CCJ do Senado aprova recondução de Janot ao cargo de procurador-geral

Foram 26 votos a um, mas o plenário do Senado ainda tem que votar a recondução de Rodrigo Janot. Na CCJ a sabatina durou mais de dez horas.

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou a indicação de Rodrigo Janot para um novo mandato à frente da Procuradoria Geral da República. Foram 26 votos a um, mas o plenário ainda tem que votar a recondução dele. Na CCJ a sabatina durou mais de dez horas.

Corredor lotado. A Comissão de Constituição e Justiça não tinha mais espaço. O procurador-geral, Rodrigo Janot, chegou cercado por seguranças e abriu a sabatina falando que não faz diferença entre as pessoas.

“Pau que dá em Chico, dá em Francisco transmite à sociedade uma mensagem essencial de igualdade, de republicanismo, de isenção de privilégios, de impessoalidade e, antes de tudo, de funcionamento regular do estado”, afirmou Janot.

Ele recebeu elogios de senadores do governo e da oposição.

“O senhor procurador preenche todas as condições para exercer e continuar exercendo essa importante função”, disse José Pimentel (PT-CE).

“O senhor contribuiu com seu trabalho para a afirmação da instituição do Ministério Público Federal”, afirmou Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP).

Mas também foi cobrado e teve que defender a delação premiada na investigação da Lava Jato.

“O colaborador não é um dedo-duro, x9, um alcaguete. Compete ao Ministério Público fazer as comprovações. Fazendo essas comprovações, aí sim ganha força o depoimento do colaborador”, disse Janot.

A comissão tem 27 senadores, entre eles dez investigados pelo próprio Janot na Operação Lava Jato. O senador Fernando Collor de Mello, que já foi denunciado pelo procurador no Supremo, por desvio de dinheiro da Petrobras, disse que Janot contratou uma empresa de comunicação sem licitação. O procurador disse que foi uma prestação de serviços de consultorias e que não houve irregularidade. Collor também acusou Janot de vazar informações da Lava Jato.

“Nós estamos aqui diante de um catedrático em vazar informações. Vazar informações que correm sob segredo de Justiça e violar segredo de Justiça é crime previsto no Código Penal”, acusou Collor.

“Eu nego, portanto, que eu seja um vazador contumaz, eu sou discreto, não tenho atuação midiática”, respondeu Janot.

Ainda sobre o escândalo na Petrobras, Rodrigo Janot disse que em 31 anos de Ministério Público jamais viu algo desse tamanho. Ele foi perguntado sobre a existência de um chamado acordão para punir alguns políticos e livrar outros.

“Que envolveria o procurador da República, a presidência da República e lideranças políticas supostamente envolvidas na Operação Lava Jato”, afirmou Álvaro Dias (PSDB-PR).

“Ainda que eu quisesse fazer um acordo desse, eu teria que combinar com os russos. São 20 colegas que trabalham nessa questão e mais um grupo de delegados muito preparados e muito profissionais da Polícia Federal. E vamos convir que isso aí é uma ilação impossível”, respondeu Janot.

Fonte: G1 / Jornal Nacional


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