Dentro de 24 anos população pode parar de crescer, diz IBGE

Se a Bahia continuar com o ritmo atual de natalidade, dentro de 24 anos a população vai parar de crescer. É o que aponta um estudo feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2000, a estimativa do instituto era que cada mulher, em média, tivesse 2,4 filhos. Mas o número caiu significativamente, e será perceptível em duas décadas e meia.

Os dados do IBGE, divulgados com exclusividade para a Tribuna da Bahia, prevê a redução da população baiana, visto que a fecundidade do estado tem caído significativamente. Após o levantamento feito em 2000, a média estimada de filhos por mulher passou para 1,89, em 2010. Já em 2020, a média de filhos para cada mulher caiu para 1,64, chegando a ser inferior aos padrões de fecundidade do Reino Unido.

O estudo aponta ainda uma nova redução para o ano de 2030, quando a média de mulher por filho poderá passar para 1,55, colocando a fecundidade baiana em níveis abaixo do necessário para a reposição necessária, que é de 2,1 filhos.

“Quando se nasce menos que dois filhos, a geração passa a diminuir. Isso é um reflexo do rendimento de fecundidade que se deu por um conjunto de elementos, como a inserção dos contraceptivos na cultura baiana, e o grande número de trompas ligadas, que reduz mais ou menos 21% dasmulheres em idade fértil”, explica o coordenador de disseminação de informações, Joilson Rodrigues.

Ele destaca também outro fato que contribui para essa redução: a inserção da mulher no mercado de trabalho. De acordo com ele, isso gera uma competitividade entre as condições econômicas e o tempo para cuidar dos filhos. Sendo assim, muitas mulheres optam por não tê-los, sendo motivadas a postergar a gravidez.

Ratificando parcialmente o que foi dito por Joilson, a socióloga Marlene Vaz afirma que um dos principais fatores para a redução da fecundidade é realização pessoal da mulher. “Está diminuindo o número de filhos e aumentando o número de mulheres chefe de família. As mulheres estão cada vez mais sozinhas, fora do casamento tradicional, e buscam o mercado de trabalho para ter uma renda que a sustente, abrindo mão da maternidade”, explicou.

De acordo com a socióloga, essa redução também se dá porque as mulheres casadas estão optando por ter apenas um filho. “Há também a preocupação com a realização da vida do filho na sociedade, onde a mulher quer dar uma educação de qualidade. Ter mais filho é gastar mais. A tendência das pessoas é que o filho estude, e no exterior. Apenas o estudo no Brasil não está sendo suficiente. Os pais querem dar um estudo de qualidade, e por isso decidem investir tudo em apenas um filho”, disse.

Fonte: Tribuna da Bahia

Imagem: Ilustração


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