Anúncio de que a Oi fará oferta pela TIM faz ações terem forte alta na Bovespa

Papéis das duas empresas sobem mais de 6%; Ibovespa avança 1,42% impulsionado por Petrobras

SÃO PAULO – A iniciativa da Oi em tentar viabilizar a compra de uma fatia da TIM Participações faz as ações das duas empresas dispararem nesta quarta-feira. Os papéis da companhia controlada pela Portugal Telecom operam em alta de 7,46%. Já as ações da TIM avançam 6,90%. Isso ajuda o Ibovespa, principal índice do mercado acionário brasileiro, a se manter acima dos 60 mil pontos, com avanço de 1,42%.

Essa pressão compradora ocorre após a Oi informar que contratou o banco BTG Pactual para viabilizar uma oferta pela fatia de 67% da TIM Participações que hoje pertence à Telecom Italia.

Na avaliação de Ari Santos, gerente de renda variável da corretora H.Commcor, a alta está relacionada não só à possível concretização dessa operação, mas também porque as ações da Oi já sofreram uma forte desvalorização nesse ano.

— É um papel de baixo valor. No ano, as ações da Oi já acumulam queda de 60%. Até para zerar as perdas de agosto essa ação precisaria subir mais 3% — afirmou. As ações da Oi estão sendo negociadas a R$ 1,44 e as da TIM a R$ 12,23.

Mas o cenário para o setor é de consolidação, o que também impulsiona os negócios. A Telecom Italia, controladora da TIM Participações, está analisando uma fusão com a GVT, unidade brasileira do grupo francês Vivendi.

Em relatório, os analistas da corretora Planner lembram que o “Brasil é crucial tanto para a Telefônica e Telecom Italia, porque o mercado nacional ainda tem potencial de crescimento, especialmente na banda larga e na TV paga, na comparação com mercados mais maduros da Europa”.

No entanto, os analistas da Yield Capital lembra que a Oi provavelmente não terá espaço para uma nova oferta de dívida e qualquer oferta em relação à TIM deve envolver uma fusão ou uma nova emissão de ações por parte da Oi.

ELEIÇÕES NA PAUTA

O cenário eleitoral continua a ser o principal fator a direcionar o movimento dos mercados financeiros no Brasil. A nova pesquisa Ibope divulgada na terça-feira à noite, que mostrou o avanço das intenções de voto da candidata do PSB, Marina Silva, na disputa pela Presidência da República e sua eventual vitória em um segundo turno contra Dilma Rousseff (PT), dão impulso aos negócios dessa quarta-feira. Às 12h38, o Ibovespa registrava alta de 1,42%, aos 60.670 pontos. Já o dólar comercial opera praticamente estável, a R$ 2,2620.

Tem sido comum, desde março, o avanço das ações de estatais e de setores mais suscetíveis a intervenções do governo, quando candidatos da oposição mostram melhora do desempenho. O entendimento é que uma mudança na Presidência da República iria mudar os rumos da política econômica.

Uma das mais beneficiadas nesse processo tem sido a Petrobras. As ações preferenciais (sem direito a voto) da estatal registram alta de 3,47%. Já os papéis ordinários (com direito a voto) sobem 3,29%. Outra alta relevante é registrada nas ações do Banco do Brasil, que sobem 3,46%.

MENOR CONFIANÇA NA ALEMANHA

Esse movimento de alta no Brasil ocorre mesmo com os dados menos positivos no exterior. Na Europa, o índice de confiança do consumidor alemão, principal economia da região, caiu pela primeira vez em mais de um ano e meio, ficando em 8,6 pontos na medição feita pela empresa GfK. Na avaliação dos analistas da XP Investimento, isso ocorreu porque “os consumidores tornaram-se mais cautelosos quanto ao impacto das sanções contra a Rússia sobre a maior economia europeia e outros conflitos internacionais”.

O índice DAX, de Frankfurt, opera em queda de 0,20%. O CAC 40, da Bolsa de Paris, recua levemente, 0,01%, e o FTSE, de Londres, está com leve alta de 0,07%. Nos Estados Unidos, o Dow Jones e a Nasdaq estão estáveis.

No mercado de câmbio, o dólar comercial opera praticamente estável diante o real. Às 12h38, a moeda americana era cotada a R$ 2,2600 na compra e a R$ 2,2620 na venda, leve queda de 0,08%.

Na avaliação de Ricardo Gomes da Silva Filho, economista da Correparti Corretora de Câmbio, a redução da confiança na Alemanha é mais um fator que deve colaborar para que o Banco Central Europeu (BCE) adote novas medidas de estímulo à economia europeia.

Fonte: O Globo


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