Professor fomenta pesquisa e estudo de dança no Território da Bacia do Rio Corrente

“Samuel Guimarães é um cara apaixonado, muito apaixonado pelo que faz e faz de coração com muito amor. É assim que descrevo hoje o meu trabalho e a minha pessoa como artista.”

Encontrar equilíbrio entre dança, vida e trabalho, o que não é nada fácil, há de ser o desejo de muitas pessoas, para tanto, é preciso esforço e muita força de vontade. Quando se mora no interior, desprivilegiado de pesquisas e estudos ligados ao tema, lugar de pouca valorização desta manifestação, essa coragem precisa ser redimensionada a graus gigantescos. Afinal, viver de arte não é uma arte fácil.

Exemplo de competência e profissionalismo, natural de Eunápolis no extremo sul da Bahia, santa-mariense por opção, Samuel Guimarães encontrou na dança motivo pelo qual viver, de onde tira o seu próprio sustento e vem contribuindo para ascensão da dança no Oeste da Bahia.

Tendo chegado à região no ano de 2008, desde então vem se conceituando no cenário artístico, quer seja pelo trabalho desenvolvido em seu estúdio (Studio de Dança Samuel Guimarães), ou pelas suas diversas ações e intervenções nos espaços culturais da região.

Samuel Guimarães é um cara apaixonado, muito apaixonado pelo que faz e faz de coração com muito amor. É assim que descrevo hoje o meu trabalho e a minha pessoa como artista”, assim se autodefine. Vale a pena conferir e conhecer um pouco do trabalho e da trajetória artística deste grande homem. Exemplo de profissionalismo e resistência.

Segue entrevista concedida ao Culturas Corrente.

Em que ano você chegou nessa região o que te fez vir parar aqui?

Foi no ano de 2008. Cheguei aqui a convite do pessoal da Banda Bota Rasgada, vim trabalhar como bailarino. Acabei morando em Correntina por certo tempo, uma das bailarinas que mora aqui em Santa Maria me convidou para vim conhecer a cidade, acabei conhecendo onde trabalho hoje. Em 2010 comecei com esse trabalho de dar aula na cidade e estou até hoje.

Desde quando trabalha com dança?

O interesse surgiu na adolescência, quando comecei a trabalhar profissionalmente tinha apenas 17 anos, conheci o balé quando eu tinha 20 anos… Pra vocês verem que nunca é tarde pra se iniciar nada. Na verdade, comecei a fazer clássico com o intuito de melhorar minha performance como bailarino, acabei me apaixonando, cai por acidente como professor e hoje estou aqui, amo muito o que faço.

Como foi esse “acidente”?

Quando comecei fazer balé, foi com a Denise Montalvani em Eunápolis. Quando estávamos fazendo as oficinas ela falou assim: “Samuel você vai fazer uma oficina em tal lugar assim, num projeto social em um bairro carente”. Começaram 5 oficinas, a única que foi até o final foi a minha apesar de muito sacrifício. Havia feito um curso de capacitação em balé infantil e ai tinha que colocar isso em prática com a supervisão da Denise. Recebi um convite pra vim pra Correntina, na academia que eu malhava tinha aula de balé, um dia a professora precisou viajar e a turma ficou sem professor, o dono da academia me chamou e falou assim: “Tu não quer dar aula de balé não?” Respondi dizendo que não tinha muito jeito pra coisa. Na verdade não tinha interesse. Acabei dando as aulas, comecei como substituto, foi de onde surgiu o interesse, gostei, comecei a colocar em prática e de lá pra cá fui me qualificando.

Hoje você tem o seu próprio estúdio, nele você trabalha com quais estilos de dança?

Sim, é o Studio de Dança Samuel Guimarães, o carro chefe do estúdio é o balé clássico e o jazz, mais trabalho com dança em geral. Agora a gente tá com uma novidade que é o Zumba, novidade do mundo fitness.

Qual o perfil dos seus alunos?

São alunos da rede pública e privada de ensino, é aberto a todos os públicos. Nossa faixa etária é bem heterogênea, de 2 anos e meio até alunos de 86 anos, por que trabalho com turminha do baby class e turma da melhor idade.

Como está sendo a aceitação do seu trabalho?

Sou meio suspeito a responder. São quatro anos aqui e graças a Deus o trabalho expandiu-se, recebi mais convites, trabalho em mais duas cidades (Santana e Coribe), tenho uma quantidade significativa de alunos e o carinho deles por mim é uma coisa muito grande.

Como você avalia o cenário da dança nesse território?

Tá crescendo bastante, ainda existe a carência, não só em Santa Maria, mais no nosso país em geral há muita carência na área da dança, isso é fato.

Desenvolve ou já desenvolveu algum trabalho social ligado à dança?

Sim, claro. Além do projeto que falei quando era aluno, já trabalhei com a orquestra sinfônica do Descobrimento em Eunápolis e Porto Seguro também. E aqui em Santa Maria trabalhei com a Quadrilha Junina Fulo do Cerrado, atuei como coreógrafo e professor, foram dois anos, assinei dois espetáculos. Além desse trabalho busco apoiar o pessoal das escolas públicas, tenho alunos bolsistas no estúdio.

Quem é Samuel Guimarães no contexto da cultura?

Samuel Guimarães é um cara apaixonado, muito apaixonado pelo que faz e faz de coração com muito amor, é assim que eu descrevo hoje o meu trabalho e a minha pessoa como artista.


Compartilhe:

Comentários: