Estresse pode causar surto no trânsito

A morte dos irmãos Emanuel e Emanuelle Gomes Dias, de 21 e 23 anos, ocorrida na última sexta-feira, reacendeu as discussões sobre brigas no trânsito, violência e surtos psicóticos. A atitude da médica oftalmologista Kátia Vargas Leal Pereira,  45 anos, que teria atirado o veículo na moto dos jovens, que morreram na hora, serviu de base para reflexões sobre variações de personalidades sofridas pelo ser humano.

Engarrafamentos, buzinas e imprudência são alguns dos fatores que podem gerar brigas de trânsito. Em 2011, uma pesquisa feita em São Paulo, capital com maior número de veículos, apontou que policiais militares atendiam cerca de 70 discussões de trânsito por dia. Na Bahia a situação não é diferente, como afirma um agente da Polícia Militar, que preferiu não se identificar. “As pessoas andam muito estressadas e por qualquer motivo partem para a briga. Muitos se transformam quando estão atrás de um volante e é aí que está o perigo”, alerta o militar.

E foi justamente esta transformação que pode ter ocorrido com a médica oftalmologista. Em entrevista ao Varela Notícias, pessoas próximas à Katia asseguraram estarem surpresos com as investigações, já que, segundo eles, a mulher nunca teria indícios de surto psicótico e sempre pareceu ser uma pessoa normal. “Vários fatores podem levar uma pessoa a tomar uma atitude como está, mas não podemos afirmar nenhum deles sem antes conhecer a pessoas ou ter pelo menos uma conversa prévia”, explica a psicóloga Irma Cristina Genta.

 Predisposição

Ainda de acordo com a especialista, qualquer ser humano que tenha predisposição pode sofrer um surto psicótico e agir com fúria descontrolada. “A predisposição a ter surto psicótico são construídos ao longo da vida, dependendo das situações vividas e da estrutura da pessoa, formada logo nos primeiros anos de vida. Quem tem essa predisposição pode viver um surto, mas isso não quer dizer que essa pessoa terá estas atitudes outras vezes. Isso pode ocorrer uma vez só e nunca mais”, afirma.

Pico de estresse ou surto momentâneo são alguns dos fatores que podem ter sido vividos por Kátia Pereira ao provocar a morte dos irmãos. De acordo com informações da polícia, minutos antes do crime a oftalmologista teria fechado a moto deles, que saíam de uma transversal. Irritado com a atitude da motorista, Emanuel teria dado um tapa no vidro do carro, iniciando uma discussão. Em seguida, a médica acelerou o Kia Sorento branco (placa NZK-6668) e saiu em perseguição dos jovens, ocupantes da Yamaha XTZ (placa NTQ-8040).

Nas proximidades do Hotel Otto Palace, Ondina, Kátia bateu o carro no fundo da moto, causando uma colisão que resultou na morte instantânea dos jovens. O advogado da acusada, Vivaldo Amaral, justificou a ação afirmando que a cliente teria “se assustada” com a moto e por isso avançou o sinal antes do acidente. Os motivos que teriam provocado a atitude da médica ainda são investigados pela polícia.

Segundo Genta, os desentendimentos no trânsito são frequentes, diante da sensação de poder adquirida pelos motoristas. “Muitas pessoas acham que quando estão dirigindo podem tudo, pois tem uma máquina nas mãos, que pode ser transformada em arma. Isso mexe com o comportamento e pode levar as pessoas a cometeram atos que sozinhos jamais fariam”, garante.

De acordo com a delegada Jussara Souza, titular da 7ª Delegacia, a médica que é uma das sócias da Ocular Clínica de Olhos, localizada na Avenida Garibaldi,será indiciada por homicídio com dolo eventual (quando se assume o risco de matar alguém), uma vez que ela teria saído em perseguição à moto, fazendo com que Emanuel perdesse o controle e batesse no poste. Kátia sofreu traumas, escoriações nas costas e permanece internado sob custódia.

Fonte: Tribuna da Bahia

Imagem: Ilustração


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