquer, de um hobby, em sua principal função. E, assim como em qualquer outro trabalho, estabelece horários, metas, previsão de ganhos. Joel Oliveira, natural de Salvador é um dos praticantes que viu no pôquer online, sua fonte segura e desde 2008 tem o pôquer como profissão, a sua maior premiação foi o valor de 213 mil dólares. “Conheci o esporte em 2007, me apaixonei, percebi que dava para fazer carreira, inclusive financeiramente e principalmente pela própria vida que o profissional do pôquer leva viajando, conhecendo diversas localidades dentro e fora do Brasil”, disse Joel.

Em visita a Barreiras, o jogador de pôquer profissional, Joel Oliveira, fez questão de conhecer os praticantes do esporte na cidade e falou das experiências, principalmente lucratividades com o jogo. “Qualquer pessoa que se dedicar, sem dúvida será vitoriosa. Assim como em qualquer profissão, qualquer esporte devemos sempre corrigir erros, treinar e evoluir, o nível técnico do pôquer online está cada vez maior, o nível dos jogadores está subindo e para ser um jogador profissional precisa sempre se reciclar, tomar coach que é um treinamento com outro jogador, ler sempre livros, artigos e a cada torneio analisar os acertos e os erros”, explicou o profissional.

Cada jogador estabelece uma meta de ganho mensal. A meta de Joel Oliveira é de 10 mil dólares mês de lucro. Ele joga em média de 40 a 50 torneios por dia, período mínimo de oito a 12 horas.

Em Barreiras não há nenhum jogador profissional, mas segundo Guilherme Villavivencio, esta realidade não está tão distante. “No nosso grupo qualidade técnica não é tão alta, até porque a maioria joga de forma recreativa, em Barreiras não existe nenhum jogador profissional, mas esta realidade também não está tão distante, falta disciplina para algumas pessoas, tempo para outras, dedicação, falta confiança. É difícil largar a segurança que ele tem para tentar algo novo”, assegurou.

Para aqueles que pensam no pôquer como profissão, Joel deixa alguns conselhos. “O conselho que eu dou para os barreirenses praticantes do pôquer é que analisem bem aonde cada um quer chegar. Estudem, procurem se disciplinar, dedicar, porque este esporte é fantástico, prazeroso e que é possível viver bem, muito bem do pôquer”, finalizou.


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