Contribuinte paga conta do vandalismo

Bancos de praças, iluminação, fios elétricos, banheiros ou monumentos  públicos.  O vandalismo está presente em vários pontos e patrimônios da cidade. As manifestações, que antecederam a Copa do Mundo, tornaram esses atos ainda mais explícitos no país. No entanto, uma pergunta continua sem resposta: de onde vem tanta revolta contra os espaços públicos?

Para Lídia Cardel, antropóloga, socióloga e professora da Universidade Federal da Bahia, (UFBA), falta princípio de cidadania nas sociedades civil e pública para que a população passe a ver  o bem público como  privado.

“Sem princípio de cidadania, ele não consegue   enxergar  que  o imposto que ele paga está  embutido em tudo, desde a reforma na Orla da Barra, dos   passeios,  até  os quebra molas. Falta  sentimento de pertencimento  do cidadão com o bem publico”, pontuou a antropóloga.

Para a socióloga, é preciso uma mudança de atitude. “O Estado é abstrato. A sociedade precisa se organizar através de associações, e os governos, municipal e estadual, criarem políticas públicas de acolhimento e educação para que a população de Salvador tenha uma educação emancipada”, apontou.

O psicólogo e membro do Campo Psicanalítico de Salvador, Marcus do Rio Teixeira, diz  que a destruição ao patrimônio público é mais uma questão de cidadania do que psicológica. ”Embora não se possa traçar um perfil psicológico desse   individuo,  pode ser dizer, de uma forma geral, que essasatitudes representam que ele não se sente parte do Estado, por isso as reações sempre tão agressivas, explicou o especialista

Além de comprometerem a prestação de serviços e a propria população, os danos causados ao bem publico, exigem novos investimentos para reposição de peças e equipamentos, consumindo recursos que seriam aplicados em novas obras ou projetos.

Segundo a Secretaria Municipal da Ordem Pública (Semop) a pasta gastou só, este ano, cerca de R$ 250 mil para repor a fiação e lâmpadas destruídas com o objetivo de minar a segurança em locais em que bandidos costumam atuar.

Muitos destroem para furtar

Segundo o coordenador de Iluminação da Semop, Hélder Campos, os cabos de energia são levados para retirada do fio de cobre que tem um bom valor no mercado. O crime em geral é cometido por usuários de drogas que vendem o material para depósitos de ferro-velho.

Os locais onde os roubos ocorrem com mais frequência são as avenidas Contorno, Mário Leal Ferreira (Bonocô), Vasco da Gama, Anita Garibaldi e Carybé (ligação Aeroporto/Paralela). E ainda Ladeira da Fonte (Fonte Nova), Vale de Nazaré, Complexo Viário Dois de Julho (Aeroporto) e Orla do Subúrbio Ferroviário (Plataforma).

Para o diretor, uma das soluções para o roubo de fios de cobre é combater o interceptador. “Se quem roubou não tiver para quem vender o material que pegou, ele provavelmente não cometerá mais esse tipo de crime. Já no caso das lâmpadas, só mesmo o aumento do policiamento para coibir essa prática”, afirmou.

Na Superintendência de Trânsito e Transporte de Salvador (Transalvador) ocorrem problemas semelhantes com a fiação dos semáforos. Em 2013, o órgão teve mais de 1,3 mil metros de fios de cobre roubados, o que resultou em um prejuízo de R$ 25 mil e uma série de transtornos para os condutores e pedestres, por conta do não funcionamento dos equipamentos. Além disso, o órgão também tem que arcar com outros custos referente a roubos e pichações de placas de sinalização.

A Limpurb também sofre com o problema. Em média, 62 papeleiras e 73 contentores são destruídos  por mês. Também são frequentes os ataques a sanitários químicos.

Os roubos das tampas de poços de visita do sistema de drenagem pluvial e destruição em obras de construção de passeios e calçadas são os danos mais comuns enfrentados pela Superintendência de Conservação e Obras Públicas do Município (Sucop). As tampas de PV de ferro fundido custam em média R$ 400, mas são levadas por usuários de drogas que as vendem por até R$ 10.

A Sucop já iniciou a substituição das tampas de ferro fundido por outras polipropileno de alta densidade, sem valor comercial relevante. A estimativa é que todas as tampas serão trocadas ao longo dos próximos anos.

Fonte: Tribuna da Bahia

 


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