Brasil está perdendo seus jovens de até 17 anos para o crime organizado

Com idades entre 14 e 17 anos, negros, escolaridade em atraso e moradores da periferia, são os dados do perfil dos jovens vitimados pelo tráfico de drogas ou outras atividades ilícitas.

De acordo com o Índice de Mortalidade de Adolescentes (IHA), até 2016, 36.735 brasileiros entre 12 e 18 anos não completarão a adolescência. A Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP) ainda não disponibilizou ao Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (Cedeca) dados sobre a quantidade de adolescentes assassinados na Bahia este ano. Contudo, o Centro afirma que há estimativas de que houve um aumento em relação ao ano passado.

Os recentes casos vitimando menores de idade têm chamado atenção para a quantidade de adolescentes envolvidos com atividades ilícitas. No último dia 16, um adolescente de 14 anos foi assassinado a tiros enquanto, supostamente, comprava drogas em um imóvel situado na rua da Ilha, Itapuã. Roqueline Duarte dos Santos, 32, que seria a traficante do local, também morreu.

Na mesma semana, dois adolescentes (um de 14 e outro de 17) foram assassinados na cidade de Candeias, Região Metropolitana de Salvador. De acordo com informações da polícia, os dois foram alvejados por vários homens armados.

Já no bairro do Rio Sena, um adolescente de 15 anos sofreu uma tentativa de assassinato dentro da própria casa. Segundo informações da polícia, o imóvel foi invadido por homens armados que balearam o menor em diferentes partes do corpo.

 De acordo com o coordenador do Cedeca, Waldemar de Oliveira, os recentes casos indicam um aumento no índice de adolescente assassinados, mas ainda não há dados que confirmem a situação.

“Pelos recentes casos, posso dizer que houve um aumento, pouco significativo. De qualquer forma não posso afirmar isso em números, pois há três meses enviei ofício à SSP em busca desses dados, mas não obtive retorno. Sempre conseguimos através do Instituto Médico Legal (IML), mas quando solicitei os números de 2013 e 2014 fui informado que só através da SSP. Tenho tentando por diferentes meios, mas ninguém me fornece esses números. Só posso acreditar que houve um aumento”, disse o coordenador.

Ainda de acordo com Waldemar de Oliveira, seis bairros da capital baiana têm maior incidência de homicídios envolvendo adolescentes, geralmente entre 14 e 17 anos. “Sabemos que os bairros Nordeste de Amaralina, Bairro da Paz, Sussuarana, Mata Escura, Plataforma e Fazenda Grande do Retiro têm maior número de vítimas menores de idade.

Por causa disso, há três anos estamos realizando um projeto contra crimes envolvendo menores de idade e já percebemos que houve uma redução em Fazenda Grande do Retiro, Plataforma e Sussuarana”, disse o coordenador.

Dados do IHA ainda apontam que houve uma redução da violência contra jovens no Sudeste, mas um aumento preocupante no Nordeste, justamente em cidades onde a desigualdade social está em queda. Os números ainda alertam que, para cada mil pessoas de 12 anos, 2,98 serão assassinadas antes de completar 19 anos, o que representa um aumento de 12% em relação a 2009, quando o índice foi de 2,61. A maioria das vítimas é homem e negro.

Segundo Waldemar de Oliveira, a falta de investimentos em políticas públicas é o principal agente motivador do número de homicídios envolvendo adolescentes. “Estes jovens precisam de centros de cultura, incentivos ao teatro, dança, música e esportes. Hoje em dia temos poucas áreas de lazer para os adolescentes e os campos de futebol estão, cada vez mais, sendo tomados por residências”, afirmou.

Fonte: Tribuna da Bahia

Imgem: Ilustração


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