Especialista alerta para os cuidados que podem evitar queda e morte de crianças

De acordo com a presidente do departamento de segurança da infância da Sociedade Baiana de Pediatria, Marcia Barreto, casos como o do menino Jonatan, de quatro anos, que morreu no dia de Natal ao cair da janela de um prédio na Praça da Sé, infelizmente, é mais comum do que se imagina.

Segundo a pediatra, o tipo de acidente, que a Tribuna da Bahia cobriu com exclusividade, é o primeiro entre as causas de mortes de crianças em ambiente domésticos. E o maior motivo para que continue acontecendo é a falta de esclarecimento. Para ela, campanhas com informações sobre como precaver acidentes envolvendo crianças são uma urgência nesse período de férias.  “Todo acidente com criança pode ser evitado”, afirmou a pediatra.

A informação da especialista se confirma na prática. O pai de Jonatan, o artista de rua Adenilton Pereira Ramos, em entrevista a uma rede de TV local, disse não ter feito nada contra o menino, apenas deixou ele sozinho enquanto foi resolver uma emergência. A pediatra explica que esse é um dos principais erros dos pais que ainda não foram esclarecidos. “Não se deve deixar, nunca, uma criança sozinha”, afirmou, lembrando que outro erro comum é deixar crianças maiores tomando conta de crianças menores.

Marcia Barreto ressalta que, apesar de ocorrerem em número insuficiente, já existem muitas ações no sentido de alertar os pais sobre as prevenções de acidentes, porém, elas, muitas vezes, esbarram na falta de condições da família de colocá-las em prática. “No caso das quedas, por exemplo, a simples colocação de redes de proteção nas janelas já evitaria acidentes como esses”, disse. Ela, no entanto, lembra que nem todas as famílias podem arcar com a compra e instalação desse tipo de equipamento.

Desta forma, a situação financeira da família influencia no número de acidentes cujas vítimas são crianças, o que é confirmado pela especialista. “Há certos tipos de acidentes que acontecem mais em famílias de menor poder aquisitivo”, disse. Apesar de não haver dados atualizados sobre acidentes com crianças, a médica informa que as quedas fatais, como a do último dia 25, são desse tipo.

Adenilton Pereira contou que saiu de casa com o outro filho, que chorava muito devido à ausência da mãe, deixando o maior sozinho. “Não é só a falta de condições para comprar equipamentos de segurança. Certas famílias deixam seus filhos sozinhos muitas vezes por necessidade”, conta. Ao sair de casa, Adenilton Pereira, deixou o filho dormindo. “Foi uma saída rápida”, explica o pai. Segundo especulações da polícia investigativa, o menino deve ter acordado e subido na cama para alcançar a janela.

Mais de 200 acidentes só este ano

Segundo dados da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab), em 2012 ocorreram 261 acidentes fatais, no estado, com crianças de zero a nove anos. Em 2013, até o mês de setembro, foram 202. Já em Salvador, foram 30 em 2012 e 17 até setembro deste ano. Segundo informações do Ministério da Saúde, até 2010, os principais acidentes se apresentam na seguinte ordem: acidentes de trânsito, afogamentos, sufocações, queimaduras, quedas, intoxicações, acidente com arma de fogo, entre outros com menor frequência.

No entanto, a pediatra Marcia Barreto afirma que os dados do Ministério da Saúde não representam a realidade, pois os hospitais, com destaque para os HGEs, não têm um monitoramento eficaz sobre acidentes com crianças.

Baseada em sua experiência na Sociedade Baiana de Pediatria, onde trabalha com a segurança infantil, a queda é uma dos acidentes mais predominantes em ambientes domésticos.

“Uma simples porta entre as crianças e as cozinhas, os banheiros e a escada, já diminui em 50% o risco de acidentes”, informa.

15 dicas para prevenir acidentes

1. Nunca permita que crianças muito pequenas fiquem sozinhas, por menor que seja o período. Com o passar dos anos, as crianças vão adquirindo senso crítico e aprendendo a se proteger dos mais variados riscos.

2. O adulto deve supervisionar o banho da criança, pois o risco de quedas é aumentado devido à presença de água aliado à espuma do sabonete, xampu ou cremes.

3. Devemos evitar o contato das crianças pequenas com animais, pois o animal pode se sentir ameaçado, já que crianças realizam movimentos bruscos como puxar, apertar e morder a todo o momento e o animal vai se defender atacando a criança.

4. Evite o máximo a presença de crianças no interior da cozinha, pois existe o risco de queimaduras com os alimentos sempre quentes durante sua preparação. Colocar os cabos das panelas virados para dentro do fogão vai reduzir a chance de queda das panelas e as consequentes queimaduras que acontecem com os menores. Todos os utensílios e máquinas cortantes e/ou perfurantes da cozinha (facas, garfos, liquidificadores e etc…) devem ficar em local onde as crianças não possuem acesso.

5. Faça o mesmo com ferramentas e máquinas (serrotes e cortadores de grama, por exemplo) que temos por toda a residência, evitando que as crianças os façam de brinquedos!

6. Mantenha em locais seguros e trancados os produtos químicos e remédios, pois as crianças são as maiores vítimas de intoxicação nos lares.

7. Evite colocar os brinquedos no alto, pois em algum momento a criança vai subir para tentar pegá-los.

8. Não permita que crianças brinquem em escadas ou próximo a estas, pois com o menor descuido elas podem cair.

9. Continuando com a proteção contra quedas de crianças, devemos instalar telas de proteção ou grades nas janelas, varandas e sacadas de apartamentos. Existem grades feitas para não permitir que crianças pequenas acessem cômodos indesejados por seus responsáveis. As camas (principalmente beliches) também devem possuir grades para evitarmos as quedas das crianças.

10. Proteja todas as tomadas com protetores e não permita que fios expostos permaneçam no ambiente. Um choque pode ser fatal com pessoas de pouca idade! Restrinja o uso de equipamentos elétricos por crianças muito pequenas.

11. Inspecione periodicamente os brinquedos no seu lar e efetue o conserto imediato dos itens anormais, ou caso não seja possível descarte o brinquedo, mas nunca faça “jeitinhos” nos brinquedos!

12. Até as roupas que nós escolhemos podem se tornar perigosas para as crianças. Roupas muito folgadas, calças com comprimento das pernas maiores que as pernas das crianças e/ou calçados impróprios podem aumentar as chances de acidentes. Escolha com cuidado a roupa dos pequenos e não hesite em levar sempre uma roupa mais confortável quando for sair com crianças.

13. Crianças no interior do veículo exigem muito de sua atenção! Siga o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e tenha os equipamentos obrigatórios exigidos para o transporte de crianças de acordo com a sua faixa etária.

14. Faça visitas periódicas a escola onde seus filhos (as) estudam e note pontos onde as crianças podem se machucar. Oriente o responsável da escola para resolução do problema e se prontifique a ajudar na resolução.

15. Quando seu filho (a) for sair com outras pessoas, faça todas as recomendações para quem for levá-las, tais como remédios que a criança deve tomar substâncias que causam alergias, fobias e manias dos pequenos. Assim poderemos evitar transtornos futuros.

Fonte: Tribuna da Bahia

Imagem: ilustração


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