Cresce número de brasileiros afastados do trabalho por causa do uso de drogas

Aumenta o número de pessoas que se afastam do trabalho por dependência de álcool ou outras drogas, tendo que se “encostar” com auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez no Instituto Nacional de Seguro Social (INSS).

Dados do órgão comprovam este crescimento em todo o país, pois em 2012 foram 47.839 trabalhadores, no ano passado um total de 52.096 e já neste ano, até julho são 23.855. E a grande maioria é pelo uso de álcool.

Já na Bahia, em 2013 foram 719 e  no primeiro semestre de 2014 foram 363. Na região de Salvador que abrange a  Metropolitana, Litoral Norte, Alagoinhas e região, cerca de 4,5 milhões de pessoas, no ano passado o total de auxílios doenças para trabalhadores afastados pela dependência química foram 251 e no primeiro semestre deste ano 116 pessoas.

O chefe do Serviço de Saúde do Trabalhador do INSS, João Eduardo Pereira, perito médico previdenciário, disse que o afastamento é feito através de relatórios do médico assistente (o médico do paciente que o encaminha para a previdência) com a Classificação Internacional da Doença (CID),e são nove códigos ligados à dependência química.

“O perito não dá diagnóstico, o perito só reconhece através de relatórios e vê se aquele diagnóstico capacita o paciente para trabalhar”, frisou, acrescentando que este é o grande entrave existente entre o perito do órgão e o paciente porque muitas vezes este não leva a comprovação certa, inclusive até com papéis inadequados, cópias de documentos, sem originais.

Como o andamento dos auxílios-doenças é feito desta forma, o médico admite que o número de casos de afastamentos por dependência química sejam maiores que estes dados divulgados porque há casos de indivíduos que adquirem outra doença devido ao uso abusivo do álcool ou de drogas como depressão, cirrose hepática e outras.

“É possível que esteja com outro CID, os relatórios do médico assistente podem vir com outros transtornos, então não temos como saber”, explicou.

Mesmo dentro destas estatísticas apresentadas pelo INSS, o especialista explicou que estão incluídos códigos que tem a ver com  pensão para dependentes de falecidos que estavam no amparo assistencial por deficiência; aposentados por invalidez ;auxilio doença relacionada ao trabalho ( o caso de pessoas que adquirem a dependência no trabalho.

Exemplo: enfermeira que inala morfina) e o auxilio doença do trabalhador que é a grande maioria dos casos.

O auxílio doença supera todos os outros casos. Por exemplo, no Brasil em 2012, foram 44.839, em um total de 47.639, ou seja 2.800 para outros casos; no ano passado 44.835 e 52.096, com uma diferença de 7.261 para os outros casos. Já no semestre são 22.370 casos de auxílio doença contra 1.485 para outros.

Na Bahia repete-se a estatística, o maior número é de auxilio doença: 2012: 552; 2013:570; primeiro semestre: 279.

Em Salvador foram 230 com total 279; 2013: 205, totalizando 251 e no semestre 94 com total de 116.

Fonte: Tribuna da Bahia


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