Copiloto estava no comando e jogou avião contra as montanhas na França

Informação foi confirmada por procurador responsável pelas investigações. Segundo ‘NY Times’, piloto saiu da cabine e ficou preso do lado de fora.

As buscas pelos destroços do Airbus da Germanwings foram retomadas na manhã de quinta-feira (26) nos Alpes Franceses. O mistério sobre o acidente que matou 150 pessoas só aumentou com a divulgação da primeira informação da caixa-preta. A notícia foi divulgada pelo jornal americano ‘New York Times’: um dos pilotos, segundo a gravação da caixa-preta, saiu da cabine antes da queda e não conseguiu retornar ao seu posto. A porta estava trancada.

Toda a imprensa europeia aguarda com ansiedade uma entrevista coletiva dos investigadores, que podem ou não confirmar a informação de que um dos pilotos teria deixado a cabine antes do avião iniciar a queda fatal nos Alpes Franceses.

A sequência de acontecimentos descrita pelo New York Times é dramática. O jornal cita um militar não identificado que participa das investigações. Esse investigador teria ouvido as gravações registradas pela caixa-preta que já foi recuperada.

O áudio revela uma conversa normal entre os dois pilotos na primeira parte da viagem. Segundo a reportagem, um deles teria deixado a cabine, pouco antes de o avião começar a descer. Em seguida, ele tentou voltar, mas ficou preso do lado de fora.

De acordo com o investigador, é possível ouvir o piloto bater na porta, sem qualquer resposta. Em seguida, as batidas são cada vez mais fortes e o comandante chega ao ponto de tentar derrubar a porta.

Nesta quinta de manhã essa nova revelação foi o assunto mais comentado na Europa. A companhia aérea não confirmou, mas também não negou o conteúdo da reportagem. O chefe das investigações deve falar em Marselha, e a expectativa de que ele esclareça os detalhes dessa investigação.

Na quarta, ele confirmou que é possível ouvir vozes e sons na gravação da caixa-preta, mas não quis entrar em detalhes e disse que ainda vai demorar para que seja possível entender exatamente o que aconteceu.

No entanto, o investigador foi categórico ao descartar a hipótese de uma explosão no ar. Ele explicou que as informações captadas pelos radares não deixam dúvidas de que o Airbus bateu em alta velocidade nas montanhas.

A prioridade das equipes de busca é encontrar o cartão de memória da segunda caixa-preta, com os dados técnicos do voo, como velocidade e altitude. A parte externa do equipamento foi encontrada, mas o dispositivo com as informações essenciais não estava lá dentro.

Os bombeiros enfrentam a neve e as condições adversas do terreno. Eles já começaram a resgatar o que sobrou dos corpos. Famílias das vítimas em Barcelona forneceram amostras de DNA, mas, segundo os peritos, a identificação dos corpos deve levar semanas ou até meses.

Parentes de vítimas vão a cidade próxima do local do acidente

O vilarejo mais próximo do local do acidente já está preparado para receber os parentes das vítimas. A Lufthansa reservou dois voos para levar as famílias: um partindo de Barcelona e outro de Dusseldorf. Um grupo que não quis pegar o avião embarcou em um ônibus.

Na quarta, os chefes de Estado da França, Alemanha e Espanha estiveram nos Alpes Franceses para prestar homenagem às vítimas da tragédia.

O prefeito deu uma entrevista onde deu detalhes sobre a chegada de cerca de 200 a 300 pessoas das famílias das vítimas. Ao lado da prefeitura fica a única igreja da cidade, que tem feito missas em homenagem às vítimas do acidente. A cidade está toda envolvida para acolher as famílias, de forma que os hotéis foram postos à disposição de forma gratuita e pessoas abriram suas casas para as pessoas. Alguns devem voltar para casa ainda de noite, e outros devem ficar até as buscas terminarem.

Essas revelações do ‘New York Times’ provocaram uma reviravolta no caso porque torna a história ainda mais chocante, mais desesperadora. E se for verdadeiro, os passageiros provavelmente perceberam que tinha algo acontecendo.

