Bahia é segundo Estado com mais assassinatos de mulheres em casa

A Bahia continua apresentando altos índices de violência doméstica. Durante a assinatura do Pacto pelo Enfrentamento à Violência contra Mulheres, que aconteceu na tarde de ontem na sede da União dos Municípios, a secretária de Políticas para as Mulheres do Estado da Bahia, Vera Lúcia da Cruz Barbosa, informou que o estado baiano ocupa a 2ª posição no ranking nacional de homicídios femininos no âmbito doméstico.

O Pacto pelo Enfrentamento à Violência contra Mulheres, que teve sua primeira assinatura em 2008, foi reforçado com a repactuação de alguns municípios, além de outros municípios que assinaram o pacto pela primeira vez.

Com o foco na redução dos índices de violência contra o segmento feminino, no total, representantes de 116 municípios baianos assinaram o pacto na tarde de ontem, que contou com a presença do governador Jaques Wagner, da presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB) e prefeita de Cardeal da Silva, Maria Quitéria, da secretária de Políticas para as Mulheres do Estado, Vera Lúcia Barbosa, do vice governador Otto Alencar, representantes do Ministério Público e da Defensoria Pública, além do Tribunal de Justiça.

Durante o evento, a presidente de UPB falou sobre a necessidade de fortalecer laços com as prefeituras municipais. “Precisamos fortalecer com a prefeitura a necessidade de criar espaços internos, e criar políticas públicas para que seja inibido o ato de violência. Porque, muitas vezes, não é só a violência doméstica, é a violência contra a mulher em todos os aspectos.”, disse.

Ainda de acordo com Maria Quitéria, é preciso criar um sentimento de defesa para que as pessoas se sintam inibidas a praticar violência contra a mulher. “Os municípios precisam trabalhar mais no acesso à informação, de como a mulher deve reagir em casos desses. Temos que criar núcleos em cada município”, afirma a presidente da UPB.

O governador Jaques Wagner afirmou que para diminuir o índice de violência contra a mulher, é preciso investir no processo de conscientização e de aprimorar a punição àqueles que cometem o crime.

“Estamos nos esforçando para ampliar a rede de atendimento e de acolhimento à mulher, vítima de violência. Essa é uma luta diária. Além disso, trabalhamos com a conscientização por meio de palestras em escolas, em associações porque acreditamos que o combate à violência começa com a conscientização”, disse o governador.

Porto Seguro lidera ranking

No país, a cada 10 minutos, em 100 mil mulheres dez são assassinadas. Apesar dos quase 7 anos da lei Maria da Penha, o índice de violência contra a mulher vem aumentando significativamente na Bahia, é o que afirma a presidenta do Conselho Municipal da Mulher, Madalena Noronha.

“Entre os 50 primeiros municípios com alto índice de morte de mulheres, nós temos 22 que estão na Bahia. É um número muito grande. As mulheres têm morrido pelo fato de serem mulheres”, afirma Madalena. Dentre os municípios baianos, Porto Seguro lidera o ranking de fenimicídios.

Também presente no evento, a coordenadora do Grupo de Atuação Especial em Defesa da Mulher do Ministério Público (Gedem), Márcia Teixeira, chamou a atenção para o fortalecimento de programas que previnam esse tipo de violência

.“O mais importante de tudo é que comecemos a trabalhar a questão da educação cultura. Não temos nenhum programa de atenção aos agressores. Tem a questão cultura, do machismo, do alcoolismo, tem uma série de coisas que precisam estar sendo olhadas pelas políticas públicas, senão vamos apenas encarcerar os homens e tentar paliativos para tratar as mulheres”, explica Márcia.

Durante a assinatura do compromisso, prefeitas e deputadas receberam flores por lutarem diariamente pelos direitos das mulheres.

Fonte: Tribuna da Bahia

Imagem: Ilustração


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