Após Lei Antifumo, capital baiana fecha o cerco aos fumantes

A partir de amanhã (3), a vida fica mais difícil para os fumantes de Salvador. A nova lei antifumo promete engrossar as vias e reduzir o espaço para os viciados por cigarro ainda mais. A nova determinação da lei visa acabar com os fumódromos de vez.

Antes da nova lei, restaurantes, bares e boates, separavam as pessoas que faziam uso do cigarro, das que não faziam. Com a atual proibição, lugares que não sejam totalmente fechados, e que tenham paredes, divisórias, toldo e teto, mesmo que a rua esteja ao lado, não poderão ser área de fumo. Quem gosta de fumar, só poderá exercer a prática em casa ou em via pública.

Para garantir o cumprimento da lei, estabelecimentos serão fiscalizados e se permitirem  que seus clientes fumem, eles podem ser punidos com multas de R$ 2 mil a R$ 1,5 milhão.

Para a médica Angélica Rios, a medida vai melhorar a qualidade de vida da população, que na maioria das vezes se torna fumante passivo. “Mesmo quando a pessoa é exposta durante pouco tempo à fumaça do cigarro, pode ser prejudicial. Ela pode apresentar irritação nos olhos, dor de cabeça, dor na garganta, enjoo e até dificuldade respiratória,” afirma a médica.
Com amigos fumantes, a estudante Luana Pedrosa vê na lei um incentivo para que os amigos larguem o vicio. “Sempre saio com eles e tenho que aguentar a fumaça de cigarro. Minhas roupas fedem, meu cabelo fica puro cheiro de nicotina e a minha rinite fica atacada. Com essa nova determinação, eles serão obrigados a parar de fumar, ninguém vai jantar e interromper pra ir pro meio da rua à noite fumar, é perigoso, a outra opção é ficar trancado dentro de casa. A lei vai acabar beneficiando eles, por mais que os fumantes achem que não”, explica Pedrosa.

Fumante há 15 anos, a funcionaria pública Ana Coelho vê o novo regimento da lei como uma forma de  preconceito. “Durante anos fomos estimulados pelo governo e pelas propagandas a fazer uso do cigarro, como toda droga, nos tornamos dependentes. Mas é uma droga lícita como o álcool, e que causa muito menos danos, nunca ouvi falar de alguém que matou uma pessoa no trânsito por causa do cigarro, no entanto, somos nós os tratados como criminosos. Entendo que tem pessoas que ficam incomodadas com o cheiro do cigarro, mas para elas já existe a área restrita, dessa forma estamos sendo discriminados”, afirma Coelho.

Vigilância
A lei antifumo existe desde 2011, mas precisava da regulamentação. A partir de agora, os locais de venda também serão vigiados. É possível vender, mas nada de propaganda. Além disso, o local deve dar destaque   para os riscos à saúde e alertar de que a venda é permitida apenas para maiores de 18 anos. A única brecha é no caso de bares e restaurantes, e se a mesa estiver na calçada, ao ar livre, somente dessa forma, o fumo é permitido.

 Segundo o Instituto Nacional do Câncer, cerca de 90% dos casos de câncer de pulmão estão relacionados ao tabagismo. Segundo o Ministério da Saúde, 200 mil pessoas morrem por ano no Brasil de doenças relacionadas ao tabaco. O tratamento dessas doenças na rede pública, ainda de acordo com o ministério, custa R$ 1,4 bilhão. De acordo com o mais recente Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), inquérito promovido pelo Ministério da Saúde anualmente, a parcela da população brasileira fumante acima de 18 anos caiu 28% nos últimos oito anos. O Vigitel 2013 registrou que 11,3% da população brasileira fuma, enquanto em 2006 o índice era de 15,7%. A frequência permanece maior entre os homens (14,4%) do que em mulheres (8,6%). A frequência das pessoas que fumam 20 ou mais cigarros também caiu – de 4,6% em 2006 para 3,4% em 2013. O percentual de fumantes passivos no domicílio passou de 12,7% em 2009 para 10,2% em 2013, e no local de trabalho passou de 12,1% para 9,8%%.

Fonte: Tribuna da Bahia


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