100 mil pessoas põem a vida em risco nas 540 áreas perigosas de Salvador

Grande quantidade de lixo em encostas, fortes chuvas, falta de esgotamento sanitário, poucas obras de contenções e construções irregulares. Estes são alguns dos principais motivos para os constantes deslizamentos de terra e desabamentos de casas que há anos assolam a capital baiana. São pelo menos 2.100 pontos de risco distribuídos em 540 áreas da cidade, onde habitam, pelo menos, 100 mil pessoas.

Ontem foi encontrado sem vida pelo Corpo de Bombeiros, debaixo de escombros, o pequeno Cailon Sena de Jesus, de 1 ano e três meses. A mãe dele, Tainá Sena, 22, já havia sido encontrada morta na última segunda-feira.

Ambos foram vítimas do desabamento de um imóvel, no bairro de Bom Juá, provocado por um deslizamento de terra na última segunda-feira. Outras duas crianças, por sorte, foram resgatadas com vida pelos bombeiros. De acordo com a Secretaria de Saúde do Estado, as crianças encontram-se bem e não correm riscos. A casa que desabou causando a morte de mãe e filho será demolida.

O mapeamento aponta que 100 mil pessoas moram em áreas de risco foi realizado pela Coordenadoria de Defesa Civil de Salvador (Codesal) em 2004. Até hoje, nenhum novo estudo foi realizado, no entanto, é cada vez mais comum avistar novas habitações irregulares em morros pela capital baiana.

“O problema em Salvador é muito sério e até hoje não foi resolvido. A topografia da cidade tem muitos declives, muitos morros e o solo desliza com facilidade. A prefeitura tem que fiscalizar, fazer habitações e retirar essas pessoas”, denuncia o engenheiro civil Ricardo Moreira Assunção.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), choveu em Salvador do último domingo até a segunda-feira pelo menos 25% do esperado para todo mês de junho. Foram 61,8mm dos 243,7mm esperados. Por causa disso, a prefeitura tem encontrado dificuldades em colocar lonas em áreas de risco. Alagamentos também são constantes. Nesta terça-feira, as chuvas diminuíram assim como os transtornos causados por ela. Até o início da noite dessa terça-feira (18/6), nenhum incidente grave foi registrado pela Codesal.

De acordo com a Superintendência de Conservação e Obras Públicas de Salvador (Sucop), acredita-se que com o tempo mais firme desde nessa terça-feira (18/6), seja possível dar continuidade as atividades de reasfaltamento pela cidade. O órgão informou que retomou as atividades na noite de segunda-feira com aplicação de asfalto frio em diversos pontos da capital. Dentre as localidades que receberão a ação estão a Orla marítima (no trecho entre Pituba e Itapuã), Stella Maris (nas imediações do Grand Hotel Stella Maris e Catussaba), Avenida Luiz Viana Filho (Paralela), Centro da cidade (com ênfase nas imediações da Arena Fonte Nova) e na Cidade Baixa (no trecho entre a Contorno e a Baixa do Fiscal).

Avenida Contorno

Os transtornos causados pelo deslizamento de terra que interditou a Avenida Contorno, em frente ao restaurante Amado, no último domingo, estavam parcialmente resolvidos até o início da tarde dessa terça-feira (18/6).

Por causa das chuvas que não cessaram, segundo informou a secretaria municipal de transporte e urbanismo, não foi possível retirar as mais de três mil toneladas terra das duas pistas. O deslizamento de terra foi provocado por um vazamento de esgoto, aliado às chuvas, na Rua Visconde de Mauá, atrás do Museu de Arte Sacra.

Moradores afirmam que o temor de novos deslizamentos é constante. “A gente sempre teve pequenos deslizes com chuvas. A rua não tem estrutura, está esburacada, cheia de vazamentos’, conta a moradora do Dois de Julho, Suzanne Cerqueira Lobo. Apesar da interdição da avenida, o restaurante Amado, comunicou que está funcionando normalmente para almoço e jantar. 

Fonte: Tribuna da Bahia


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