Ambulâncias do Samu passam a ter remédio que reduz mortes por infarto

As ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) passarão a contar com medicamentos trombolíticos, que podem diminuir em até 17% o número de mortes por infarto agudo do miocárdio. A portaria que incorpora o tenecteplase deverá ser publicada nos próximos dias.

O ministro da Saúde, Arthur Chioro, assinou, na última segunda-feira, a nova norma. A portaria deverá ser publicada nos próximos dias. Em 2012, foram registradas 84.157 mortes por infarto agudo do miocárdio. O Ministério da Saúde espera que, com o medicamento, o Samu possa salvar até 8.368 pessoas por ano. O custo do medicamento para todo o Brasil está estimado em R$ 8,5 milhões.

No entanto, para o Samu de Salvador, esse medicamento não é uma novidade. O coordenador do Serviço, médico Ivan Paiva,  disse que desde 2007, na capital baiana, fazem uso do remédio. Em pesquisa feita em 2011, foi apurado que “a mortalidade era em torno de 27%, já em 2013 caiu para 7%”, afirma, revelando que atualmente a medicação, que já custou R$ 5 mil, está em torno de R$ 3 mil.

De acordo com o médico, o Samu de Salvador se tornou uma referência nacional graças a ações com pacientes acometidos por infarto, não só com o uso deste medicamento como de outros e procedimentos de angioplastias, e uma série de medidas adotadas pelos profissionais para o restabelecimento do paciente.

No caso do infarto, o vaso que leva o sangue entope e o músculo do coração para de funcionar, o coração para de funcionar, e a pessoa pode ter uma parada cardíaca. Com o uso da medicação, a formação do trombo, que entope a veia, se dissolve e o coração volta a funcionar, explica o especialista.

“Quanto mais rápido a medicação for aplicada melhor, sendo que o ideal é até três horas do sintoma, mas pode ser até 12 horas”, aconselha Paiva, destacando que nem todos os pacientes podem usar a medicação, “paciente que já teve derrame, que tem sangramento, não pode usar a medicação”, alertou.

Segundo ele, uma média diária em Salvador é de que um a dois pacientes teriam indicação de usar o remédio. E por se tratar de uma medicação delicada em que para ser aplicada exige do profissional uma avaliação profunda dos sintomas, os médicos fazem treinamento e na semana passada, na capital, “mais de 20 médicos foram treinados. Estes treinamentos fazemos sistematicamente”, afirmou Ivan.

Tratamento na ambulância

O trombolítico está disponível nos veículos que dispõem de Suporte Avançado de Vida e que dispõem de profissional médico capacitado para realização da trombólise. São elas a Unidade de Suporte Avançado Terrestre (USA), a equipe embarcação e a equipe aeromédica.

No infarto, a artéria que irriga o coração fica obstruída. Com isso, o sangue não consegue levar oxigênio para o coração e o músculo cardíaco entra em necrose (morre), causando o infarto e podendo ocasionar uma parada cardíaca. O medicamento trombolítico desfaz a obstrução e a circulação no coração volta a acontecer, interrompendo o infarto.

Os pacientes têm o tratamento já na ambulância, uma vez que o trombolítico é de fácil e rápida administração no veículo – apenas uma ampola é suficiente. Além disso, o uso precoce do medicamento reduz as chances de o infartado apresentar sequelas como a insuficiência cardíaca, que obriga o paciente a tomar medicamentos por toda a vida. Ou seja, além do benefício à população, a medida diminui o valor gasto com a compra de medicamentos que seriam utilizados em casos com sequelas.

Fonte: Tribuna da Bahia

Imagem: Ilustração


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