Cortejo fúnebre de Hugo Chávez toma ruas da capital da Venezuela

Corpo do líder, morto na véspera, vai ser enterrado na sexta em Caracas.
Chanceler anunciou eleições e disse que vice assume interinamente.

O cortejo fúnebre do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que morreu de câncer na terça, aos 58 anos, tomou as ruas da capital do país, Caracas, nesta quarta-feira (6).

O caixão com o corpo do presidente morto pelo câncer, coberto com a bandeira venezuelana, deixou o hospital militar em Caracas rodeado de parentes, autoridades do governo e milhares de seguidores emocionados.

A mãe do controverso líder, Elena Frías, chorava apoiada ao caixão.

Após uma breve oração, o caixão foi colocado em um carro fúnebre e iniciou uma lenta marcha pelas ruas de Caracas, protegido por membros da Guarda de Honra.

O vice-presidente Nicolás Maduro, vestido com um casaco esportivo com as cores venezuelanas, avançava na frente do carro, junto ao presidente boliviano, Evo Morales.

Milhares de partidários, muitos vestidos com camisas vermelhas, a cor do chavismo, acompanhavam o cortejo, decorado com vários ramos de flores brancas e amarelas, enquanto outros o observavam a partir das varandas dos edifícios.

O hino venezuelano voltou a tocar novamente, desta vez com a voz de Chávez gravada e entoada por todos os presentes.

Nenhuma alta autoridade do governo chavista se pronunciou durante o cortejo.

Multidão acompanha o cortejo levando o caixão de Chávez por Caracas (Foto: Carlos Garcia Rawlins/Reuters)

O governo determinou sete dias de luto oficial. Os meios de transporte não vão cobrar passagem até sábado, segundo a TV estatal.

O corpo será velado no saguão da Academia Militar de Caracas até sexta, quando ocorre o enterro.

Os primeiros presidentes da América Latina começaram a chegar ao país para o funeral oficial, previsto para sexta-feira às 10h (11h30 de Brasília).

Pelo menos 7 países latino-americanos decretaram luto nacional, entre eles Brasil, Argentina, Chile e Cuba.

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, e seu colega uruguaio, José Mujica, foram os primeiros a chegar, às 5h (6h30 de Brasília), um pouco antes do boliviano Evo Morales.

O chanceler afirmou que o país amanheceu calmo e disse que dez chefes de Estado confirmaram presença no funeral. Vários devem chegar ao país na quinta-feira.

Eleições em 30 dias
O ministro de Relações Exteriores daVenezuela, Elías Jaua, disse que o país vai convocar eleições dentro de 30 dias.

O vice-presidente, Nicolás Maduro, vai permanecer interinamente no poder, segundo ele.

“Agora se produziu uma falta absoluta [do presidente], assume o vice-presidente o poder como presidente, e eleições vão ser convocadas nos próximos 30 dias”, disse Jaua na TV Telesur.

“Essa é a ordem que nos deu o comandante presidente Hugo Chávez.”

Ele não deixou claro se isso significava que seria realizada dentro de 30 dias ou apenas se ela seria convocada nesse período.

A Constituição da Venezuela prevê que, no caso de morte (falta absoluta) do presidente, o governo seja assumido pelo presidente da Assembleia, o também governista Diosdado Cabello, mas há outras interpretações.

Aguarda-se que o Tribunal Supremo de Justiça, principal corte venezuelana, se pronuncie sobre o tema.

Cenário eleitoral
O cenário mais provável da eleição é que Nicolás Maduro seja o candidato do PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela, chavista) e que Henrique Capriles seja o candidato das oposições.

Pesquisas recentes e analistas mostram Maduro com ampla liderança sobre Capriles, em parte porque ele recebeu a “bênção” de Chávez como seu “herdeiro político”.

É provável ainda que ele se beneficie da comoção nacional provocada pela agonia e pela morte do presidente.

Maduro tem sido um aliado próximo de Chávez há anos, e provavelmente não fará grandes mudanças se for eleito.

Alguns têm sugerido que ele poderia tentar aliviar as tensões com investidores e o governo dos EUA, embora, horas antes da morte de Chávez, Maduro tenha afirmado que os “imperialistas” inimigos tinha infectado o presidente com o câncer como parte de uma série de conspirações com os adversários internos.

Dois adidos militares americanos foram expulsos pelo governo acusados de “conspiração”.

Já uma vitória de Capriles traria profundas mudanças à Venezuela e seria bem recebida por grupos empresariais e investidores estrangeiros, embora seja provável que ele agisse de forma cautelosa para reduzir o risco de violência e de instabilidade política.

Capriles, em sua primeira manifestação após a morte de Chávez, manteve um tom conciliador. Maduro também falou em “união pelo futuro da pátria”.

Fonte: G1


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