Ato na Paulista com 19 sacos pretos lembra vítimas da chacina em SP

Protesto cobra autoria da chacina que deixou 19 mortos em Osasco e Barueri.
Nesta quinta-feira, morreu a 19ª vítima, uma adolescente de 15 anos.

Dezenove sacos pretos lembram vítimas da chacina (Foto: Maecos Moraes/Brazil Photo Press/Estadão Conteúdo)

Dezenove sacos pretos lembram vítimas da chacina (Foto: Maros Moraes/Brazil Photo Press/Estadão Conteúdo)

Dezenove sacos pretos cobrindo corpos de papel foram colocados na calçada da Avenida Paulista em frente ao Masp na manhã desta sexta-feira (28). O protesto que também conta com uma faixa com a pergunta “Quem matou 19?” cobra a autoria da chacina que deixou 19 pessoas mortas em Osasco e Barueri no último dia 13 de agosto.

 

Leticia da Silva morreu duas semanas após ser baleada em Osasco (Foto: Reprodução/TV Globo)

O ato foi organizado pela ONG Rio de Paz, que no último dia 20 realizou protesto semelhante na Paulista.

A adolescente Letícia Vieira Hillebrand da Silva, de 15 anos, que morreu na madrugada desta quinta-feira (27) em decorrência de uma infecção abdominal, foi enterrada por volta de 16h30 no Cemitério Parque do Jaraguá, na Zona Oeste de São Paulo. Letícia é a 19ª vítima da chacina.

Cerca de 150 pessoas participaram do velório e do enterro. Alguns familiares chegaram em ônibus. Ninguém quis falar sobre a morte da jovem. Letícia passou a ser a pessoa mais jovem a morrer na chacina.

Letícia da Silva foi baleada no abdômen na Rua Suzano, em Osasco. Ela era moradora da cidade e foi encontrada ferida ao lado da motorista Eugenia Monteiro de Oliveira, de 27 anos, que também foi levada com vida ao Hospital Municipal Antonio Giclio. As duas estavam na calçada quando foram atingidas pelos disparos.

Até o momento, seis pessoas que foram vítimas dos ataques em série sobreviveram à chacina. Pelo menos três feridos ainda estão internados em hospitais da região. Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria estadual de Saúde, Guilherme Moreira, que estava internado no Hospital Regional de Osasco, teve alta médica no sábado (22). Os familiares não autorizaram a divulgação do estado de saúde dele.

Investigação
A Polícia Civil passou a investigar quatro guardas-civis (GCMs) de Barueri, na Grande São Paulo, pela chacina na cidade e também em Osasco. Eles foram ouvidos e negam o crime.

Agora, o número de suspeitos do crime ocorrido em 13 de agosto subiu para 23, informou o SPTV na quarta-feira (26). Além dos GCMs, 18 policiais militares e um segurança que pode ser marido de uma PM de Osasco são investigados.

Família não autorizou a entrada de jornalistas no enterro de Letícia no Cemitério do Parque Jaraguá, na Zona Oeste de São Paulo (Foto: Carolina Dantas/G1)
Família não autorizou a entrada de jornalistas no enterro de Letícia no Cemitério do Parque Jaraguá, na Zona Oeste de São Paulo (Foto: Carolina Dantas/G1)

Um soldado da polícia foi preso após ser reconhecido por uma testemunha. Fabrício Emmanuel Eleutério teve a prisão preventiva decretada na noite de quarta-feira e será transferido para o presídio Romão Gomes, na Zona Norte de São Paulo.

O soldado está em prisão administrativa na Corregedoria desde sábado (22) porque foi reconhecido por foto por um sobrevivente da chacina. Na terça (25), o PM que trabalha atualmente em serviços internos nas Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) passou a tarde no DHPP, e a mesma vítima fez o reconhecimento pessoal. Esse foi o argumento da Polícia Civil para pedir a prisão temporária do soldado por 30 dias.

Depois de ouvir do sobrevivente que o policial estava num dos locais dos ataques, em Osasco, os delegados ofereceram um acordo de delação premiada, para que ele indicasse outros participantes da chacina. O soldado, porém, recusou e manteve a versão de que, na noite da chacina, jantou na casa da namorada e depois foi dormir na casa dele. Segundo a polícia, ele não conseguiu comprovar o álibi até agora.

Corregedoria da PM investiga 18 policiais suspeitos de participação nas mortes (Foto: Reprodução/TV Globo)
Corregedoria da PM investiga 18 policiais suspeitos de participação nas mortes (Foto: Reprodução/TV Globo)

Agora, a Força-Tarefa vai pedir que a Corregedoria apresente os outros 17 policiais que estão sendo investigados. Sete deles são das Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas (Rocam) de Osasco. Na noite da chacina, eles chegaram juntos a um bar no Parque São Domingos, Zona Oeste de São Paulo.

Em depoimento, eles disseram que faziam uma confraternização, mas a Corregedoria suspeita que eles tenham ido para lá comemorar ações que acobertaram ou participaram.

Uma das hipóteses é que os crimes foram uma vingança pela morte de um policial militar num posto de combustíveis uma semana antes da chacina.

No começo da tarde desta quarta, um jovem se apresentou na delegacia de Barueri como sendo um dos criminosos que participou do assalto a um mercadinho que terminou com a morte de um guarda de Barueri, dois dias antes da chacina. Os três assaltantes frequentavam o bar onde oito pessoas foram mortas em Osasco.

Ataques em série
No dia 13 de agosto de 2015, 18 pessoas foram mortas e sete ficaram feridas em ataques realizados por indivíduos armados em 10 lugares próximos, em um espaço de tempo de ao menos três horas, nas cidades de Barueri e Osasco, ambas na Grande São Paulo. Uma adolescente de 15 anos, que estava internada, morreu nesta quinta-feira porque não resistiu a uma infecção no abdômen, segundo a Secretaria de Estado da Saúde.

De acordo com alguns testemunhos e gravações de câmeras de segurança, um grupo de pessoas armadas usou veículos para se locomover entre os lugares. Eles perguntaram sobre antecedentes criminais e atiraram. Segundo as autoridades, um mesmo veículo teria sido visto em vários dos lugares onde ocorreram os crimes.

Fonte: G1


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