“Ela levou um susto e perdeu o controle do carro”, diz advogado de Kátia Vargas

Em audiência realizada ontem no Fórum Criminal de Sussuarana, a médica Kátia Vargas falou pela primeira vez sobre o acidente que matou os irmãos Emanuel e Emanuelle Dias e chorou ao falar da saudade que sente dos filhos

Na segunda audiência sobre as mortes dos irmãos Emanuel e Emanuelle Dias, realizada ontem no Fórum Criminal, em Sussuarana, a oftalmologista Kátia Vargas negou que tenha ocorrido a colisão entre o seu carro e a moto das vítimas.

Na manhã do dia 11 de outubro, Emanuel e Emanuelle morreram depois que a moto pilotada pelo jovem se chocou contra um poste da Avenida Oceânica, em Ondina. De acordo com o inquérito policial, o veículo de Kátia, um Kia Sorento, tocou na moto e provocou o acidente.

Em audiência de 40 minutos, a médica disse ao juiz Moacyr Pitta Lima que não tem certeza se fechou a moto ao sair da Rua Morro do Escravo Miguel. Ela afirmou ainda que não houve discussão de trânsito com Emanuel.

Durante a audiência, Kátia se recusou a assistir ao vídeo que mostra o momento do acidente e não respondeu alguns questionamentos feitos pelo promotor David Gallo. O Ministério Público (MP) denunciou Kátia Vargas à Justiça por dois homicídios, com os qualificadores da impossibilidade de defesa e perigo comum. A previsão é que, até o dia 19, o juiz decida se ela vai a júri popular.

Ao fim da audiência, que foi fechada para os jornalistas, o advogado da oftalmologista, Sérgio Habib, comentou o depoimento de sua cliente. “Ela disse que em nenhum momento o carro atingiu a moto. O que pode ter acontecido é que o rapaz da moto perdeu o controle indo de encontro ao poste”, disse Habib.

Segundo ele, Kátia tinha acabado de sair da academia e estava entrando na Avenida Oceânica, quando teria se iniciado o impasse. “Ela não lembra se fechou a moto. Disse que o rapaz (Emanuel) gesticulou, como se estivesse reclamando. Depois ela seguiu, mas ele fazia zigue-zague impedindo-a de passar. Foi então que ela percebeu um barulho no fundo do carro, como se fosse um tapa ou soco no vidro, levou um susto e perdeu o controle do carro. Ela afirmou que não lembra como aconteceu o acidente”, declarou o advogado.

Ainda de acordo com Sérgio Habib, Kátia contou que após bater o carro na grade do Ondina Apart Hotel, ligou para o marido pedindo ajuda. Sentimento Segundo o promotor David Gallo, Kátia Vargas não se mostrou nervosa durante a audiência e não quis responder às perguntas feitas pela promotoria. “Ela se recusou a falar sobre assuntos ligados diretamente às vítimas, sobre seu sentimento em relação a elas. Além disso, não quis ver os vídeo do acidente.

Na opinião de Gallo, Kátia parecia estar bem de saúde. “Ela chegou com a uma aparência saudável, rosada”, declarou. O promotor disse ainda que a médica só chorou em um momento: “Quando perguntaram sobre os filhos dela. Ela respondeu que sentia a falta deles e algumas lágrimas caíram. Mas o juiz perguntou: ‘Eles não têm lhe visitado? Eles podem ir ao presídio. Então, uma funcionária do TJ lhe deu um lenço e uma água”.

Ainda de acordo com Gallo, Kátia relatou que fica isolada na enfermaria do Presídio Feminino, onde está há 57 dias. Ela também reclamou das condições da penitenciária. “Todos os medicamentos antidepressivos que ela usa é a família que compra”, disse.

Já o advogado da família das vítimas, Daniel Keller, afirmou que todo o discurso de Kátia Vargas foi baseado no parecer do perito Ricardo Molina, contratado pela defesa. Na avaliação de Molina, a moto se desequilibrou sem qualquer toque com o Sorento.

“Ela respondeu de forma vaga alguns questionamentos. O fato de somente ela ter falado agora era uma estratégia da defesa para que um laudo particular ficasse pronto”, argumentou Keller. A mãe de Emanuel e Emanuelle, Marinúbia Dias, preferiu não ir ao fórum ontem.

Ao final da audiência, Kátia deixou a sala cercada por policiais militares, sem algemas, sem maquiagem e de cabeça baixa. Não fez qualquer menção de falar com a imprensa. Dali, voltou para a enfermaria do Presídio Feminino.

Juiz decide se Kátia vai a júri popular até quinta-feira
Após a audiência de ontem, a adição de documentos ao processo não é mais possível, nem por parte do Ministério Público nem pela defesa da médica Kátia Vargas. A partir de agora, as duas partes têm que esperar a decisão do juiz Moacyr Pitta Lima Filho, da 1ª Vara de Execuções Penais.

O parecer elaborado pelo perito Ricardo Molina, contratado pela família da médica, entra no processo como uma assistência de defesa, que tem direito a um assistente técnico no caso.
De acordo com o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ), o juiz Moacyr Pitta Lima Filho prometeu tomar uma decisão até o próximo dia 19, antes do recesso do Judiciário. Até lá, ele decide se Kátia vai ou não a júri popular e também se acata o mais novo pedido de habeas-corpus, feito pelo advogado Sérgio Habib.

“O juiz agora vai analisar as provas do processo e divulgar um parecer informando se ela vai ou não a júri popular. Se antes eu tinha 99% de certeza, hoje eu tenho 100%”, disse o promotor David Gallo, um dos representantes do Ministério Público no caso. O advogado da família dos irmãos Emanuel e Emanuelle, Daniel Keller, disse que o juiz afirmou, na mesa de audiência, que tomaria uma decisão até a próxima terça-feira, dia 17. Ontem, após a audiência que durou cerca de 40 minutos, Kátia Vargas retornou ao Conjunto Penal Feminino, no Complexo Penitenciário da Mata Escura, onde está presa desde o dia 17 de outubro.

Parentes das vítimas  realizam ato e marcam caminhada para amanhã
Enquanto era realizada a audiência com a médica Kátia Vargas, cerca de 20 pessoas realizavam uma manifestação em frente ao fórum. Segundo o advogado da família de Emanuel e Emanuelle, Daniel Keller, o ato foi “um apoio à família, além de um ato de confiança no Judiciário”.

Keller afirma que seus clientes acreditam que Kátia vai a júri popular. Parentes das vítimas participaram do ato. “Que seja cumprida a justiça. Molina está denegrindo a imagem da Polícia Civil. Acredito no clamor público e ela tem que pagar”, disse Leide Novais, tia dos irmãos.

Amigos e familiares de Emanuel e Emanuelle prometem fazer uma grande caminhada na Barra no próximo sábado, dia 14. Esta será a manifestação antes da decisão do juiz Moacyr Pitta Lima Filho. No Facebook, a mãe dos jovens mortos, Marinúbia Dias, convidou a população para participar do ato, que servirá, segundo ela, para pedir paz no trânsito e cuidado com os pedestres.

Na pauta da caminhada também estão o pedido de justiça pela morte de Emanuel e Emanuelle e respeito e atenção com ciclistas e motociclistas.

Fonte: Correio 24hrs


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