Depressão é a 2ª doença que mais incapacita para o trabalho

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Longas e extenuantes jornadas, condições insalubres, sobrecarga, assédio moral, ambiente extremamente competitivo. Estas são só algumas das situações – de estresse – comuns enfrentadas pela maioria dos profissionais. Circunstâncias essas que desmotivam e, muitas vezes, levam à depressão. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença ocupa o segundo lugar dentre as que causam incapacidade no trabalho, e a projeção é que até 2020 ela esteja no topo da lista. Segundo o Ministério da Saúde, estima-se que mais de 10 milhões de pessoas sofram com o problema no Brasil.

Não se sabem os motivos que levaram o copiloto da companhia aérea alemã a arremessar o Airbus com 150 pessoas a bordo contra os Alpes franceses, mas a notícia de que o jovem sofria de depressão e já tinha até recebido tratamento contra tendências suicidas despertou a atenção – em todo o mundo – para questões ligadas à doença e à “qualidade de vida” no ambiente de trabalho.

“Muito desse estresse moderno passa pela ambiência, a qualidade das relações (entre líderes e liderados), o modelo de gestão empresarial (pressão por resultados). As empresas estão perdendo profissionais qualificados, em especial os mais jovens, que prezam por mais liberdade de expressão e criatividade. Ninguém quer mais opressão, se sentir como no século passado”, diz a diretora da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-BA), Denide Pereira.

“Quer modelos mais inclusivos, que enxerguem pessoas como pessoas. Sobretudo em um momento de crise, onde liberdade é fundamental para se pensar soluções”, afirma.

Segundo a psicóloga Isabella Politano, o estresse no trabalho por si só não causa a depressão. Ainda segundo ela, transtornos psíquicos, de uma forma geral, estão associados a múltiplos fatores, entre eles orgânico, hereditário, sociocultural, não podendo ser reduzido a uma única causa.

Ferramentas de gestão

“Entretanto, as condições de trabalho podem potencializar uma tendência ou deflagrar um sintoma. Ou ainda levar o indivíduo a cronificar seu quadro clínico”, explica Isabella.

Segundo especialistas em relações trabalhistas, três ferramentas de gestão transformaram de forma radical a maneira como trabalhamos hoje: a avaliação individual do desempenho, a exigência de “qualidade total” e o outsourcing (terceirização).

“Nos dias atuais, os resultados são mais importantes que pessoas. Essa é uma triste realidade, mas que não deve ser subestimada. Nesses casos, o trabalhador deve buscar toda a ajuda possível, dentro ou fora da empresa, de preferência especializada”, diz a consultora de carreiras e sócia-diretora da Talento RH, Agda Lima.

“As empresas devem se aperfeiçoar nesta questão, promover uma análise profunda do centro do estresse. Buscando mais velocidade na informação e no conhecimento. Se o fator gerador está na empresa, na liderança ou no processo”, afirma o especialista em treinamento e motivação profissional, Bob Floriano.

Fonte: Portal A Tarde


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