Engarrafamento estressa e prejudica a economia; especialistas apontam as soluções

As áreas mais congestionadas poderiam ter um melhor desenvolvimento se houvesse uma infraestrutura melhor de acesso, afirma economista Fernando Cabus

O trânsito estressa, faz perder tempo e gastar combustível. Mas vai muito além disso. Um trânsito engarrafado traz perdas também para a economia de uma cidade, no caso Salvador. Esse foi um dos temas tratados ontem pelo economista Fernando Cabus em entrevista ao CBN Salvador 1ª edição.

“Hoje, há áreas comerciais que são menos procuradas pelos clientes por causa dos engarrafamentos. Às vezes o cliente é até antigo, mas não consegue acessar essas áreas e acaba desistindo de comprar”, diz o especialista.

Ele cita como alguns desses pontos problemáticos a Baixa do Fiscal, a Avenida Jequitaia, o trecho da Paralela próximo às universidades, a Lucaia e a Rua Silveira Martins, no Cabula.

Segundo Cabus, essas áreas poderiam ter um melhor desenvolvimento se houvesse uma infraestrutura melhor de acesso. Nas ruas, os comerciantes comprovam a tese. “Tem cliente que desiste no meio do caminho e vai embora”, diz Gessilene Borges dos Santos, gerente da loja de descartáveis Complast, que fica na Avenida Frederico Pontes, em Água de Meninos.

Na Baixa do Fiscal, o problema do trânsito começou a melhorar após as obras de requalificação da via. Mas, durante a intervenção, o comércio local sofria.  “Se a pessoa liga e diz: ‘Paulo César, eu tenho meia hora pra arrumar o escapamento do meu carro’, mas já gasta essa meia hora só pra chegar e parar, como é que faz?”, questiona Paulo César Viana Silva, dono da Negão Escapamento.

“Eu perco cliente todo dia. Se ele não tem onde parar o carro, como é que não perde?” emenda Neldo Modesto Alves,  dono de uma loja que vende coco em Água de Meninos.

Especialistas
A falta de estacionamento é outro problema que atinge o comércio de rua, aponta o coordenador do curso de Gestão Comercial da Unifacs, Eduardo Gandarela. “Uma loja de rua sem estacionamento está fadada a quebrar”, opina.

Segundo o especialista, no entanto, quando a questão é o engarrafamento, shoppings e comércio de rua sofrem igual. Acha que não? Você iria ao Shopping Iguatemi fazer compras num dia de semana, às 18h30? E, mais do que isso, escolas, cursos e até partidas de futebol perdem público por conta do trânsito.

“Eu mesmo adoro futebol, mas não vou à Fonte Nova porque é difícil de chegar”, diz Gandarela, que também já perdeu inúmeros negócios por morar na Avenida Magalhães Neto, um dos pontos problemáticos da cidade. “
Dou cursos, consultorias. Mas quando digo onde moro e a pessoa percebe o quanto é difícil chegar, acaba desmarcando.

Como possíveis soluções, o coordenador sugere que se acelere a construção do metrô, aumente a quantidade de ruas e se planeje melhor o trânsito. “Essas ruas estão iguais há dez anos”, reclama.

A professora do Departamento de Transportes da Escola Politécnica da Ufba Ilce Marília Dantas Pinto avalia que não há uma única solução, mas várias que podem ser aplicadas de acordo com a situação de cada localidade. “O engarrafamento tem uma só causa: o volume de veículos maior que a capacidade da via. Mas as soluções são muitas”.

Entre elas, a professora sugere o fechamento de algumas ruas para os veículo e a construção de estacionamentos periféricos. “A pessoa deixaria o carro e seguiria a pé, ou de ônibus”. Além disso, ela observa que uma sinaleira mal colocada ou mal programada pode ser bem prejudicial ao trânsito.

“Também dá para estimular o uso de bicicletas, transformar uma via de mão dupla em mão única, colocar mais ônibus… Precisa ser estudado caso a caso. Depende também do que as pessoas aceitam em cada região da cidade”, completou ela.  “O congestionamento não atrapalha só o comércio. Ele não é bom para ninguém”, conclui.

Sugestões
– Retirar ou reprogramar sinaleiras
– Construir novas vias
– Investir em ônibus e metrô
– Fechar algumas ruas comerciais para a circulação de  carros
– Transformar vias de mão dupla em mão única
– Fazer estacionamentos na periferia dessas vias
– Estimular o uso de bicicletas

Fonte: Correio 24h


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