Mistério sobre acidente continua

Toda a imprensa está dando credibilidade para essa reportagem por dois motivos. Primeiro porque o ‘New York Times’ é um dos jornais mais respeitados do mundo. E segundo porque não se trata de uma especulação ou de uma hipótese: esse é o relato de um investigador que ouviu o conteúdo da caixa-preta. Então considerando que realmente o piloto tenha ficado preso fora da cabine, muitas perguntas permanecem sem respostas.

Mas por que o piloto saiu da cabine? Por que o avião começou a descer, depois de ter atingido a altitude cruzeiro? E o que aconteceu com o piloto que ficou lá dentro, que não respondeu aos chamados e nem abriu a porta? Perguntas que os investigadores precisarão responder para explicar esse acidente, que ainda está cercado de mistério.

As duas as teorias mais discutidas agora são a de um mal súbito ou suicídio. O piloto que ficou na cabine pode ter tido um infarto e o peso do corpo deslizou a alavanca que tira o avião do piloto automático. Isso explica a questão da perda de altitude, mas não explica por que a porta estava trancada.

A outra hipótese, de suicídio, está sendo amplamente debatida. Nos últimos 40 anos, foram oito casos. O último foi em novembro de 2013, em um voo da companhia africana LAM, que ia Moçambique para Angola. As semelhanças são assustadoras: as gravações da caixa-preta também mostram que um dos pilotos saiu da cabine para ir ao banheiro e ficou trancado do lado de fora. O áudio recuperado mostrou os gritos e as batidas na porta enquanto o outro piloto mergulhava com o avião. Ao todo, 33 pessoas morreram. Nesse caso, ficou comprovado que o piloto tinha problemas mentais e a tragédia aconteceu no dia do aniversário de morte do filho dele.

Nesse caso de agora, da Germanwings, até agora a companhia aérea não divulgou a identidade dos pilotos. Apenas mencionou que o comandante tinha dez anos de experiência e seis mil horas de voo, mas não deu qualquer informação sobre o copiloto.

Entenda como é o acesso à cabine dos pilotos

O vídeo foi divulgado no site do jornal francês ‘Le Figaro’ e mostra a comissária de bordo pegando o interfone para ligar pro comandante. O sinal soa dentro da cabine, o piloto atende e ela se identifica. Ele dá o ok e só então ela digita a senha. Um sinal toca por três segundos e o piloto então aciona uma alavanca que destrava a porta. Quando surge uma luz verde, a porta se abre.

Jornal alemão revela nomes dos pilotos

Investigadores alemães confirmaram a informação de que um dos pilotos estava fora da cabine do Airbus que caiu na França. O jornal alemão ‘Bild’ revelou os nomes dos dois pilotos: um deles é o comandante de bordo Patrick S., de Dusseldorf. Ele tem dois filhos. O outro é o copiloto Andreas L., da cidade de Montabaur.

Investigadores alemães confirmaram a informação de que um dos pilotos estava fora da cabine no momento do acidente.

Investigador confirma que copiloto estava no comando na hora do acidente

Investigadores franceses disseram que o copiloto se trancou na cabine e deliberadamente fez as manobras para fazer o avião cair na direção das montanhas. Esta é a hipótese mais provável.

O chefe das investigações falou com jornalistas na cidade de Marselha, que fica perto do acidente. O investigador afirma que durante os primeiros 20 minutos de voo os pilotos conversavam normalmente. O piloto chegou a se comunicar com a torre de Dusseldorf, na Alemanha, para combinar a aterrissagem.

Em determinado momento, o piloto pediu para o copiloto assumir o comando e foi ao banheiro. O copiloto então programou a descida do avião, o que pode ser feito apenas manualmente. Depois, o piloto tentou entrar na cabine e não conseguiu. Os registros indicam que o copiloto estava vivo até o momento do impacto.

O mistério agora é: o que teria levado o copiloto a se trancar na cabine e deliberadamente manobrar o avião em direção aos Alpes Franceses, onde ocorreu a queda?

Informações afirmam que foram registrados gritos dos passageiros nos últimos segundos antes de o avião se chocar nas montanhas.

Fonte: G1 / Bom dia Brasil


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