10% dos cerca de 17 milhões de motociclistas transitam habilitados

Mesmo com o aumento registrado da venda de motocicletas – algumas concessionárias chegaram a ter um acréscimo de 20% – muitos baianos têm desrespeitado a lei e continuam a guiar os veículos sem a habilitação devida. De acordo com estudos, o país tem uma frota de pouco mais de 17 milhões de motos. No entanto, apenas 10% desses condutores estariam regulares para guiar as motocicletas. Não há números específicos para o estado da Bahia.

Segundo o assessor técnico da diretoria do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-BA), Major Genésio Luigi, campanhas educativas têm sido constantemente feitas pelo órgão para alertar as pessoas com relação as irregularidades. “O problema é que temos uma dificuldade, principalmente na zona rural de muitas cidades do interior. As pessoas compram uma moto e se esquecem de que têm que tirar habilitação. A preocupação é ainda maior porque estamos vendo constantemente muitos acidentes com motociclistas que não estão habilitados para tal”, disse.

Quem for flagrado em situação irregular vai pagar uma multa de R$ 191, vai receber sete pontos na carteira, considerada uma infração gravíssima e ainda vai ter a motocicleta apreendida. “Também sofrerá sanções o dono da moto que emprestar o veículo para um conhecido e este for pego em uma blitz, sem habilitação”, contou Major Luigi. Ainda de acordo com ele, a formação de novos condutores deveria ser modificada. “Estudos apontam que a formação dos motociclistas deveria ser mais específica, o que ajudaria a conscientizar ainda mais quem sai de moto pelas ruas”, salientou.

Segundo a Transalvador, 621 motos estão recolhidas no pátio do órgão, que fica nos Barris. Dessas, 170 foram tiradas de circulação durante o Carnaval. Para retirar o veículo, o proprietário deverá apresentar documento oficial com foto e comprovante do pagamento das multas. Os valores para retirar uma motocicleta do local podem chegar até R$ 64. Já no pátio do Detran, que fica em Mussurunga, outras 719 motocicletas estão apreendidas. Ano passado, segundo o órgão, foram apreendidas 1622 motos, contra 425 até este mês.
Para retirar o veículo, o proprietário deve apresentar a carteiras de Identidade, Habilitação e Certificado de Registro e Licenciamento do Veículo (CRLV). O condutor deve ir até a Coordenadoria de Fiscalização de Veículos para preencher o requerimento, depois deve ir ao banco fazer o pagamento das multas para, posteriormente, receber a moto. Vale lembrar que a taxa da diária do veículo que fica no pátio do órgão é de R$ 18.

Expectativa nas autoescolas 

Nas autoescolas, os donos ainda não perceberam um aumento no número de pessoas que querem tirar a habilitação do tipo “A”, específica para motocicletas. No entanto, a perspectiva é de que, nos próximos meses, a tendência se confirme. “De cada 100 pessoas que querem tirar a habilitação em diversas categorias, 40% buscam licença para conduzir motos. A gente, mais adiante, tem uma expectativa positiva”, relatou Amanda Oliveira, diretora de ensino da Escola Aliança, que fica no bairro do Politeama, em Salvador.

Segundo o Detran, o número de motos emplacadas em 2015 já ultrapassou  8.800 unidades. O de interessados em retirar a habilitação do tipo “A”, no mês de fevereiro, é de 7.707 pessoas. Nos três meses anteriores, há um equilíbrio nos números. Em janeiro deste ano e em novembro de 2014, pouco mais de 10 mil pessoas foram até o órgão para tirar a habilitação. No mês de dezembro, 11.037 pessoas fizeram o mesmo procedimento.

De acordo com Amanda, o perfil do público que freqüenta as aulas não é específico. “Temos pessoas que com 18 anos, que querem fazer as aulas e ficar habilitadas. Também temos gente aqui de todas as classes sociais que até já tem uma motocicleta, mas quer ficar regular”, disse. Ao todo, pelas aulas teóricas e práticas, os alunos vão ter que desembolsar entre R$ 900 e      R$ 1.050, sem contar as aulas também nos simuladores, além dos laudos. O valor é considerado muito alto pelos candidatos.

Nas ruas, eles dizem que as dificuldades aumentaram com as novas exigências, mas acham válido por causa da segurança e da consciência que vão ter a partir de agora. “Hoje está até três vezes mais caro do que antes para se fazer todo o processo, sem contar o rigor nas provas teóricas, práticas, além do psicoteste. Mas acho que tem que ser mais rígido mesmo, já que a quantidade de acidentes só faz aumentar”, falou o motociclista Clébson Ribeiro, que também fazia aulas para tirar habilitação para dirigir caminhões.

Segundo dados do Detran, 142.905 pessoas estão capacitadas para dirigir motocicletas na capital baiana. Desses, 18.537 têm apenas a habilitação “A”. O restante são pessoas que também possuem licença para dirigir o veículo, mas também permissão para dirigir outros como carros, caminhões e carretas. Em todo o estado, pouco mais de 942 mil pessoas têm habilitação para dirigir motos e outros veículos. Outras 71 mil pessoas têm permissão para dirigir apenas motos.

VENDAS IMPULSIONADAS
Segundo dados da (Abraciclo), as vendas de motos aumentaram em 2% na primeira quinzena de fevereiro em relação ao mês de janeiro. Nos últimos dias, mais de 52 mil unidades foram vendidas, de acordo com a associação. Só no mês de janeiro, cerca de 105 mil motos foram comercializadas em todo o Brasil. Em algumas concessionárias de Salvador foi registrado um aumento de mais de 20% na vendas destes veículos.

Como vantagens apontadas por quem compra uma moto estão o fator econômico, já que algumas delas fazem até 60 km por litro de combustível, fazendo que com que os seus usuários gastem menos para abastecer. Além disso, por conta do trânsito cada vez mais intenso das grandes cidades, a agilidade e o ganho de tempo também são destacados como pontos positivos para quem quer adquirir um desses veículos.

Fonte: Tribuna da Bahia

Imagem: Ilustração


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