Acusado de sequestrar e estuprar 3 mulheres em Ohio vai a tribunal

O acusado de sequestrar e estuprar três mulheres que estavam desaparecidas há pelo menos uma década e foram encontradas vivas em sua casa fez sua primeira aparição pública em um tribunal nesta quinta-feira (9/05). O juiz do tribunal municipal de Cleveland fixou a fiança em US$ 8 milhões (R$ 16 milhões).

Algemado e vestindo uma roupa azul da prisão, Ariel Castro, ex-motorista de ônibus escolar de 52 anos, manteve o rosto abaixado durante toda a audiência. Ele não falou em nenhum momento.

O pesadelo de Amanda Berry, Gina DeJesus e Michelle Knight teve fim quando Amanda conseguiu fugir com a ajuda de um vizinho, Charles Ramsey , e ligou para a polícia. Ariel Castro foi detido junto a seus dois irmãos Pedro e Onil.

Os irmãos também compareceram no tribunal na manhã desta quinta-feira para solucionar acusações anteriores, não relacionadas ao caso dos sequestros.

De acordo com a polícia, Castro manteve as mulheres presas com cordas e correntes em quartos diferentes. Elas sofreram abuso sexual e psicológico prolongados além de abortos, segundo uma autoridade local familiar com as investigações.

As mulheres e Castro deram longos depoimentos à polícia, ajudando as autoridades a construir o caso, disse o vice-chefe da polícia Ed Tomba. Nenhuma das três, entretanto, deu qualquer indicação de que os dois irmãos mais velhos tinham qualquer relação com o caso. “Ariel manteve todo mundo à distância”, disse Tomba.

Um fato que continua um mistério, segundo ele, é como as mulheres foram mantidas dentro da casa por tanto tempo. As mulheres, por volta de seus 20 ou 30 anos, foram sequestradas separadamente entre 2002 e 2004. Na ocasião, elas tinham 14, 16 e 20 anos.

Em coletiva, atoridades afirmaram que não discutiriam as circunstâncias de seu sequestro e cativeiro. O vereador Brian Cummin, entretanto, afirmou: “Sabemos que essas vítimas sofreram abortos confirmados, mas não sabemos com quem, quantas vezes e em que condições.”

Segundo a rede CNN, Michelle Knight disse que ficou grávida ao menos cinco vezes, mas ficava privada de alimentação e apanhava até abortar. À polícia, segundo fontes ouvidas pela rede americana, Michelle disse que quando Castro descobria que ela estava grávida “fazia com que ela abortasse o bebê”.

Michelle Knignt “afirmou que ele a fazia passar fome por ao menos duas semanas, e repetidamente batia em seu estômago até que ela abortasse”, disseram os registros iniciais da polícia.

Mas quando Amanda ficou grávida, a situação foi diferente. Segundo fontes da polícia, quando ela entrou em trabalho de parto, Castro ordenou que Michelle a ajudasse a ter o bebê. O parto foi realizado em uma piscina ou banheira de plástico para conter o líquido amniótico. Entretanto, quando a bebê nasceu ela teria imediatamente parado de respirar. Segundo Michelle, Castro ameaçou matá-la caso o bebê não sobrevivesse.

“O mais incrível é que uma garota que não sabia nada sobre partos ter conseguido ajudar uma mãe a ter um bebê que agora é uma saudável criança de seis anos”, disse a fonte policial à CNN.

Elas nunca tiveram uma chance de fugir nos últimos dez anos, até que essa semana, quando Amanda Berry saiu pela porta, correndo em liberdade e alertando à polícia para resgatar as outras duas mulheres enquanto Castro estava longe de casa.

Em um novo áudio divulgado pela polícia, o atendente da emergência notifica autoridades na segunda-feira, dizendo que ele acabara de falar com uma mulher que “disse que seu nome é Amanda Berry e que ela esteve sequestrada por 10 anos”.

Depois, é possível ouvir a polícia chegando na casa, com mulheres chorando ao fundo. Então, um policial afirma ao atentendente. “Nós as encontramos. Nós as encontramos.”

Além das três mulheres, estava na casa a filha de Amanda Berry de seis anos de idade. Castro foi submetido a um teste de DNA para saber se ele é pai da criança.

Amanda e Gina foram recebidas na quarta-feira por multidões animadas de vizinhos e parentes que carregavam balões e cartazes. Nenhuma das mulheres falou à imprensa.

“Esse é o melhor Dia das Mães que eu poderia ter”, disse Nancy Ruiz, mãe de Gina. Ela disse que abraçou a filha e não queria deixá-la. A terceira refém, Michelle Knight, 32 anos, segue internada no hospital, mas está em boas condições. 

Fonte: Tribuna da Bahia

Imagem: Ilustração


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