Crimes virtuais registram média de R$ 600 milhões em prejuízo por ano

O comércio eletrônico mantém o ritmo acelerado pós Black Friday. Com as compras de Natal, as vendas online podem crescer 22% em 2014, comparado com o mesmo período no ano anterior, segundo estimativa da E-bit, empresa especializada em informações do setor.

A previsão é de que o faturamento das vendas online no período considerado, de 15 de novembro a 24 de dezembro, chegue a R$ 5,2 bilhões.

São esperados cerca de 14,5 milhões de pedidos, com tíquete médio próximo de R$ 360. De acordo com a pesquisa, neste Natal os adeptos de compras virtuais devem chegar a 9 milhões de pessoas.

No compilado do ano, o setor deve movimentar R$ 39,5 bilhões no Brasil, um crescimento de 27% no faturamento anual. O país já tem mais de 45 mil lojas virtuais.

As cifras, porém, não devem eliminar a cautela dos consumidores e varejistas. Tom Canabarro, cofundador da Konduto, plataforma brasileira especializada em análise de fraude e comportamento de compra na internet, alerta para alguns problemas que consumidores e varejistas podem enfrentar em datas comemorativas.

“Como o aumento no número de vendas é muito grande, os lojistas precisam estar preparados, tanto na parte de tecnologia como de operações. Há muitos sites que são derrubados pelo volume de visitas e eles precisam estar prontos para este pico de acessos a fim de não perder vendas e não frustrar a experiência de compra do internauta”, comenta.

Segundo Canabarro, a preocupação, nessa época do ano, vai além da atuação das lojas no online.

É preciso redobrar a atenção no pós-venda, e repensar a logística para enviar os produtos, lidar com cancelamentos e trocas de pedidos, e com as fraudes realizadas durante a temporada de compras.

“O aumento no movimento dos clientes atrai os fraudadores e oportunistas”, explica o executivo. Os artigos eletrônicos, como celulares, tablets, notebooks, ainda são os produtos mais visados pelos criminosos.

“Esse tipo de produto atrai os fraudadores pois na hora da revenda possuem um alto valor agregado, então o ganho para os fraudadores é alto”, destaca.

Porém, as fraudes não atingem somente comerciantes. Consumidores também são alvos de crimes virtuais. E as fraudes estão cada vez mais sofisticadas.

As redes sociais, inclusive, vem sendo utilizadas para aplicar golpes. Foram registrados alguns casos de lojas e vendedores falsos.

O esquema funciona com a publicação de fotos dos produtos oferecendo preços muito bons e o usuário acaba comprando no impulso. Porém, aquele produto não existe e o consumidor acaba perdendo o dinheiro.

“É preciso ter cuidado e paciência. É necessário sempre pesquisar o nome da loja em sites como o Reclame Aqui, para ver se não há relatos de casos parecidos”, diz Tom.

A melhor maneira de evitar esse tipo de problema é a pesquisa pela reputação do site. Assim, o consumidor tem em mãos o principal indicador se determinado site é seguro ou não, com produtos de qualidade e entrega no prazo.

Outro ponto a se levar em consideração são os sites estrangeiros, pois merecem atenção especial, já que é mais difícil checar a sua reputação.

Nos EUA existe o Better Business Bureau (www.bbb.org), onde as pessoas podem pesquisar pelo nome do e-commerce. Mas, essa pesquisa tem um caminho prático e conhecido, uma busca rápida no Google.

“Basta digitar o nome de um site para ver centenas de reclamações em fóruns e redes sociais”, aconselha Tom Canabarro.

Já em relação aos lojistas, os crimes com maior índice registrado são as compras realizadas com identidades falsas e cartões roubados.

A Konduto já registrou casos em que os dados cadastrais são verídicos, e uma validação apressada – que tem mais chance de acontecer em um período de muitas vendas – apenas com banco de dados, acaba passando na validação de compra.

“Na Konduto implementamos uma tecnologia de inteligência artificial para que os varejistas online não sofram com esse tipo de ação. Nosso sistema detecta, automaticamente, o padrão de vendas de cada loja, analisa o comportamento de navegação e compra do cliente para determinar a probabilidade de fraude e gera um score em tempo real. Antes de concluir a compra, o perfil do internauta já foi 80% analisado e, então, o varejista decide se libera ou não a transação”, explica Canabarro.

Fonte: Tribuna da Bahia


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