Queda de braço

Lula diz ser 300, já Cid garante ser 400. Quem está falando a verdade?

OPINIÃO

 

Ministro da Educação Cid Gomes discursa na tribuna da Câmara - 18/03/2015(Gustavo Lima/Câmara dos Deputados)

Ministro da Educação Cid Gomes discursa na tribuna da Câmara – 18/03/2015(Gustavo Lima/Câmara dos Deputados)

Jayme Modesto 

Quase três meses depois da posse, a presidente reeleita, Dilma Rousseff continua perdida. Pressionada por todos os lados, até agora, quem está dando as cartas é o Congresso, movido por interesses corporativistas e nada republicanos. Na queda de braço entre executivo e legislativo, este último está levando a melhor.

O episódio desta quarta-feira (18), promovido por Cid Gomes, ex-ministro da “Pátria Educadora”, mostrou o nível e o preparo dos nossos representantes. Assim como Lula, quando disse que no Congresso, haviam 300 picaretas, Cid Gomes acrescentou mais 100, dizendo que no Congresso tem 400 “achacadores” e se não tivesse seu microfone cortado, teria nominado os delinquentes congressistas. De dedo apontado, começou pelo presidente da Casa, Eduardo Cunha.

Não pense que Cid Gomes é diferente dos congressistas, são todos iguais, são farinha do mesmo saco, filho do mesmo DNA.

Acuada, inclusive pelas manifestações de domingo (15), que varreram o Brasil de Norte a Sul, a presidente ensaiou um discurso de combate a corrupção, enviando ao Congresso algumas medidas, como a criminalização do caixa 2, o confisco de bens dos servidores públicos que tiverem enriquecimento incompatível com os ganhos, aplicação da Lei da Ficha Limpa para todos os cargos de confiança, no âmbito federal, entre outros conceitos. Além de chegar atrasado, o tal pacote ainda foi ofuscado pelos episódios que roubaram a cena no Congresso.

Como diz o velho ditado, a emenda foi pior que o soneto. O atrapalhado ministro, que ainda não havia dito a que veio, só piorou a situação e deixou o plenário vaiado e chamado de palhaço. Pronto! O circo estava armado e, minutos depois, a lona cairia sobre os ombros de Cid Gomes. Vá lá que a educação não tem nada a perder com a saída de Cid, ao contrário, é provável até que melhore. Mas foi mais um desgaste desnecessário para um governo que está só começando e que ainda deveria estar em lua de mel com os partidos e com a população. Não está nem com um e nem com o outro, como mostrou a pesquisa Datafolha publicada ontem (18), com 13% de aprovação.

Diante de toda a crise política e a insatisfação popular, para completar o Congresso, decide aumentar o fundo partidário, passando dos atuais R$ 289,5 milhões para R$ 867,5 milhões. Sem a menor cerimônia, o relator-geral da proposta orçamentária, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) defendia o aumento que só faz insuflar ainda mais a revolta do povo brasileiro.


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