Argentina discute projeto de lei que torna cantada em crime

No Brasil, cantada não é crime. Mas pesquisa mostra que 89% das mulheres odeiam esse tipo de assédio.

E da Argentina vem uma nova polêmica. O Congresso está discutindo um projeto de lei que torna a cantada um crime. Os homens que mexerem com as mulheres na rua, de forma desrespeitosa, podem ser multados.

É uma cultura bem latina. Toda mulher já ouviu um ‘fiu-fiu’ na rua.“Se a gente disser coisas agradáveis, o que há de errado nisso?”, questiona o pedreiro.

Quem sofre o assédio diariamente, pensa diferente. A estudante Aixa Rizzo, de 21 anos, se cansou das cantadas dos operários da obra no caminho de casa. Ela pediu que eles parassem, mas a situação só piorou. Aixa conta que alguns começaram a segui-la, com ameaças de violência física. Ela procurou a polícia, mas não adiantou nada. Foi então que ela decidiu gravar um vídeo e postar na internet. Mais de meio milhão de pessoas assistiram e o assunto virou debate nacional.

Parlamentares apresentaram três projetos de lei para tornar crime as cantadas agressivas. Quem desrespeitar as mulheres, será multado. A deputada, uma das autoras do projeto, acredita que os homens só vão mudar de postura quando sentirem no bolso. Segundo ela, esse seria um passo importante para combater a violência de gênero, que ainda é muito forte na Argentina.

O machismo é um problema em vários países da América Latina. A violência contra a mulher vai das cantadas vulgares a agressões físicas. O primeiro país a começar dar um basta nessa situação foi o Peru. Lá, já é lei: cantada agressiva é crime, só falta regulamentar a pena. Os defensores da nova lei dizem que essa mudança é um avanço e precisa ser seguido pelos países vizinhos da região.

Pesquisa brasileira mostra que 89% das mulheres detestam assédio nas ruas

No Brasil, cantada não é crime. Mas uma pesquisa mostra que as mulheres odeiam esse tipo de assédio. E, dependendo da abordagem, o caso pode sim terminar na polícia.

No vai e vem das ruas, os ouvidos femininos nem sempre são respeitados. “Gostosa, começam a assoviar, isso aí me ofende, eu não gosto’, conta a estudante Rosângela Lacerda.

E é assim que pensa a maioria das mulheres brasileiras. Em uma pesquisa realizada em 120 cidades, 89% das entrevistadas disseram que detestam ser assediadas nas ruas, principalmente, quando eles pegam pesado no vocabulário.

“Aquelas que são bem pejorativas, que levam pela questão da sexualidade, do corpo da mulher. Particularmente, não gosto”, diz a estudante Gabriela Gardenia.

Segundo a mesma pesquisa, 41% dos homens acreditam que as mulheres gostam das cantadas nas ruas. Mas o Bom Dia Brasil não conseguiu encontrar nenhum que admitisse fazer isso. Ou pelo menos, que continue agindo assim. “Ah, falei besteira, hoje em dia não falo mais. Tipo assim: gostosa, jamais faria isso hoje”, conta o fisioterapeuta Jucélio Carvalho Jesus

No Brasil, cantada não é crime. Não há na nossa legislação nenhum artigo específico sobre esse tipo de conduta. Mas que ninguém pense que pode sair por aí impunemente dizendo o que bem quiser para quem bem entender. Se houver excessos, a coisa pode complicar.

O advogado Fabiano Pimentel fala em crime de injúria, com pena de um a seis meses de prisão. “Se ela é excessiva, se ela passa a atingir a honra subjetiva da mulher com expressões grosseiras, xingamentos, ela pode caracterizar um crime de injúria”, explica.

Talvez seja hora de começar a ouvir o que elas pensam sobre as chances de quem insiste com isso.  “Não funciona, tentem outra coisa, mas não funciona, não mesmo”, afirma a gerente de expansão Daniele Oliveira.

Fonte: Bom dia Brasil


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