Especialista dá dicas sobre como acabar com as dívidas

Atenção na hora das compras

Com a atual crise econômica, está cada vez mais difícil para as famílias brasileiras pagarem as contas no fim do mês. De acordo com dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL), a inadimplência em agosto deste ano teve um aumento de 4,86% em comparação com o mesmo mês do ano passado.

Além disso, a estimativa é de que mais de 57 milhões de consumidores em todo o país estivessem listados em cadastros de devedores inadimplentes por conta de pendências com atraso de pagamento. O número representa, segundo o SPC Brasil e a CNDL, cerca de 39% da população adulta do país. A Região Nordeste foi a que vem apresentando a maior alta porcentual no ano, correspondendo a 5,56%.

O que tem ajudado na contribuição desses números são o desemprego, a inflação e os juros elevados do cartão de crédito, que hoje estão em mais de 400% ao ano, segundo o Banco Central. No entanto, especialistas garante que o planejamento é a melhor saída com relação ao objetivo de reduzir as dívidas, principalmente agora com a chegada a primeira parcela do 13º salário para os aposentados.
De acordo com o economista, Britto Santos, o primeiro passo para tentar equilibrar as contas é o consumidor fazer um levantamento de todas as dívidas contraídas, dando prioridade a algumas como IPTU, IPVA, água, energia e escola. “Mais importante, além disso, é que ele não contraia novas dívidas. O momento é de reduzir, de eliminar as coisas supérfluas, como as idas ao restaurante, praia e cinema. Para que, por exemplo, eu precisaria de cinco pares de tênis se apenas um me bastaria para me locomover?”, questionou.

Reunidos e elencados os débitos, a hora é de procurar os credores para renegociar a dívida. “Isso passa pela redução desse montante. O interessante é que haja um parcelamento que permita ao endividado pagar a dívida dele dentro do orçamento doméstico”, comentou o economista. Com relação ao cartão de crédito, caso não haja um acordo inicial com a administradora pode ser conveniente ao devedor procurar um advogado e entrar com uma ação no Juizado de Pequenas Causas com essa finalidade.

“Mas essa deve ser a alternativa final. Antes, ele deve ligar para a empresa e contar da situação que vive e pedir o parcelamento. A administradora, então, ao cobrar os juros, vai cobrar os chamados juros administrativos, que são menores. O devedor, nesses e em outros casos, deve ter em mente que ele não deve fugir ou se esconder e sim buscar uma forma de conciliar, reduzir o consumo”, destacou Santos.

Atenção na hora das compras
Na hora do supermercado, o consumidor deve ficar atento para comprar apenas o que for estritamente necessário para dentro de casa. Alguns itens como iogurtes ou doces devem, neste momento, serem riscados da lista de compras. “A mídia embute, em nós, uma intenção, uma propensão ao consumo exagerado. É necessário saber que temos de comprar os chamados itens da cesta básica como feijão, arroz, açúcar, óleo e manteiga, além de produtos como papel higiênico e pasta de dente”, explicou.

Mas, e se a única televisão da casa pifar, o que deve se levar em conta na hora de comprar uma nova sem comprometer tanto o orçamento? “Pelo menos fazer uma pesquisa em pelo menos três lojas de grande colocação no mercado e, de preferência, pagar à vista. Ainda tem a opção de pesquisar preços em lojas de confiança na internet, que são muito mais atrativos, às vezes, do que nas lojas físicas”, contou o especialista. Finalmente, Santos diz que vale aquela dica já batida de que não se deve gastar mais do que é arrecadado.

Confira mais dicas dadas pelo site da Associação de Defesa do Consumidor (www.endividado.com.br):

·    Lembre-se dos imprevistos! Desemprego, doenças, divórcios não têm hora para acontecer e você deve ter uma reserva para estes casos;

·    Procure nunca usar crédito ou dinheiro emprestado. No Brasil, com as maiores taxas de juros reais do mundo, para quem não tem muito controle sobre seu orçamento;

·    Se o uso de crédito ou empréstimos for inevitável, antes de usa-los, faça uma pesquisa em vários bancos e financeiras, e peça demonstrativos com os valores que serão usados, os juros que serão cobrados e os valores que serão pagos, para ter certeza se é um bom negócio e qual seria a melhor opção. Não use o crédito por impulso;

·    Evite compras a prazo, faça isso somente se você tem total controle de sua vida financeira, sabendo exatamente o que terá que pagar nos finais de cada mês e que estes valores caberão com folga em seu orçamento;

·    Aproveite os finais de ano para quitar dívidas. Nesta época os credores estão precisando fazer caixa e ficam muito mais abertos a dar descontos para quitação de dívidas, que podem chegar a 90%;

Tenha apenas um cartão de crédito. Se um cartão de crédito já consegue arruinar a vida de muita gente sem controle, mais de um será a falência total.

 Fonte: Tribuna da Bahia


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