Considerada ‘capital da Aids’, Santos reduz casos, mas ainda vive epidemia

Desde 2010 a cidade apresenta uma queda no número de diagnósticos.
Prefeitura afirma que tendência é que casos se estabilizem em breve.

Preservativos são distribuídos gratuitamente em postos de saúde (Foto: Mariane Rossi / G1)

Considerada a ‘capital nacional da Aids’ durante duas décadas, a cidade de Santos, no litoral de São Paulo, ainda tenta reverter esse quadro apostando em programas que são referências no combate à doença. Entre os anos 1980 e 2000, Santos viu o número de infectados crescer de forma descontrolada. Em 1996, a cidade tinha 110,37 doentes para cada grupo de 100 mil habitantes. Desde 2010, Santos apresenta uma queda e a situação ficou estabilizada mas, segundo especialistas, a cidade ainda vive uma epidemia. Apesar da situação ainda grave, entre 2000 e 2013 houve uma queda de 52% nos diagnósticos.

Dados divulgados na última quarta-feira (16) pela Unaids, programa das Nações Unidas sobre HIV/Aids, apontaram que o índice de novos infectados pelo vírus no Brasil subiu 11% entre 2005 e 2013. No mesmo período, a quantidade de casos no mundo caiu 27,5%. Em Santos, essa tendência é se estabilizar. “Vivemos uma epidemia com uma tendência à estabilização. Ainda é um quadro preocupante, mas muito melhor do que aquele que a cidade viveu durante a década de 1980”, afirma a coordenadora do Programa Municipal de Doenças Sexualmente Transmissíveis, AIDS e Hepatites Virais, Regina Lacerda.

Os números apresentados pela Prefeitura de Santos mostram uma queda no diagnósticos nos últimos anos. Em 2010 foram 156 novos casos de infecções, enquanto em 2011 foram 140 e, em 2012, 97. Em 2013, porém, a administração municipal registrou uma leve alta, quando 99 pessoas contraíram o vírus. Em 2014, segundo os dados mais atualizados, referentes ao período que compreende janeiro a maio, foram 24 casos registrados.

Campanha Fique Sabendo é realizada em todo país (Foto: Divulgação / Ministério da Saúde)Entre os fatores que mais influenciam para que Santos seja uma cidade onde o número de portadores do vírus da Aids seja alto está o fato do município possuir o maior porto da América Latina e receber milhares de turistas anualmente. “Isso torna a cidade vulnerável, já que existe uma circulação muito grande de turistas, o que aumenta a incidência de casos em que as pessoas se relacionam sexualmente e esquecem de utilizar preservativos”, diz Regina.

Apesar dos números demonstrarem uma ligeira melhora nos últimos anos, o ativista de direitos humanos na área da saúde, Beto Volpe, acredita que a realidade ainda se encontra muito distante do ideal. “Isso é mais do que previsível. O movimento de luta contra a Aids luta há muito tempo para que se repense as maneiras como fazemos o combate. A doença deixou de ser considerada prioridade e foi deixada de lado tanto por governo quanto pela população que deixou de usar a camisinha”, afirma Volpe.

Para se encontrar uma solução ao grande número de infecções que ainda são registradas anualmente, Volpe acredita que seja necessário redefinir as metas e maneira de se agir quanto ao combate da doença. “O ideal seria criar uma conferência nacional de Aids para se dar diretrizes e reformular a forma de como se enfrenta a Aids no Brasil”, conclui.

Imagem aérea do Concais durante temporada de cruzeiros marítimos (Foto: Divlugação/Concais)Santos X Aids

O primeiro caso de transmissão da doença no Brasil ocorreu no Estado de São Paulo nos anos 1980. Os números foram aumentando com o passar dos anos. A cidade de Santos se destacou na epidemia de quando a liderou durante os anos 1990 o ranking de números de casos de Aids proporcionais à população do país. Os casos eram atribuídos ao uso de drogas injetáveis e infecção direta, por meio de transmissão heterossexual, de parceiras sexuais de usuários de drogas injetáveis. Além disso, a disseminação da epidemia de Aids na população de usuários de drogas já foi bastante relacionada com as rotas escolhidas pelo tráfico para levar as drogas aos mercados da Europa e da América do Norte, sendo o Porto de Santos uma das mais importantes portas de saída da droga da América Latina.

Os programas municipais de DST/Aids, os postos de saúde preparados para receber os portadores do vírus e o Centro de Referência em Aids fizeram com que Santos se tornasse um exemplo no combate ao vírus. Campanhas constantes, distribuição de preventivos e medicamentos tiveram um papel fundamental nessa luta contra a doença. Além disso, as ONGs da região desenvolveram um trabalho de prevenção e auxílio a soropositivos da Baixada Santista, como é o caso do Grupo Hipupiara e do Grupo de Apoio à Prevenção à AIDS da Baixada Santista – GAPA/BS.

Números da AIDS em Santos ainda preocupam (Foto: Divulgação / Prefeitura de Santos)

Fonte: G1


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