‘Ele disse que tinha 99% de chance de eu morrer’, diz vítima de matador

Jovem sobreviveu a três tentativas de estrangulamento.
Depoimento de mulher coincide com informações dadas pelo criminoso.

Sailson afirma não se arrepender dos crimes (Foto: Reprodução / TV Globo)

Uma jovem moradora de Nova Iguaçu que sobreviveu a um ataque de Sailson José das Graças, o homem que afirma ter matado 43 pessoas na Baixada Fluminense, fez um relato dos momentos de horror que viveu ao lado do criminoso. Ela conta que ele tentou estrangulá-la três vezes. Como não conseguiu, foi embora por achar que “Deus não queria que ela morresse”.

A mulher compareceu à Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) para prestar depoimento sobre o caso. A polícia ouve vítimas de tentativas de homicídio de Sailson e familiares de mortos pelo serial killer.

A mulher, que é jovem e branca, como a maioria das vítimas do matador, conta que estava dormindo na sala de casa e, por volta das 4h da madrugada, ouviu barulhos na porta. “Quando eu vi, ele estava com a chave, na sala, e já veio me enforcando”, diz a vítima.

A tia da vítima também estava na casa durante a tentativa de homicídio, mas ela não acordou com o barulho porque tinha tomado um remédio para dormir e estava com um sono pesado.

Segundo a jovem, Sailson usava uma camisa amarrada no rosto, vestia uma camisa cinza, calça jeans e era extremamente frio ao tratar do assassinato que planejava cometer. “Ele era muito frio, muito calmo. Dizia que ia me matar porque gostava de matar mulheres que ele achava bonitas. Que ele vinha me observando há algum tempo. Que eu tinha 99% de chance de morrer e só 1% de chance de sobreviver”.

Apesar de não conseguir entrar em luta corporal com o criminoso por ele ser muito forte, a mulher conta que tentava convencê-lo a não a matar. “Eu perguntei porque ele ia me matar. Falei para ele não fazer isso porque minha avó estava internada no hospital e ela precisava muito de mim”.

Matador limpou unhas de vítima
A vítima desmaiou três vezes por causa do estrangulamento. Em todas, quando ela acordava, Sailson estava ao seu lado. Após a terceira vez, ele desistiu do assassinato porque achava que “Deus não queria que ela morresse”.

“Quando ele disse que ia embora, falou que antes precisava fazer uma coisa: foi quando ele pegou um facão e eu me assustei, achando que ele ia me matar. Pedi para não fazer isso. Ele disse que não ia me matar, que só precisava retirar as digitais dele da minha unha. Ele raspou as minhas unhas e disse que ia embora”.

Toda a ação de Sailson na casa da mulher durou cerca de uma hora. Ainda assim, ele ainda deu uma recomendação à própria vítima antes de ir embora. “Ele colocou a chave do lado de dentro e falou que, quando saísse, era para eu trancar a porta”.

O delegado assistente da Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense, Marcelo Machado, afirma que Sailson não caiu em contradição nenhuma vez e que todas as informações que passou sobre seus crimes para a polícia foram confirmadas. “Ele já havia dito que tinha tentado estrangular uma menina três vezes e que ela não morreu. Ela se apresentou e declarou exatamente o que ele tinha falado, com indícios bastante fortes do que ele disse era verdadeiro”.

O delegado afirma ainda que as ações de Sailson são correspondentes ao perfil de um matador em série. “Ele pratica os crimes como um serial killer, sempre da mesma forma: são vítimas mulheres, brancas, o uso de estrangulamento e faca”.

A vítima do matador afirma que o reconheceu ao ver sua entrevista na televisão, pela voz e pela frieza. Ela, que tinha decidido esquecer o assunto após o crime, mudou de ideia e resolveu denunciá-lo.

Quando ele fez isso comigo eu perdoei, tanto que antes dele ir embora, eu disse que Deus o estava perdoando e dando uma chance para recomeçar a vida, assim como Deus estava me dando uma oportunidade de viver de novo. Mas depois que eu vi todos os casos, sinceramente, eu acho que não tem perdão”, afirma a mulher.

Fonte: G1


Compartilhe:

Comentários: