Estado e médicos divergem sobre cursos de medicina

Enquanto a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) comemora a estratégia do ministro da Educação, Aloísio Mercadante, de implantar novos cursos de medicina em regiões onde há carência de profissionais de saúde, o Conselho Regional de Medicina (Cremeb) sustenta que não se pode medir a qualidade do serviço público da área pela quantidade de médicos.

Em junho passado, o Ministério da Educação (MEC) anunciou a criação de quatro novos cursos federais de medicina na Bahia, com um total de 260 novas vagas, buscando descentralizar a formação dos profissionais para fixá-los no interior, onde o problema é maior. Isso não seria suficiente para melhorar o serviço de saúde na Bahia, na avaliação do diretor do Cremeb Otávio Marambaya.

“Se a solução para fixar o médico nas pequenas cidades fosse criar novas faculdades, era fácil resolver o problema. O médico tem se recusado a atuar no interior, primeiro porque não são oferecidas condições para ele trabalhar (às vezes ele não pode sequer pedir exames básicos para os pacientes), e profissionalmente ele não tem perspectivas de progredir na carreira”, disse o diretor, citando que, na troca de prefeitos no início do ano, muitos gestores demitiram médicos para contratar outros, segundo ele, “apaniguados”.

Já para o secretário Jorge Solla, os quatro novos cursos facilitarão a expansão da rede de assistência à população baiana. Ele acha que, com novos profissionais no interior, o Estado vai poder “continuar ampliando a oferta de serviços na área médica, no mesmo nível dos últimos cinco anos”.

Internato – Até na capital, a formação prática é deficiente, observa Otávio Marambaya. “O internato em Salvador é muito fraco e sem condições adequadas”, opina o diretor do Cremeb, para quem “a Ufba [Universidade Federal da Bahia] tem o Hospital das Clínicas, que é deficiente, e a Escola Baiana de Medicina não dispõe de hospital.

Então,a falta de infraestrutura para a formação prática do médico é muito precária na cidade que concentra o maior número de faculdades”.
Na capital baiana, onde atuam 60% dos médicos no Estado, faltam vagas para internação até na rede privada. Uma imagem recente do gargalo foi a fila de dois quilômetros formada na porta do Hospital Santa Izabel (Nazaré), no final do ano passado, para a marcação de procedimentos pelo SUS.

Fonte: Portal a Tarde


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