Ar-condicionados sem conservação geram graves riscos

Às vezes, o perigo está aonde menos se espera. Enquanto a população caminha em ritmo frenético em direção ao local de trabalho ou até mesmo para casa, distraídas com o ambiente em volta, esquecem que pode vir de cima uma ameaça de acidente grave, que pode até matar. Nos prédios mais antigos do bairro do Comércio, em Salvador, a quantidade de aparelhos de ar condicionado é grande e muitos deles estão sem a devida manutenção.

Alguns deles, conforme flagrado pela equipe da Tribuna da Bahia na manhã de ontem, sofrem com a corrosão do tempo e do salitre que vem do mar e muitos pontos de ferrugem podem ser percebidos, tanto nos aparelhos, como nas bases que os sustentam, onde há muita infiltração. Já em outros é possível observar que pedaços de madeira foram colocados para reforçar a sustentação, sendo verdadeiras sucatas, o que aumenta o risco de uma tragédia.

De acordo com o Major do Corpo de Bombeiros da Bahia, Ramon Diego, a maior parte dos acidentes envolvendo os aparelhos de ar condicionado acontece pela falta de cuidado e de atenção dos donos dos imóveis. “Muitos deles se preocupam muito mais com o conforto do que com a segurança. Só trocam tudo quando o ar já não funciona mais. Uma rotina de manutenção tem que ser feita para que incêndios, choques elétricos ou outras dificuldades na conservação do aparelho não venham a causar um acidente mais grave. Deve-se ter atenção também com a fiação elétrica”, avisou.

Segundo ele, toda a estrutura do ar condicionado deve ser revisada, pelo menos, de três em três meses, principalmente em áreas próximas ao mar, como é o caso da região do Comércio. “As pessoas não podem querer resolver a situação sozinhas. Neste caso é muito necessária a presença de um profissional especializado para detectar eventuais riscos que possam surgir, tanto no ar condicionado, como nos suportes, que podem oxidar rapidamente devido ao acúmulo de água”, ponderou. Após a instalação, ele recomenda que o instalador cheque novamente se o suporte está bem fixo à base que vai suportar o peso do eletrodoméstico.
Vários acidentes como esse, segundo o Major, tem acontecido no Brasil.

No mês agosto do ano passado, um aparelho de ar condicionado caiu do quarto andar de um prédio em Copacabana, no Rio de Janeiro, mas ninguém ficou ferido. Já em 2011, outro eletrodoméstico caiu em cima de um carro após despencar do 12º andar de um edifício, em Belo Horizonte, Minas Gerais. O veículo ficou destruído, mas, por sorte, ninguém estava no veículo no momento do ocorrido. Em caso de acidentes como esse, Diego informou que geralmente é a perícia quem vai apurar os fatos e identificar os responsáveis.

Medo de acidentes impera na região do Comércio

Quem trabalha na região e está mais atento ao risco, fica apreensivo com a possibilidade de acontecer algum tipo de acidente grave. “É muito perigoso um aparelho desse tamanho e peso cair na cabeça de uma pessoa e acontecer uma tragédia. Tinha um ar condicionado mesmo aqui no prédio ao lado que eu avisei ao síndico para poder retirar, já que ele estava muito deteriorado e podia despencar a qualquer momento. Ainda bem que ele me ouviu”, disse o chaveiro José Bonfim.

“Muitos deles estão corroídos e sem manutenção. Quem anda por aqui tem que ficar atento e olhar mais pra cima, como eu faço normalmente. O cuidado destes aparelhos vai ser bom para a segurança de todos”, falou o taxista, Antônio Carlos. “O problema é quem não sabemos a quem apelar já que muitos destes prédios aqui, além de antigos, são privados”, reclamou a educadora, Marta Santos.
A equipe da TB entrou em contato com a assessoria de comunicação da Prefeitura Municipal de Salvador para saber havia algum órgão responsável pela fiscalização destes aparelhos que não passam por manutenção. No entanto, a assessoria informou não conhecer qualquer secretaria que esteja incumbida por estes registros dentro da estrutura do município.

Fonte: Tribuna da Bahia


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