Seminário Fiol foi marcado por protestos

Os manifestantes exibiram faixas e cartazes com frases de repúdio ao tratamento dado pelo governo do estado à educação

Texto: Cheilla Gobi

Fotos: Jayme Modesto

As obras da Fiol – Ferrovia de Integração Oeste-Leste, essencial para o escoamento de minérios e da produção agrícola do Estado, com edital de licitação lançado em março de 2010 e previsão de conclusão das obras para o final de 2012, tem apenas 7% do projeto em obra concluída três anos depois da largada, conforme cálculo da própria estatal. O projeto de construção da Ferrovia interliga o estado do Tocantins ao Porto Sul, em Ilhéus, passando por 47 municípios da Bahia. O assunto foi debatido nesta sexta-feira, 26, durante o I seminário FIOL em Barreiras, evento este que ficou marcado por protestos. O Seminário reuniu lideranças políticas de toda região, inclusive com a participação do governo do estado, ministros, entre eles o do Transporte, César Borges, senadores, deputados, prefeitos e vereadores.

Durante o Seminário estudantes e professores aproveitaram para protestar contra o descaso na educação.  Os manifestantes exibiram faixas e cartazes com frases de repúdio ao tratamento dado pelo governo do estado à educação, em especial à Universidade Estadual da Bahia – UNEB/Barreiras. Frases como: “A Bahia quer, o Brasil precisa de educação! Somos importantes para o desenvolvimento da região! Sem educação não há desenvolvimento!” estavam escritas nos cartazes expostos. Wagner teve sua voz abafada pelo protesto de professores e estudantes, mas não deu atenção, foi como se nada tivesse acontecendo.

A professora Loyana Docio ficou indignada. “Uma tremenda falta de respeito, de atenção ao menos de olhar os nossos cartazes.”

De acordo com a professora a ferrovia é necessária, mas que os representantes políticos precisam também investir na educação. “Na realidade, a região oeste além de uma ferrovia precisa de investimentos também na área de educação. A UNEB está aqui há 30 anos e não tem um olhar devido do estado. Atualmente estamos trabalhando em situações precárias, falta de salas de aula, a biblioteca precisa ser ampliada, ausência de laboratórios estruturados, e infelizmente a gente tenta fazer o que pode e o que não pode, muitas vezes tirando dinheiro do próprio bolso e não temos respostas, não temos apoio do governo, somente promessas não cumpridas”, indagou a professora.

Os professores consideram o governo Wagner inoperante e mentiroso, vaiaram o político e cantaram músicas de protesto, gritos e palavras de ordem.

Falta de respeito não só com os estudantes, mas também com os profissionais da imprensa. Nas poucas visitas do governador Jaques Wagner a Barreiras, a imprensa local, regional foi maltratada, ou, agredida verbalmente, tanto por sua assessoria, quanto pelos homens que cuidam da guarda e do próprio cerimonial do governador, que, praticamente, não deixam a imprensa trabalhar. E a cena voltou a acontecer neste evento da FIOL, alguns repórteres e fotógrafos que cobriam o acontecimento foram empurrados por seguranças do governador.

O discurso é que a obra está parada por problemas técnicos e de ordem ambiental. E conforme o Ministro dos transportes, o novo prazo para conclusão das obras será dezembro de 2014 e que recursos não irão faltar.   

Muitas já foram as idas e vindas em torno da ferrovia, para que ela entrasse definitivamente nos trilhos, mas até o momento sobram intenções e pouca realização.


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