Clientes reclamam pela internet de assédio de atendentes e taxistas

Polícia investiga um dos casos porque o atendente de telemarketing disse para a cliente que eles têm acesso a todos os dados.

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Imagina você em casa e chega uma mensagem no celular de alguém que você não conhece dizendo que gostou da sua voz ou que achou a sua foto bonita. Agora imagina descobrir que essa pessoa é um atendente da sua TV a cabo, da operadora de celular ou um taxista daqueles aplicativos de celular.

Não aconteceu uma nem duas vezes, não. Essa semana, um monte de gente foi para internet reclamar que estava sendo assediado dessa maneira. Virou caso de polícia.

A polícia começou a investigar pelo menos um desses casos porque o atendente de telemarketing disse para a cliente que eles têm acesso a todos os dados: endereço, número de documentos. E que nem adiantaria processar porque não daria em nada. É uma situação assustadora e perigosa.

Primeiro foi o constrangimento dentro do táxi. “O motorista começou a dizer que eu era bonita, falou que era uma pessoa muito interessante e eu comecei a achar aquilo meio estranho”, diz a antropóloga Daniela Ferreira Araújo Silva.

Nos dias seguintes, o taxista aproveitou o número da Daniela, que tinha pedido a corrida por um aplicativo e, segundo ela, continuou o assédio. “Ele ficou mandando mensagens no meu celular. E eu achei isso extremamente inconveniente e assustador”, conta Daniela Ferreira Araújo Silva.

Para Daniela, foi mesmo só um susto e parou por aí. “De um período de mais ou menos um mês e meio, dois meses, eu não recebi mais mensagens, acho que ele desistiu.

Ana passou por uma situação parecida esta semana. Só que as mensagens vieram pelo aplicativo de uma rede social. “Foi um número que eu não conhecia com um DDD estranho. Ele falou: ‘falei com você de manhã, e aí na hora, a única pessoa com quem eu tinha falado de manhã foi um operador de telemarketing querendo me vender um pacote de uma empresa de telefonia e TV a cabo. Fui até tentar ser brother dele e falar: cara, isso não pode, é invasivo. Você pode ter problemas inclusive. Não ameacei ele nem nada. Ele deu risada, debochou, pedi para ele deletar meu número, ele se recusou a deletar, falou você pode me processar, eu vou ganhar a causa. Então quer dizer, ele deve estar acostumado a fazer isso o tempo todo, deve ser uma coisa comum no ambiente onde ele trabalha”, relata a jornalista Ana Prado.

Entre as mensagens que o atendente escreveu, uma frase chama a atenção e preocupa: ‘Nós temos acesso a todos os dados dos clientes’. Isso mostra que o assédio é só um dos problemas que podem ser provocados quando essas informações caem nas mãos de pessoas mal intencionadas.

Para o advogado especialista em direito do consumidor Arthur Rollo, o cliente é colocado em risco. “Existe a possibilidade de usar essas informações do sistema para cometimentos de crimes graves como roubo à residência, sequestro, fraudes bancarias, fraudes com cartão de crédito que às vezes tem lá o número do cartão de crédito”, alerta.

A orientação é procurar a polícia para registrar ocorrência e comunicar a empresa. Foi o que Ana fez. Ela não pretende processar a empresa, nem o atendente que mandou a mensagem. Só espera que isso não se repita com mais ninguém.

“Primeiro, que elas sejam mais transparentes em relação ao que elas estão fazendo com os nossos dados e quem tem acesso aos nossos dados. E que elas não só treinem os funcionários que tem acesso a esses dados, mas também fiscalizem”, afirma Ana Prado.

Em nota, a NET informou que o funcionário que enviou as mensagens para a Ana é de uma empresa terceirizada e foi desligado. Disse ainda que está reforçando com os atendentes a orientação sobre as consequências do uso indevido de informações de clientes. Também em nota, o aplicativo Easy Taxi, usado pela Daniela, disse que passou a oferecer aos passageiros a possibilidade de revelar ou não o número do telefone para os taxistas. A Daniela não denunciou o taxista nem à polícia, nem ao aplicativo.

Fonte: G1 / Bom dia Brasil


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