Após temporal que matou três, 15 cidades têm trechos sem energia

Mortes aconteceram em Nova Iguaçu, Cabo Frio e na cidade do Rio

Ruas ficaram alagadas e árvores caíram em vários pontos da capital

Na Região Serrana, choveu granizo e queda de árvore derrubou casa

Rua Eurico Rabelo tomada por bolsão d'água na altura do Estádio Célio de Barros, no Maracanã Foto: Márcia Foletto / Agência O GloboRIO – O temporal da noite desta quinta-feira ainda causa transtornos aos moradores de Norte a Sul do estado nesta sexta-feira. Pelo menos três pessoas morreram e 15 cidades, inclusive a capital, têm trechos sem energia elétrica. No Rio, ruas das zonas Norte, Sul e Oeste sofrem com a falta de luz. Em Petrópolis, na Região Serrana, uma casa foi atingida por um deslizamento de terra. Pelo menos uma família está desalojada no município. Não houve mortos, mas uma adolescente de 17 anos ficou ferida. As mortes provocadas pela chuva acontecer em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense; Cabo Frio, na Região dos Lagos; e Guaratiba, na Zona Oeste do Rio. Nesta manhã, moradores e homens da Comlurb trabalham na limpeza da lama que tomou ruas e calçadas do Rio. Além disso, árvores caíram em diversos pontos, principalmente no Centro e Zona Norte.

Segundo a Light, a falta de luz no Rio e na Baixada foi provocada por ventos de até 100 km/h que derrubaram árvores e galhos sobre a rede elétricas. Entre os locais onde o fornecimento foi mais prejudicado estão os bairros de Jacarepaguá e Campo Grande, na Zona Oeste; Méier, na Zona Norte; e os municípios de Nova Iguaçu e Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Parte do Morro Dona Marta, em Botafogo, na Zona Sul, também foi afetado. Nas redes sociais, no entanto, internautas reclamam de falta de luz também nos bairros do Recreio e Barra da Tijuca, na Zona Oeste. De acordo com a Light, 1,2 mil técnicos trabalham para normalizar o serviço.

Chuva causa três mortes no estado

Em Nova Iguaçu, a vítima foi uma mulher de 60 anos, identificada como Vera Lúcia. Ela morreu depois de sua casa ter sido atingida por um deslizamento de terra no bairro Riachão, no distrito Comendador Soares. Já em Cabo Frio, na Região dos Lagos, um jovem de 18 anos morreu enquanto trabalhava num canavial. Segundo informações do “Bom Dia Rio”, da TV Globo, ele foi atingido por um raio.

Na Zona Oeste do Rio, uma mulher morreu depois de ter o carro em que ela estava atingido por uma árvore na Estrada Roberto Burle Marx, no trecho em frente ao sítio Burle Marx, em Guaratiba. Segundo o Corpo de Bombeiros, o acidente aconteceu por volta das 22h desta quinta-feira. Leila dos Santos, de 45 anos, morreu no local. O corpo seguiu para o Instituto Médico-Legal (IML) do Centro do Rio. Márcia Camargo, de 43 anos, também estava no carro e ficou ferida. Ela foi levada para o Hospital municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, também na Zona Oeste.

A Defesa Civil do Rio registrou 44 ocorrências entre 17h30m de quinta e 5h30m desta sexta-feira. Já em Petrópolis, foram registradas 50 ocorrências. A mais grave aconteceu no bairro de Bataillard. Um deslizamento de terra atingiu uma casa na Rua Dário Malaquias Barbosa e ainda derrubou uma árvore. Cinco pessoas de uma mesma família, sendo duas delas crianças, haviam saído do imóvel minutos antes do desabamento. Uma adolescente de 17 anos chegou a ser levada pelos bombeiros para o Hospital Santa Teresa com ferimentos leves, mas já foi liberada. O imóvel foi interditado e a família se abrigou na casa de parentes. Equipes da secretaria de Trabalho, Assistência Social e Cidadania acompanham o caso.

Outro desabamento aconteceu na Rua Professor Estroler, no bairro Quarteirão Brasileiro. Estefani S. Salvador, de 19 anos, foi encaminhada para o Hospital Santa Tereza. Os outros chamados registrados se referem a telhados danificados pela chuva de granizo, pequenos deslizamentos e vistorias preventivas. O Rio Quitandinha, na altura da rua Coronel Veiga, chegou a transbordar por volta das 23h desta quinta-feira, mas voltou ao nível normal cerca de uma hora depois. O maior índice pluviométrico registrado nas últimas 24 horas foi de 140 milímetros em Araras.

Na Baixada Fluminense, somente o Rio Botas, em Nova Iguaçu, transbordou, por volta das 22h de quinta-feira, e começou a baixar por volta das 1h30m desta sexta-feira. Nesta sexta-feira, o único rio do estado em alerta máximo é o Itabapoana, em Bom Jesus de Itabapoana, no Norte Fluminense. Segundo o sistema de alerta de cheias do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), até o início da manhã, os rios Pavuna, em São João de Meriti; e Sarapuí, que corta os municípios de Nilópolis, Mesquita, Belford Roxo e Duque de Caxias, todos na Baixada Fluminense; e Quitandinha, em Petrópolis, e Ribeirão São José, em Bom Jardim, ambos na Região Serrana, também estavam na mesma situação, mas retornaram ao estado de vigilância por volta das 8h, pois não há previsão de chuva para as próximas horas. Durante o temporal, todos os outros rios do estado ficaram em atenção.

