Brasil: destino da primeira missão empresarial de mulheres turcas

País, 6º fornecedor da UE, tenta diversificar mercados; curiosidade sobre novela marca visita

Efsane Turan só lamenta duas coisas de sua visita ao Brasil, no início de março. Uma é o pouco tempo para fazer turismo. Outra foi não ter podido assistir mais cenas da novela Salve Jorge. 

“Disseram-me que as mulheres usam o lenço com o cabelo aparecendo. Mas, na Turquia, se uma muçulmana usa o lenço, cobre todo o cabelo, por exemplo”, diz ela. 

Os negócios, que eram o objetivo principal da viagem, correram muito bem –  refletindo o que tem acontecido com as vendas da Turquia para o Brasil nos últimos anos.  Entre 2007 e 2012, as importações cresceram 360%, para US$ 964 milhões, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento. As exportações brasileiras aumentaram, só que mais timidamente: 74%, para US$ 1,2 bilhão no mesmo período.

“Receberei uma visita daqui a 15 dias em Istambul, de interessados em nossas bermudas. E há outras pessoas que se interessaram em camisetas”, diz Efsane, diretora da fábrica de roupas masculinas Hatemoglu e uma das 23 mulheres de uma inédita missão empresarial internacional exclusivamente feminina da Turquia.

O evento foi organizado pela Tuskon, a associação industrial do país. O Brasil foi o primeiro destino.

“Para entrar na América Latina, temos que entrar no Brasil”, diz, Yüksel Isik Nalbant, membro da Tuskon e diretora da Ada Trade, de comercialização de máquinas para indústria têxtil e metal-mecânica, não vendo a hora de terminar a rodada de negócios na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). São Paulo nem a assustou.

“É exatamente como Istambul: cheio de gente e de trânsito.“

Segundo Ali Sipahi, diretor da Asociação Empresarial Brasil-Turquia, parte das empresárias fala em voltar para fechar os negócios alinhavados durante a visita.

‘Fábrica da Europa’

Sexto maior parceiro comercial da União Europeia (UE), a Turquia tem visto o espaço para os seus produtos diminuírem por lá. Em 2007, o bloco respondia por 3,3% das importações do bloco, parcela que caiu para 2,5% no terceiro trimestre de 2012, segundo dados da Diretoria Geral de Comércio da UE

 Ainda assim, em 2011, o país vendeu US$ 47 bilhões – 46% das exportações – ao exigente mercado europeu. Um cartão de visitas nada negligenciável na necessária busca por outros parceiros comerciais. O Brasil, com o equivalente a 40% da população do bloco e uma economia relativamente mais aquecida (em 2012, o PIB do País cresceu 0,9% ante uma queda de 0,3% no da UE), é alguém interessante para quem entregá-lo.

“A Turquia é a fábrica da Europa. Todo mundo sabe, na África e no Oriente Médio, que os produtos que compram de países europeus são todos produzidos na Turquia. Então há um alto padrão de produção”, argumenta Efsane, da Hatemoglu e também membro da Tuskon.

O cônsul-geral do país em São Paulo, Özgun Arman, reconhece um interesse crescente dos brasileiros pelo país. “Há voos da Turkish Arilnes quatro vezes por semana para a Turquia, e estão sempre cheios”, diz. Segundo ele, o número de turistas brasileiros saltou de 30 mil em 2011 para 100 mil em 2012.

“No voo de volta eu encontrei com um casal de brasileiros e eles me mostraram mais algumas cenas da novela. Não entendi nada, mas deu para ver as roupas”, diz Efsane.

Esse maior fluxo, avalia o cônsul, pode ajudar a estimular negócios entre os dois países, mas a similaridade das indústrias e a carga tributária brasileira são vistas como entraves. Atualmente, há 20 empresas turcas no Brasil. 

“Acho que os compradores estão conhecendo cada vez mais o mercado turco e isso vai aumentar as exportações, mas as barreiras tarifárias deixam o empresariado turco um pouco tímido para estabelecer negócios no Brasil”, diz.

Fonte: iG

 

 


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