Aumento de taxas e impostos preocupa os baianos

O começo de ano chega e, com ele, aparecem também os chamados aumentos programados de alguns serviços. Acréscimos na conta de luz, IPTU, IPVA, material escolar, mensalidade, gasolina, entre outros, têm deixados muito baianos preocupados com o orçamento. Afinal, com uma carga tributária tão grande logo no começo de 2015, a população vai ter que mexer ainda mais no bolso e readequar o orçamento para que as contas possam fechar.

Só para se ter uma idéia, na gasolina, os aumentos no ICMS, no IOF, no PIS e no Confins, anunciados pelo Ministro Joaquim Levy, podem fazer com que o valor do combustível chegue a custar até R$ 3,50 nos postos da capital baiana. Além disso, mais uma má notícia para aqueles que já haviam achado ruim a elevação na conta de luz. A alta de R$ 0,15 no preço do litro do diesel, também divulgada essa semana, deve deixar mais cara a energia para o consumidor, já que o combustível é usado nas termelétricas.

Nos cosméticos, um decreto presidencial vai igualar o setor atacadista e o industrial no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Segundo Levy, a medida apenas torna equalizada a tributação ao longo da cadeia de produção e distribuição. Com a decisão, o governo pretende arrecadar, este ano, cerca de R$ 650 milhões. Quanto a IPTU, a Prefeitura de Salvador já havia anunciado, no final do ano passado, um aumento de 6,5% no imposto para 2015.

Já o IPVA ficou 3,5% mais barato, segundo o Governo Estado. Além disso, os juros para o financiamento da casa própria pela Caixa Econômica Federal, através do Sistema de Financiamento Habitacional (SFH), para imóveis de valor até R$ 750 mil, por exemplo, subiram de 8,75% para 9% ao ano. No Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), com valores acima de R$ 750 mil, o aumento foi de 9,10% para 10,70%. Isso para quem é cliente do banco.

Ano de aperto para os contribuintes

De acordo com o economista Britto Santos, este será um ano de muito aperto. “Haverá uma dificuldade bem grande, tanto para o consumidor, quanto para todos os seguimentos da economia, por conta da aceleração da inflação. Com todas essas incertezas com relação à economia, os comerciantes elevaram o valor dos seus produtos para poder ter o retorno esperado. O aumento do salário teve um efeito significativo no repasse dos custos e quem sofre mais com isso é a classe média. Todos os contribuintes serão prejudicados.”, disse.

O especialista, por outro lado, dá algumas dicas para que a população tenha condições de manter o orçamento em ordem neste período tão turbulento: “As pessoas devem procurar consumir os produtos considerados de primeira necessidade, como os de higiene e alimentação, além de ficar atentos ao condomínio e a conta de energia, que fazem parte da vida do ser humano. Evitar, claro, consumir por impulso e estender o pagamento de cartão de crédito, já que os juros ultrapassam a casa dos 200% ao ano”, alertou.

Com relação ao material escolar, Britto recomenda que os pais devam antecipar as compras o quanto antes e pechinchar sempre que for possível, evitando a utilização do cartão de crédito na hora de fazer os débitos. Já quanto ao IPTU e o IPVA, ele recomenda que a melhor opção seja sempre pagar a vista. “Mas, se for parcelar, é bom tomar cuidado com os juros. O imposto dos automóveis, por exemplo, se não for pago na data correta, implicara numa sobrecarga no valor final”, falou.

O importante, segundo o economista, é que as pessoas fiquem atentas aos prazos e pagamentos para fazer um bom fluxo de caixa. Mas, e no caso do cidadão ter apenas dinheiro para pagar um dos dois impostos, por exemplo? “A pessoa deve priorizar o IPVA, já que, em caso de irregularidades, o carro da pessoa pode ser apreendido em uma blitz, além de ser um grande vexame para o condutor por conta da dívida acumulada. O IPTU pode ser negociado depois com a Prefeitura”, alertou.

População reclama

Nas ruas da capital baiana, as queixas são grandes, principalmente com relação ao aumento nas contas de energia, IPTU e material escolar. “Não tem jeito, a gente tem que se programar, afinal, a gente não tem direito de opinar em nada, só cumpre obrigações. Se não pagarmos, não teremos o serviços disponíveis”, reclamou a secretária Zélia Ferreira. Ela, que comprava material escolar para os filhos, diz ter gasto o triplo na compra dos itens este ano, em relação a 2014. “Acho que educação é a prioridade e tento manter as contas dentro do meu orçamento. Infelizmente o salário, que deveria acompanhar a inflação, não aumenta e cada vez mais o cinto aperta”, comentou.

“A gente tenta se virar na medida do possível, acaba tirando de uma despesa e colocando em outra”, falou a vendedora Rosane Arcanjo que, para equilibrar o orçamento, diz ter cortado despesas com roupas e sapatos, elegendo como principal vilão os aumentos na conta de luz. “Está muito difícil. Depois da Copa eu acredito que as coisas pioraram. A gente vai tentando sanear as contas na medida do possível. Desde novembro, por exemplo, mudei meu plano de telefone fixo para tentar economizar nas contas. Mas é complicado, ainda mais com esse IPTU e o preço da gasolina”, ponderou.

Taxista, Adnaldo Oliveira, diz que agora tem que trabalhar ainda mais para pagar as contas de casa. “IPTU, aluguel, combustível e material escolar ficaram muito caros. Um absurdo. Se antes pagava cerca de R$ 40 por mês de energia, agora pago mais de R$ 60, mesmo tendo o mesmo consumo.

Fonte: Tribuna da Bahia


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