Alagamentos prejudicam deslocamento no Rio

A volta para casa dos cariocas foi tumultuada após o temporal. Na madrugada desta sexta, os principais pontos de ônibus do Centro ficaram lotados. O Centro de Operações da prefeitura informou que o município retornou ao estágio de vigilância às 5h15m desta sexta-feira, devido ao enfraquecimento dos núcleos de chuva que se deslocaram para o oceano. Na noite desta quinta-feira, as bacias de Jacarepaguá, da Zona Sul e da Baía de Guanabara entraram em estágio de Alerta, mas retornaram ao estágio de atenção às 23h35m.

Sirenes foram acionadas em oito comunidades para alertar moradores a deixarem suas casas. A chuva provocou alagamentos em várias ruas na noite desta quinta-feira. Na Zona Norte, a Praça da Bandeira continuava alagada no sentido Méier na manhã desta sexta-feira, prejudicando o trânsito. A Rua Eurico Rabelo tinha um grande bolsão d’água próximo ao Maracanã, em uma área recentemente reurbanizada. A água entrou nas garagens de prédios. As ruas Artur Menezes e Conselheiro Olegário ficaram tomadas pela lama. Porteiros de prédios limpavam as calçadas, enquanto funcionários da prefeitura trabalhavam para fazer a água empoçada escoar.

De acordo com o diretor do Centro de Operações da Prefeitura do Rio, Pedro Junqueira, a Tijuca foi o ponto mais castigado do município. Por lá, choveu 92mm em cerca de uma hora.

— Há 10 anos não tínhamos um acumulado como esse na região — afirmou Junqueira.

Bolsões d’água também atrapalhavam a circulação de veículos na Avenida Francisco Bicalho, no sentido Centro, altura do Trevo das Forças Armadas, no Centroi; e Avenida Epitácio Pessoa, no sentido Lagoa, nas proximidades do Corte do Cantagalo, na Zona Sul.

Na noite desta quinta-feira, os ventos atingiram mais de 100 km/h em Marambaia, na Zona Oeste. No Centro, a velocidade foi superior a 50 km/h, prejudicando o funcionamento do Aeroporto Santos Dumont, que chegou a ser fechado para pousos e decolagens. A Linha 2 do metrô ficou inoperante por cerca de uma hora. Os ventos derrubaram árvores principalmente no Centro e Zona Norte. Uma delas caiu em cima de um carro na Avenida Presidente Vargas. Outra árvore caiu na Avenida Pedro II, em São Cristovão, já na chegada à Leopoldina. No Grajáu, outra planta foi derrubada na Praça Edmundo Rego.

O temporal também prejudicou que precisou de usar os trens para chegar ao trabalho na manhã desta sexta-feira. Segundo a SuperVia, as circulação nos ramais Santa Cruz e Deodoro foi normalizados às 7h, mas os intervalos ainda estavam irregulares, com atrasos. Entre 4h30m e 7h, os trens da Zona Oeste circularam apenas das estações terminais para a Central do Brasil. Nas redes sociais, internautas relataram um caos, com estações lotadas na manhã desta sexta-feira.

Call center da Ampla está congestionado

Os consumidores da Ampla, prejudicados com a falta de energia desde a noite desta quinta-feira, estão revoltados com a concessionária porque nem sequer conseguem registrar suas reclamações. Desde o fim da última noite, o call center da distribuidora está congestionado e com fila de espera. Os consumidores são obrigados a ficar ouvindo gravações com dicas sobre consumo consciente de energia. No fim da madrugada, o telefone dava sinal permanente de ocupado. Muitos deles estão encaminhando as reclamações para o telefone da ouvidoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

— Perdi o dia. Como os fornos são elétricos, a padaria não pode funcionar. O prejuízo é incalculável — lamentou o proprietário da padaria Camarão, Carlos Alberto Oliveira, o Betinho, que tem o negócio na esquina das ruas Capitão João Manoel e Ricardo Campelo, em São Gonçalo.

Sensação térmica no Rio chegou aos 47 graus

Segundo os meteorologistas, o temporal desta quinta-feira foi provocado pelo forte calor que atingiu todo o estado. Pouco antes da chuva, no Rio, cariocas e turistas já puderam ter uma prévia do verão, que começa no dia 21. Isso porque, com temperatura de 39,8 graus, a sensação térmica chegou aos 47, de acordo com informações do Twitter do Alerta Rio.

Segundo o Climatempo, uma frente fria vinda do Sul do país se aproxima do estado, e deve provocar mais chuva nesta sexta-feira, principalmente durante a tarde e à noite. A temperatura deve cair, mas o tempo continua abafado. Neste sábado, o tempo fica instável, com sol fraco e previsão de chuva a qualquer hora. Os termômetros não devem passar de 31 graus. No domingo, o tempo melhora e o calor aumenta. A máxima deve chegar aos 35 graus. Segundo o Climatempo, deve haver chuva rápida durante a tarde por conta do aquecimento.

Fonte: G1 / O Globo


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