Controlar o sal, açúcar e peso ajudam a prevenir doenças renais

Que tal começar o dia bebendo um copo de água? Esse é o convite do Dia Mundial do Rim que, este ano, pretende difundir a ideia de que o simples ato de beber água pode proteger os rins e o risco da doença renal crônica

Você já tomou água hoje? A pergunta simples esconde um objetivo audacioso: sensibilizar o maior número de pessoas para a saúde renal e está sendo repetida em 150 países onde a campanha de conscientização é realizada, afinal a água ajuda esses órgãos –  que são os responsáveis por filtrar as impurezas do sangue, regular a composição do organismo e a pressão arterial – a trabalhar melhor e a diluir as toxinas presentes no organismo.

A mobilização em favor dos rins se justifica nos estudos realizados pela Sociedade Internacional de Nefrologia e a Federação Internacional de Fundações do Rim – idealizadores da proposta – que apontam que cerca de 600 milhões de pessoas em todo o mundo têm alguma forma de lesão renal. Na verdade, uma em cada dez pessoas tem algum grau de Doença Renal Crônica (DRC), e para a próxima década está previsto um aumento de 17% dos casos. A doença é considerada um problema global de saúde pública.

As pesquisas também detectaram que metade das pessoas com 75 anos ou mais tem algum grau de DRC. A doença renal pode afetar pessoas de todas as idades, mas após os 40 anos, a filtração renal começa a diminuir, cerca de 1% por ano. Daí a necessidade de cuidar da saúde desse órgão bebendo muita água, mantendo hábitos saudáveis e evitando os excessos alimentares.

Na maioria dos casos, as doenças renais se desenvolvem silenciosamente. Sinais como a sensação de inchaço, a pressão aumentada, cansaço e alterações urinárias são facilmente confundidos com outras enfermidades, principalmente quando já se tem uma idade avançada, e só se manifestam nas situações de maior gravidade.

Prevenção simples
De acordo com o professor de Medicina e Nefrologia da Escola Paulista de Medicina (Unifesp) e autor de diversos livros sobre o assunto Nestor Schor, medidas simples fazem toda a diferença no momento de prevenir as doenças renais crônicas, o aparecimento de cálculos (pedra nos rins) e garantir a saúde desses órgãos.

“Beber um copo de água toda manhã é uma forma de sensibilizar as pessoas, mas é fundamental fazer o controle de doenças como a hipertensão e diabetes, maiores responsáveis pela deterioração dos rins”, esclarece.

Com uma postura parecida, a também nefrologista do Hospital Português Margarida Dutra diz que pessoas com essas duas doenças e seus familiares devem ficar mais atentos para o diagnóstico precoce, mas que é fundamental que nos exames periódicos, as pessoas conversem com os seus médicos e peçam a aferição da creatina nos exames de sangue e a quantidade de proteína na urina.

“Com essas investigações simples,que podem ser feitas nos exames rotineiros, é possível fazer um controle e interferir antes que o problema se torne crônico e exija terapias renais substitutivas, como a hemodiálise ou o transplante”, esclarece a médica.

Excessos
Na lista das medidas simples que colaboram com o funcionamento dos rins, o nefrologista Nestor Schor ressalta ainda que a ajuda dada aos rins termina por favorecer a saúde de um modo  geral e aponta a importância na redução do consumo de sal; o controle no uso do açúcar, proteínas e gorduras; além da prevenção da obesidade que, por sua vez, também é fator de risco para o desenvolvimento da diabetes e hipertensão.

“Estudos da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que o brasileiro consome 12g de sal por dia, quando o máximo preconizado é a metade disso”, esclarece o médico, destacando que o sal colabora para o aumento da pressão arterial. O mesmo vale para o consumo excessivo
das proteínas e açúcares que sobrecarregam os rins.

O médico lembra que a prática de exercícios é recomendada porque além de favorecer a saúde de um modo  geral, quem pratica atividade física, periodicamente, mantém o peso equilibrado e permite que uma quantidade maior de sangue chegue ao órgão. “Uma pessoa com sobrepeso ou obesidade está com inflamação celular e essa situação maltrata o rim pela quantidade de toxina que precisa ser tratada, daí a necessidade de combater o excesso de peso”, finaliza.

Fonte: Correio 24hrs


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