Baiana cria campanha para arrecadar dinheiro e estudar fora

Débora (C) já participou de um projeto de Jovens Embaixadores e morou nos EUA por três semanas - Foto: Reprodução | Facebook

A baiana Débora Queiroz realizou um sonho: foi aceita na Mount Holyoke College, em Massachusetts, nos Estados Unidos, para estudar Critical Social Thought (Pensamento Social Crítico, curso que não tem similar no Brasil). Ela passou por todo o burocrático processo: fez os testes de proeficiência no idioma, tirou ótimas notas no ensino médio e conseguiu cartas de recomendação para se mostrar apta a ingressar na universidade americana.

Porém, ainda há um empecilho. Ela precisa de US$ 60 mil anuais para bancar os custos dos estudos. Para conseguir esse valor, a jovem de 18 anos entrou na onda do crowdfunding, plataforma de financiamento coletivo, e criou o #deboranoseua no site Benfeitoria. Pelo site, é possível que qualquer pessoa contribua com um valor mínimo de R$ 10 e, a partir de R$ 15, os benfeitores vão receber recompensas que vão desde agradecimento por e-mail até vídeo de um tour feito por Débora na Universidade.

Com a bolsa de estudos que recebeu e um empréstimo que a universidade ofereceu, Débora já conseguiu US$ 46.796. Mas ainda não é suficiente. “Pedi ajuda porque passei pelas partes mais difíceis do processo: aprendi o idioma, fui aceita pela Universidade e ganhei parte da bolsa. Não queria deixar de realizar o sonho por uma questão financeira”, disse Débora, que estudou no Colégio Militar da Bahia.

A baiana já conseguiu 26 benfeitores, tendo arrecadado R$1.565 da meta de R$ 20 mil do site. Ela reconhece que está tendo um pouco de dificuldade na arrecadação, que começou há três semanas. “Mas acredito que vou alcançar a meta”, disse esperançosa. Ainda restam 53 dias para o fim do financiamento e ela criou até um vídeo no Youtube para ensinar como a doação pode ser feita – no perfil dela do Facebook, há ainda uma conta em um banco para depósito.

Início do sonho

Ela decidiu ir para os Estados Unidos após participar do English Immersion Program em 2013, programa de imersão na cultura americana. Ela gostou do estilo de vida e viu que era realmente algo que a agradava. O idioma não foi um problema. Desde os oito anos ela estuda inglês. Na época, lia as palavras no dicionário que ganhou na escola. Também alugava filmes e assistia uma vez em português e, na segunda, com legendas, para poder ouvir a pronúncia das palavras. “Não sei como adquiri a facilidade de falar, mas praticava sozinha”, lembrou.

Os pais, o servidor público Marcílio Dias e a dona de casa Gildete Queiroz, estão orgulhosos e felizes com as possibilidades da filha. “Eles só estão preocupados porque posso me frustrar. Mas acredito que nada é em vão. Estou investindo nessa e me jogando com tudo, para depois não vir a me arrepender”, disse. Os amigos e colegas também apoiaram a iniciativa de participar do crowdfunding.

A baiana garante que volta ao Brasil após os quatro anos do curso, mas não descarta uma possível pós-graduação ainda lá fora. “Uma das coisas que o Colégio Militar me ensinou é amar o meu país. Vou trabalhar para ajudar as pessoas da educação pública. Muitos desistem dos sonhos e não ouvem nenhuma palavra de apoio para ir além”, afirmou.

Fonte: Portal A Tarde


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